Hálcion
Sócrates conta a Queréfon, um de seus discípulos que foi consultar o Oráculo de Delfos, o mito de Alcione, uma mulher inconsolável após a morte do marido, que os deuses transformaram em um pássaro de canto melancólico que, quando faz seu ninho, anuncia o fim do mau tempo e um período de calma. É uma oportunidade para Sócrates lembrar a onipotência divina que administra nosso mundo em constante mudança, um tema tradicional muito em voga entre os estoicos, em particular.
O Alcyon não se encontra em todos os manuscritos de Platão. Já no século III d.C., Diógenes Laércio o considera um diálogo inautêntico, especificando que alguns o atribuem, segundo Favorinus (século II d.C.), a Leão de Bizâncio, um membro da antiga Academia. É por isso que ele não foi incluído por Henri Estienne em sua edição de 1578. O estilo “asiático”, muito cuidado, desse pequeno texto natural e cativante, faz com que ele seja agora atribuído a Luciano, orador e autor do século III d.C. (Luc Brisson)
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