Demódoco
O escrito que nos chegou sob este título, e que, não mais do que Sobre o Justo e Sobre a Virtude, comporta nem introdução nem conclusão, compõe-se de quatro partes, distribuídas em dois grupos.
A primeira parte, a única dirigida a Demódoco (de quem não se pode saber se se trata do pai desse Teages que deu seu nome a outro escrito apócrifo), apresenta-se como um monólogo que desenvolve uma argumentação contra a deliberação em comum (380a-382e), enquanto as outras três interrogam-se sobre questões de senso comum: pode-se condenar alguém prestando ouvidos apenas ao seu acusador (382e-384b)? Quando alguém não soube persuadir um terceiro a lhe emprestar dinheiro, quem tem culpa, aquele que pede ou aquele que recusa (384b-385c)? Em quem vale mais confiar, em desconhecidos ou em parentes e familiares (385b-386c)? As três últimas partes adotam uma posição probabilista que se assemelha à da Nova Academia de Arcesilau (primeira metade do século III antes de Cristo). Discute-se de questões que relevam do senso comum; avançam-se argumentos numa direção, depois na direção oposta, de forma a estabelecer um equilíbrio no plano da verossimilhança, sem tomar partido. A primeira parte, quanto a ela, faz intervir argumentos próprios aos Megáricos e particularmente a Eubúlides, aquele «do monte»: se um grão, dois grãos, três grãos não fazem um monte, quantos são necessários para fazer um monte? E aquele «do calvo»: se um homem perde um, dois ou três cabelos, em que momento poder-se-á qualificá-lo de calvo?
Este texto díspar não apresenta senão um interesse histórico. (Luc Brisson)
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