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Assim falou... Calicles !

Da vontade de poder (Justificativa sofista — e nietzschiana — da força, considerada como “natureza”…).

— Calicles: O que você entende por ter autoridade sobre si mesmo?

— Sócrates: Não entendo nada de complicado, mas algo como essa autoridade sobre os próprios prazeres e paixões, que, aos olhos da multidão, caracteriza um homem sábio com autocontrole.

— Calicles: Como eu gosto de você, Sócrates! Esses sábios de que você fala são uns idiotas!

— Sócrates: Como assim, não seriam eles? Não haveria ninguém que não reconhecesse que estou falando de idiotas!

— Calicles: Sim! Ninguém, Sócrates, absolutamente ninguém! Pois como alguém poderia ser feliz sendo escravo de alguém? Mas o que é belo e justo por natureza, é o que tenho a franqueza de lhe dizer agora: aquele que quer viver sua vida de forma correta deve, por um lado, deixar que suas paixões sejam as maiores possíveis, e não mutilá-las; ser capaz, por outro lado, de colocar a serviço dessas paixões, que são tão grandes quanto possível, as forças de sua energia e inteligência; em suma, dar a cada desejo que lhe vier a plenitude das satisfações.

Mas isso, penso eu, não é possível para a maioria dos homens. É por isso que eles criticam as pessoas desse tipo. A vergonha os leva a dissimular sua própria impotência. Dizem, então, que a licença é uma coisa feia, reduzindo à escravidão, como eu disse anteriormente, os homens que, por natureza, valem mais e, impotentes para proporcionar plena satisfação aos seus prazeres, elogiam a sábia moderação e a justiça: efeito de sua falta de virilidade!

… essas belas aparências e convenções humanas que estão em oposição à natureza não passam de verborragia e não têm nenhum valor!

Platão, Górgias, 491d-492d

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