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PARMÊNIDES 161E-162B — O UNO POSSUI O SER E O NÃO-SER

Como também é preciso que de algum modo participe do ser.

De que jeito?

Tudo terá de passar-se com ele conforme dissemos; a não ser assim, não falaríamos a verdade, quando dissemos que o Uno não é. Mas, se formos verídicos, é evidente que referimos ao que existe.

Não é isso mesmo?

Sem dúvida.

Se pretendemos dizer a verdade, por força teremos de dizer o que é.

Necessariamente.

Então, pelo que se vê, o Uno é não-existente, pois se não fosse não existente, algo do ser insinuaria no não-ser, passando ele num ápice a existir.

Sem dúvida nenhuma.

É preciso, portanto, para que continue a não existir, que ele tenha algum nexo com o não-ser, o ser do não-ser, exatamente como o que existe precisa ter o não-ser do não-ser, para plenamente existir. A única maneira de assegurar que o existente existe e o não existente não existe é participar o existente da existência do ser existente e da não existência do ser não existente, para poder plenamente existir, como o não existente terá também de participar da essência do não-ser implicada no ser não-existente, para ter completa não existência.

Tudo isso é certo a mais não pode ser.

Logo, uma vez que o ser participa do não-ser, e o não-ser participa do ser, o Uno, também, dado que não existe, terá de participar do ser para não existir.

Necessariamente.

Como aparecerá existência no Uno, se ele não existir.

É evidente.

E também não-existência, por isso mesmo que não existe.

Como não?

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