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Zadro & Pucci

Platone. Opere complete. Vol. III. Parmenide, Filebo, Simposio, Fedro. Trad. di A. Zadro, P. Pucci.

  • Céfalo narra como, em companhia de outros filósofos de Clazômena, encontrou em Atenas Adimanto e Glauco e pediu que o acompanhassem até Antifonte, para que este lhes relatasse a discussão entre Sócrates, Parmênides e Zenão, que o próprio Antifonte aprendera das palavras de Pitodoro.
    • O relato de Antifonte situa o encontro por ocasião das Grandes Panateneias, quando Parmênides, já velho, e Zenão, com cerca de quarenta anos, tinham vindo a Atenas.
    • Na casa de Pitodoro, Zenão lê seu livro diante de muitos presentes, entre os quais o muito jovem Sócrates (I 126a-127d).
  • Ao término da leitura, Sócrates pede que Zenão releia a primeira hipótese do livro: se as coisas são múltiplas, elas são ao mesmo tempo semelhantes e dessemelhantes, o que é absurdo.
    • Sócrates nota uma consonância entre as teses de Parmênides e de Zenão, que este confirma com algumas retificações (II 127d-128e).
    • Sócrates objeta que a antinomia de Zenão é resolúvel mediante a doutrina das ideias e da participação das coisas nelas; seria insolúvel, porém, se se demonstrasse que a própria ideia do semelhante é dessemelhante e a do dessemelhante é semelhante (III 128e-130a).
  • Parmênides formula uma objeção geral: existem realmente ideias para cada uma das coisas sensíveis?
    • Para algumas, Sócrates está certo de que existem; para outras, está em dúvida; para outras ainda, está certo de que não existem (IV 130a-e).
  • A primeira dificuldade da doutrina da participação das coisas nas ideias é a seguinte: a coisa participa da ideia inteira ou apenas de uma parte dela?
    • Ambas as hipóteses conduzem ao absurdo.
    • A segunda dificuldade é o chamado argumento do terceiro homem.
    • A terceira dificuldade é que as ideias não podem ser entendidas como pensamentos.
    • A quarta dificuldade é que as ideias não podem ser entendidas como modelos.
    • A quinta e maior dificuldade é que as ideias e as coisas estariam em dois planos paralelos e entre si incomunicáveis (V-VI 130e-134a).
    • As ideias seriam portanto inteiramente incognoscíveis para o homem, e as coisas sensíveis seriam inteiramente incognoscíveis para a divindade; mas não menos absurda é a tese de quem quisesse negar as ideias (VII 134a-135c).
  • Impõe-se uma rigorosa análise dialética conduzida segundo o método por hipóteses: feita uma hipótese, examinar não apenas as consequências que derivam de sua afirmação, mas também as que derivam de sua negação, tanto em relação a si mesma quanto em relação aos demais elementos da realidade, tomados em si e em relação mútua.
    • Parmênides é convidado a fornecer uma prova desse método (VIII 135c-136e), com os devidos preliminares (IX 136e-137c).
  • Primeira hipótese: se o uno é uno, ele não terá partes nem será um todo; não terá princípio, meio nem fim; será sem figura e não estará em nenhum lugar (X 137c-138b).
    • O uno não se move nem por modificação nem por deslocamento, e tampouco está em repouso.
    • O uno não é idêntico nem a si mesmo nem a outro, nem diverso de si mesmo ou de outro.
    • O uno não é semelhante nem dessemelhante, nem igual nem desigual, a si mesmo nem a outro, nem maior nem menor (XI 138b-140d).
    • O uno não pode ser mais velho, mais jovem nem coetâneo de si mesmo ou de outro; não participa do tempo; e como não se pode dizer que ele é, será ou era, não se poderá dar dele nome nem razão, nem será possível ter dele opinião ou ciência: conclusão inteiramente negativa (XII 140d-142a).
  • Segunda hipótese: se o uno é, ele participa do ser e é portanto um todo com partes, gerando uma dualidade ao infinito do uno que é, da qual pode ser deduzida toda a série numérica (XIII 142b-144a).
    • O uno é múltiplo não apenas em relação às coisas que dele participam, mas também em relação a si mesmo (XIV 144b-c).
    • O uno é uno e múltiplo, todo e partes, limitado e finito; terá princípio, meio e fim; terá figura; estará tanto em si mesmo quanto em outro; mover-se-á e estará em repouso; será idêntico e diverso, tanto em relação a si mesmo quanto em relação a outro (XV 144e-146d).
    • Além de idêntico e diverso, o uno será também semelhante e dessemelhante, tanto em relação a si mesmo quanto às outras coisas (XVI 146d-148a).
    • O uno estará em contato e em separação de si e de outro (XVII 148a-149d).
    • O uno será igual e desigual, tanto em relação a si mesmo quanto às outras coisas (XVIII 149d-151e).
    • O uno participará do tempo e será mais velho, mais jovem e coetâneo, tanto em relação a si mesmo quanto a outro (XIX-XX 151e-155e): conclusão inteiramente positiva, pois dele se poderá dar nome e razão, e será possível ter dele opinião e ciência.
  • Terceira hipótese: se o uno é e não é, analisa-se o problema da mudança e do devir, e em particular a natureza do instante (XXI 155e-157b).
  • Quarta hipótese: se o uno é, o que decorre disso para as outras coisas?
    • Se as outras coisas participam do uno que é, da segunda hipótese, participarão também de todas as demais determinações que na segunda hipótese foram vistas como pertencendo ao uno (XXII 157b-159a).
  • Quinta hipótese: se o uno é, o que decorre disso para as outras coisas?
    • Se as outras coisas não participam do uno que é, não participarão tampouco de nenhuma das determinações que na segunda hipótese pertencem ao uno (XXIII 159a-160b).
  • Sexta hipótese: se o uno não é, o não ser é apenas relativo, não excluindo uma multiplicidade de participações.
    • O uno é dessemelhante em relação às outras coisas, mas semelhante a si mesmo; desigual em relação às outras coisas, mas igual a si mesmo; e participa do ser, do movimento, do repouso e do devir (XXIV 160b-163b).
  • Sétima hipótese: se o uno não é, o não ser é absoluto, e então o uno não terá nenhuma determinação; sobre ele não será possível nenhum discurso, nem se poderá ter dele opinião ou ciência (XXV 163b-164b).
  • Oitava hipótese: se o uno não é, o que decorre disso para as outras coisas?
    • Se as outras coisas não participam do uno cuja realidade é negada, todas as determinações que pertencem ao uno que é lhes pertencerão apenas aparentemente; daí a contraditoriedade da multiplicidade pura (XXVI 164b-165d).
  • Nona hipótese: se o uno não é, o que decorre disso para as outras coisas?
    • Se as outras coisas participam do uno cuja realidade é negada, a conclusão é radicalmente negativa (XXVII 165d-166c).
    • Conclusão geral: seja que o uno seja, seja que não seja, tanto ele quanto os outros, em relação a si mesmos e reciprocamente entre si, são tudo e não o são.
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