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Benjamin Jowett
Veja também: Coletânea de excertos da obra completa de Platão, na tradução de Jowett, indexados por termos relevantes
Introdução (resumo)
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O poder dramático dos diálogos de Platão parece diminuir à medida que o interesse metafísico aumenta, e no Sofista e no Político não há descrições de tempo, lugar ou pessoas, mergulhando-se diretamente em discussões filosóficas.
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As sofismas da época estavam minando a filosofia, e a negação da existência do Não-ser e da conexão das ideias tornava a verdade e a falsidade igualmente impossíveis.
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Embora se diga que Platão teria escrito de forma diferente se conhecesse o Organon de Aristóteles, pergunta-se se o Organon poderia ter sido escrito sem que o Sofista e o Político o tivessem precedido.
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A multidão de falácias que surgiu na infância da ciência mental não foi dissipada por Aristóteles, mas por Sócrates e Platão.
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Os gêneros supremos do pensamento, a natureza da proposição, da definição, da generalização, da síntese e da análise, da divisão e da divisão cruzada são claramente descritos, e os processos de indução e dedução são constantemente empregados nos diálogos de Platão.
Há pouca coisa digna de nota nas personagens do Sofista, sendo o ponto mais perceptível o afastamento final de Sócrates do campo de argumentação e sua substituição por um estrangeiro eleata.-
O estrangeiro eleata é descrito como um pupilo de Parmênides e Zenão, que teria descido de um mundo superior para convencer o círculo socrático do erro.
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Assim como no Timeu, Platão parece indicar, pelo afastamento de Sócrates, que está ultrapassando os limites de seu ensino, e no Sofista e no Político, assim como no Parmênides, provavelmente quer dizer que está se aproximando mais das escolas de Eleia e Mégara.
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O personagem do estrangeiro eleata é incolor, sendo até certo ponto o reflexo de seu pai e mestre, Parmênides.
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Teeteto não se distingue pelos traços notáveis que lhe são atribuídos no diálogo anterior, não estando mais sob o feitiço de Sócrates ou sujeito à operação de sua parteira.
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Ao longo dos dois diálogos, Sócrates permanece um ouvinte silencioso, sem oferecer qualquer crítica às visões propostas por outro.
O estilo do Sofista, embora careça de poder dramático, é muito claro e preciso, com vários toques de humor e sátira.-
Passagens características incluem a descrição dos materialistas como gigantes nascidos da terra que agarravam carvalhos e rochas em suas mãos, e a igualmente humorística delineação dos amigos das ideias, que se defendem de uma fortaleza no mundo invisível.
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Apesar do declínio do estilo, todas essas passagens retêm a impressão do grande mestre da linguagem, embora a graça equitativamente difusa tenha desaparecido, dando lugar à cadência monótona rítmica das Leis.
O Sofista, como o Fedro, tem um caráter duplo, unindo duas investigações que estão apenas de maneira forçada conectadas entre si: a busca pelo Sofista e a investigação sobre a natureza do Não-ser.-
O Não-ser é o buraco ou divisão da rede dialética na qual o Sofista se escondeu, sendo ele a personificação imaginária da opinião falsa, embora negue a possibilidade da opinião falsa, pois a falsidade é aquilo que não é e, portanto, não tem existência.
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Reconhecendo que há uma comunhão de gêneros com gêneros, e não apenas um Ser ou Bem com nomes diferentes, ou várias ideias isoladas ou classes incapazes de comunhão, descobre-se que o Não-ser é o outro do Ser.
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Transferindo isso para a linguagem e o pensamento, não há dificuldade em compreender que uma proposição pode ser falsa assim como verdadeira, e o Sofista, retirado do abrigo que os paradoxos cínicos e megáricos lhe proporcionaram, é provado ser um dissimulador e um malabarista com palavras.
O Sofista em Platão é o mestre da arte da ilusão, o charlatão, o estrangeiro, o príncipe dos esprits-faux, o mercenário que não é um professor e que, de qualquer ponto de vista que se o considere, é o oposto do verdadeiro professor.-
Ele é o maligno, o representante ideal de tudo o que Platão mais detestava nas tendências morais e intelectuais de sua própria época, o adversário do quase igualmente ideal Sócrates.
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Não se deve supor que Platão pretendesse com tal descrição retratar Protágoras ou Górgias, mas sim um ser tão imaginário quanto o homem sábio dos estoicos.
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Um tom mais suave é adotado em relação aos sofistas em uma passagem conhecida da República, onde eles são descritos como seguidores, e não líderes, do resto da humanidade, e Platão ridiculariza a noção de que quaisquer indivíduos possam corromper a juventude em um grau digno de menção em comparação com a maior influência da opinião pública.
Nos últimos anos, os sofistas encontraram um defensor entusiasta no ilustre historiador da Grécia, que sustenta que o termo sofista não é o nome de uma classe particular, que o sentido negativo foi impresso na palavra pelo gênio de Platão, e que os principais sofistas não eram corruptores da juventude, mas pessoas honrosas e estimáveis.-
Em relação ao significado da palavra, muitos termos são usados tanto em um sentido geral quanto em um específico, e o termo sofista é um daqueles cujo significado foi contraído e ampliado, sendo usado em um sentido neutro para um inventor em Heródoto e nos trágicos.
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A questão real não é se a palavra tem todos esses sentidos, mas se há também um sentido negativo específico no qual o termo é aplicado a certos contemporâneos de Sócrates, e a resposta é que, se alguma vez o termo é aplicado a Sócrates e Platão, ou a aplicação é feita por um inimigo por mero despeito, ou o sentido em que é usado é neutro.
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O uso do termo sofista nos diálogos de Platão também mostra que o sentido negativo não foi cunhado por seu gênio, mas já estava em circulação, como evidenciado pelas palavras de Protágoras e do jovem Hipócrates no Protágoras.
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Não há fundamento para duvidar de que os principais sofistas fossem homens bons e honrados, e a noção de que eles eram corruptores da juventude ateniense não tem base real, surgindo em parte do uso do termo sofista nos tempos modernos.
O Sofista, no diálogo que leva seu nome, é exibido em muitas luzes diferentes, aparecendo e reaparecendo em uma variedade de formas.-
Há uma certa falta da arte platônica superior no estrangeiro eleata extraindo seu verdadeiro caráter por um processo laborioso de investigação, mas Platão não podia abandonar completamente seu método socrático.
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Cada passo na genealogia do pescador com anzol sugere alguma reflexão injuriosa sobre o Sofista, que é um caçador de presas vivas, próximo de tiranos e ladrões, e primo do parasita e do bajulador.
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Sua característica mais distintiva é que ele é um disputante que discute sobre um argumento, separando-se do falador vaidoso e impertinente na vida privada, que perde dinheiro, enquanto ele o ganha.
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Sua arte também pode cair sob outra divisão geral, a purificação, da qual é descendente a educação, cujo novo princípio é interrogar os homens à maneira de Sócrates, fazendo-os ensinar a si mesmos.
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No geral, detecta-se no Sofista uma espécie de natureza híbrida ou dupla, combinando o professor de virtude com o erístico, sendo ainda a antítese de Sócrates e do verdadeiro professor.
O método da abscissio infiniti pelo qual o Sofista é capturado levanta a questão de saber se é um processo lógico real e valioso.-
A ciência moderna sente que isso, como outros processos da lógica formal, apresenta uma concepção muito inadequada do procedimento complexo real da mente.
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O próprio Platão parece estar ciente de que a mera divisão é uma arma insegura e incerta, quando diz que se deve dividir pelo meio para ter mais chance de atingir as espécies, e que se deve incluir todos os princípios médios intervenientes até chegar à espécie ínfima.
O enigma sobre o Não-ser parece ser uma das dificuldades mais irreais da filosofia antiga, e a resposta para essa e quase todas as outras dificuldades da filosofia grega antiga deve ser buscada na história das ideias.-
A descoberta das abstrações foi a grande fonte de todo o aperfeiçoamento mental nas épocas posteriores, mas cada uma das abstrações tornou-se, por sua vez, a tirana da mente.
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Isso é especialmente verdadeiro para a filosofia eleática: enquanto a absolutidade do Ser era afirmada em todas as formas de linguagem, o mundo sensível e todos os fenômenos da experiência eram compreendidos sob o Não-ser.
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Uma consequência imprevista começou a surgir: se a multiplicidade não existia, se todas as coisas eram nomes do Uno e nada podia ser predicado de qualquer outra coisa, como a verdade poderia ser distinguida da falsidade?
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A força da ilusão parece estar na alternativa: se uma vez se admite a existência do Ser e do Não-ser como duas esferas que se excluem mutuamente, nenhum Ser ou realidade pode ser atribuído ao Não-ser e, portanto, não à falsidade.
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O erro é uma confusão de falsidade e negação, da qual o próprio Platão não está inteiramente livre, e a maior importância que ele atribui a essa falácia, em comparação com outras, deve-se à influência que a filosofia eleática exerceu sobre ele.
A teoria proposta é que o Não-ser é relação, o outro do Ser, e tem tantas espécies quantas são as diferenças no Ser.-
Deve-se observar, primeiro, que Platão não identifica Ser com Não-ser; segundo, ele perdeu de vista o outro sentido de Não-ser como o negativo do Ser; terceiro, ele parece confundir falsidade com negação.
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É necessário traçar a maneira como Platão chegou à sua concepção de Não-ser, que envolve a ideia de mente, que se torna cada vez mais proeminente nos diálogos posteriores e que é realmente irreconciliável com o panteísmo abstrato dos eleatas.
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A resposta à dificuldade sobre o Ser pode ser igualmente a resposta à dificuldade sobre o Não-ser: nessas e em todas as outras determinações de qualquer noção, atribui-se a ela o Não-ser.
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O Não-ser é uma espécie de Ser e, em certo sentido, coextensivo com o Ser, havendo tantas divisões do Não-ser quantas do Ser.
Pode-se duvidar se essa explicação do negativo é realmente a verdadeira, pois os lógicos comuns diriam que os não-justos, não-belos não são realmente classes, mas estão fundidos em uma grande classe do infinito ou negativo.-
A concepção de Platão parece ser mais correta do que essa, pois a palavra não não aniquila totalmente o significado positivo da palavra justo.
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A lógica comum também é ciumenta da explicação da negação como relação, porque parece eliminar o princípio da contradição, mas não há inconsistência real entre a explicação platônica do negativo e esse princípio.
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Platão restringe a concepção de Não-ser à diferença, o que é certamente inteligível, mas inútil, pois referir um sujeito a uma classe negativa não tem sentido, a menos que o não seja uma mera modificação do positivo.
Os diálogos posteriores de Platão contêm muitas referências à filosofia contemporânea, e tanto no Teeteto quanto no Sofista ele reconhece que está no meio de uma refrega, com uma enorme batalha irregular ao seu redor.-
Há as duas grandes filosofias que remontam à cosmogonia e à poesia: a filosofia de Heráclito e a dos eleatas.
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Seus principais oponentes são, primeiro, os erísticos ou megáricos; segundo, os materialistas.
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O retrato que ele dá de ambas as últimas escolas é indistinto, e ele parece relutante em mencionar os nomes de seus mestres, sendo difícil determinar quanto é atribuído aos cínicos e quanto aos megáricos.
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A esses erísticos, sejam cínicos ou megáricos, Platão atribui várias características, como perseguir oposições verbais, tornar o raciocínio impossível por sua precisão excessiva no uso da linguagem, negar a predicação, ir da unidade à pluralidade sem passar pelos estágios intermediários, recusar-se a atribuir movimento ou poder ao Ser e serem inimigos do sentido.
O Sofista é a sequência do Teeteto e está conectado ao Parmênides por uma alusão direta.-
No Teeteto, buscou-se descobrir a natureza do conhecimento e da opinião falsa, mas a natureza da opinião falsa parecia impenetrável, pois não se podia entender como poderia haver qualquer realidade no Não-ser.
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No Sofista, a questão é retomada, a natureza do Não-ser é detectada e não há mais nenhum impedimento metafísico para admitir a possibilidade da falsidade.
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Em relação ao Parmênides, o Sofista está em uma relação menos definida e mais remota: lá, o pensamento humano está em processo de desorganização; aqui, as mesmas contradições são perseguidas até certo ponto, mas apenas com vistas à sua resolução.
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O objetivo do diálogo é mostrar como os poucos conceitos elementares da mente humana admitem uma conexão natural no pensamento e na fala, que a sofística megárica ou outra tenta em vão negar.
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