platao:varia:os-filosofos

Os filósofos: belos oradores? ... ou verdadeiros pensadores?

— Sócrates: A poesia é, portanto, uma eloquência pública?

— Calicles: Evidentemente!

— Sócrates: Seria, portanto, uma eloquência pública pertencente à arte oratória; não é uma obra de oradores que os poetas, na sua opinião, fazem nos teatros?

— Calicles: É bem essa a minha opinião.

— Sócrates: Descobrimos, portanto, uma arte oratória que se dirige a um público capaz de compreender, ao mesmo tempo, crianças, mulheres, homens, escravos e homens livres: uma arte oratória que não gostamos muito, pois, afirmamos, é uma espécie de bajulação.

— Calicles: Sim, absolutamente.

— Sócrates: Bem! E essa arte oratória que se dirige ao povo de Atenas e aos outros, aos de outras cidades, povos de homens livres, o que ela pode ser aos nossos olhos? Na sua opinião, os oradores falam em todos os casos levando em conta o que é melhor, propondo-se como objetivo tornar, graças aos seus discursos, os cidadãos os melhores possíveis? Ou será que eles também, procurando “agradar aos cidadãos, levados pela preocupação com seus interesses pessoais a não se importarem com o interesse comum, tratam o povo da mesma forma que tratariam crianças, esforçando-se apenas para agradá-lo, sem se preocupar em saber se, com esse método, o tornarão realmente melhor ou pior?”

— Calicles: Não é uma pergunta simples que você me faz: há, de fato, entre os oradores, aqueles que, ao dizer o que dizem, se preocupam com seus concidadãos, e há outros que são como você os descreve.

Platão, Gorgias, 502d.

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