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Fisiologia
BRUN, Jean. Empédocle. Paris: Seghers, 1966.
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A fisiologia de Empédocles não é apenas uma descrição das estruturas anatômicas, mas também o primeiro passo de uma teoria do conhecimento e uma expressão importante da luta que preside as relações de todas as coisas.
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O termo “símbolo”, utilizado por Aristóteles para designar a união do macho e da fêmea, é um signo de reconhecimento composto de duas partes complementares que reconstituem uma unidade primitiva.
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O produto gerado não vem totalmente nem do pai nem da mãe, mas da união de ambos, e a unidade perdida é a esfera encarnada no abraço, a dualidade suprimida no Uno que se cinde novamente.
A terra mãe se une com os outros elementos (Hefesto, o úmido e o éter) para constituir o sangue e as outras espécies de carne, e a formação dos ossos brancos envolve duas partes da brilhante Néstis e quatro de Hefaístos.-
O ovo possui em si mesmo as duas sexualidades em potência, e a orientação do ovo na matriz (parte mais quente para machos, mais fria para fêmeas) decide a orientação sexual.
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Se a semente paterna é mais quente e a materna mais fria, nasce um garoto com rosto parecido com o da mãe; se a semente da mãe é mais quente e a do pai mais fria, nasce uma menina parecida com o pai.
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A conformação do feto durante a gestão está submetida à imaginação da mãe, que pode ter filhos parecidos com estátuas ou quadros pelos quais se apaixonou.
A função da respiração está ligada ao movimento do sangue, que, ao se portar à superfície do corpo, expulsa o ar pelas narinas (expiração) e depois o ar entra (inspiração).-
A comparação com a clepsidra explica a respiração: quando o sangue leve se retira, o ar borbulhante se precipita; quando o sangue sobe novamente, há uma expiração de ar.
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A respiração cutânea e traqueal expressa a compenetração do interior e do exterior, e os primeiros fremitos da vida individual estão entregues a uma luta entre o ar e o sangue.
O princípio fundamental da sensibilidade e do conhecimento em Empédocles é que “o semelhante conhece o semelhante”, sendo uma ideia aparentemente oposta à de Heráclito, mas que terá importância crucial para alquimistas, românticos e a Naturphilosophie.-
O ferro é atraído pelo ímã porque ambos emitem eflúvios e os poros do ímã correspondem aos eflúvios do ferro.
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A fórmula “o semelhante deseja o semelhante” é ilustrada pela anedota de uma cadela que ia se deitar sobre uma imagem de cadela de terracota porque a imagem se parecia enormemente com ela.
A atração do semelhante pelo semelhante não deve ser confundida com o Amor que une o dissemelhante ao dissemelhante, sendo aquela o que permite que um resto de unidade primitiva se oponha à Contenda que dissocia todas as coisas.-
No Sphairos primitivo, o Amor mantém a coesão dos quatro elementos imutáveis unidos apesar de sua disparidade essencial.
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Quando a Contenda prevalece, ela divide e impede a atração dos dissemelhantes, separando as raízes e tornando-as umas ao lado das outras.
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É uma astúcia da própria Contenda utilizar a atração do semelhante para unir toda a terra, toda a água, todo o ar e todo o fogo do mundo em quatro massas esféricas concêntricas, triunfando pela própria vitória.
A teoria da percepção é comandada pela ideia de que o semelhante é atraído pelo semelhante, utilizando a teoria dos poros e das emanações (eflúvios) que são partículas invisíveis que se desprendem dos corpos.-
Os poros de cada sentido têm calibres diferentes, e a sensação nasce quando os eflúvios apropriados penetram nos poros, obedecendo ao princípio de que o semelhante conhece o semelhante.
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O doce se apodera do doce, o amargo se precipita sobre o amargo, o ácido vai para o ácido e o quente se une ao quente.
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Vê-se a terra pela terra, a água pela água, o ar divino pelo ar e o fogo destruidor pelo fogo, e a afeição pela afeição e a Contenda pela Contenda funesta.
Na teoria da visão, o interior do olho é de fogo, com água, terra e ar ao redor, através dos quais o fogo pode passar, e os poros do fogo e da água são dispostos alternadamente.-
Os olhos não são todos compostos da mesma maneira: os que têm menos fogo veem durante o dia (pois o fogo interior é completado pelo exterior) e os que têm menos água veem durante a noite.
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A visão nasce do encontro do fogo que está no interior do olho com aquele que está na natureza, e o homem vê quando o fogo que ele carrega em si se une ao do universo.
A audição é produzida pelo som exterior quando o ar, movido pela voz, ressoa no interior da orelha, que funciona como uma espécie de sino que ressoa.-
A audição nasce do choque do sopro sobre o cartilagem que está suspenso no interior da orelha como o badalo de um sino.
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Quando o homem ouve, ele se coloca em uníssono com as vibrações do ar exterior, e o ar interior tende para o ar exterior.
O odorato está ligado à respiração, e o cão de caça segue o rastro de um animal buscando as partículas que a caça deixou para trás como ser vivente.-
A sensação do olfato ocorre quando as partículas carregadas pelos eflúvios encontram partículas semelhantes no interior do corpo.
A percepção une o homem ao universo por meio de uma comaturalidade, onde ele se adiciona ao que não é, graças à afinidade entre os elementos que o compõem e os que pertencem ao que ele percebe.-
O prazer é proporcionado ao semelhante pelo semelhante na adição do que lhe falta, e o desejo do semelhante nasce naquele que sente uma falta.
A sensação e a pensamento são funções extremamente vizinhas, ligadas à mistura dos elementos e à atração do semelhante, sendo o sangue o local onde os elementos estão mais misturados no corpo.-
O coração, nutrido nos fluxos do sangue que corre em duas direções opostas, é o lugar onde se encontra principalmente o que os homens chamam de Pensamento.
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O sangue que envolve o coração é a pensamento na espécie humana.
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Os que têm a mistura igual e nem com intervalos muito grandes, nem muito pequenos, nem muito grandes são os mais inteligentes; os que têm uma mistura média em alguma parte do corpo serão hábeis naquilo (oradores, artesãos).
A teoria do ciclo dos elementos unidos e dissociados pelo Amor e pela Contenda se duplica de considerações sobre a metempsicose, permitindo que uma teologia e uma sabedoria se articulem à fisiologia.pre-socraticos/empedocles/brun/fisiologia.txt · Last modified: by 127.0.0.1
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