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Benjamin Jowett

Veja também: Coletânea de excertos da obra completa de Platão, na tradução de Jowett, indexados por termos relevantes

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  • Glaucon, insatisfeito com a refutação indireta de Thrasymakhos, exige uma análise da justiça em si mesma, classificando os bens em três categorias distintas.
    • Existem bens desejáveis por si mesmos, bens desejáveis por si e por seus resultados, e bens desejáveis apenas por suas consequências práticas.
    • Sokrates posiciona a justiça na segunda classe, como algo valioso tanto em sua essência quanto em seus frutos, contrariando a visão comum que a relega à categoria dos bens penosos.
  • A gênese da justiça é descrita por Glaucon como um pacto de conveniência entre os fracos para evitar o sofrimento de danos que não podem revidar.
    • Cometer injustiça é considerado um bem, mas sofrê-la é um mal maior; por experiência, os homens estabelecem leis como um meio-termo para a mútua proteção.
    • A justiça seria apenas a impossibilidade de praticar a injustiça com impunidade, visto que ninguém a escolheria voluntariamente se possuísse poder absoluto.
    • O mito do anel de Gyges ilustra a tese de que, sob o manto da invisibilidade, tanto o justo quanto o injusto agiriam de forma idêntica em proveito próprio.
  • O contraste entre o injusto perfeito e o justo caluniado serve para radicalizar a investigação sobre qual vida é efetivamente mais feliz.
    • O injusto ideal possui a perícia de ocultar seus crimes, angariando riqueza, honras e o favor dos deuses através de sacrifícios suntuosos financiados pelo erro.
    • O justo ideal é despojado de reputação e recompensas, sendo submetido ao suplício, ao cárcere e à execução, para que se prove se a justiça subsiste sem benefícios externos.
    • O justo será fustigado, torturado, agrilhoado, terá os olhos vazados e, por fim, será empalado.
  • Adeimantos complementa a argumentação demonstrando que a educação tradicional incentiva a justiça não por seu valor intrínseco, mas pela busca de prestígio e favores divinos.
    • Pais e mestres utilizam a reputação como incentivo à virtude, enquanto poetas como Homer e Hesiod prometem prosperidade material aos justos.
    • Relatos atribuídos a Musaeus e Eumolpos descrevem um banquete eterno dos santos no Hades, onde a recompensa da virtude é uma embriaguez imortal.
    • Profetas mendicantes, baseando-se em livros de Orpheus, oferecem purificações e ritos que supostamente absolvem crimes e garantem a felicidade após a morte.
  • A construção teórica da cidade ideal parte da necessidade mútua e da divisão do trabalho para prover as demandas fundamentais da existência humana.
    • O Estado surge da impossibilidade de autossuficiência individual, exigindo inicialmente lavradores, construtores, tecelões e sapateiros.
    • A especialização funcional é estabelecida como princípio: cada homem deve exercer a tarefa para a qual possui aptidão natural, otimizando a produção e o tempo.
    • O crescimento da comunidade demanda a inclusão de pastores, ferreiros, comerciantes, marinheiros e mercadores para suprir o mercado e as trocas externas.
  • A transição da cidade primitiva e saudável para a cidade luxuosa introduz a guerra e a necessidade de uma classe especializada de guardiões.
    • Glaucon rejeita a cidade de hábitos rústicos, denominando-a cidade de porcos por carecer dos refinamentos e confortos da civilização.
    • A introdução de artes, luxos e excessos provoca a escassez de terras e o conflito com vizinhos, originando a instituição do exército permanente.
    • Os guardiões devem possuir uma natureza híbrida: ferozes contra os inimigos externos e gentis para com os concidadãos, assemelhando-se à disposição de cães de guarda nobres.
  • A educação dos guardiões exige uma censura rigorosa sobre a literatura e os mitos, visando a formação de um caráter piedoso e estável.
    • A música e a ginástica compõem o currículo tradicional, mas Sokrates prescreve a purgação das fábulas imorais que atribuem crimes e transformações aos deuses.
    • Estabelece-se que a Divindade é autora apenas do bem e que sua natureza é absolutamente imutável, rejeitando as representações poéticas de Aeschylus e outros.
    • O erro involuntário ou a mentira na alma é considerado o maior dos males, pois representa a corrupção da faculdade racional diante da realidade suprema.
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