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TP12-1 Inteligência humana informada pela inteligência divina

  • Doutrina platônica dos cinco elementos e a ascensão dialética ao conhecimento do círculo
    • Investigação sistemática da ciência de todas as coisas através da coordenação necessária entre o nome, a definição verbal, a imagem material e a fórmula intelectual, elementos que servem de prelúdio para a intuição da ideia divina.
    • Função da fórmula inata na alma humana como caráter mediador que, despertado pela insuficiência do círculo material e das imagens imperfeitas, dirige a ponta da inteligência em direção à ideia eterna residente na mente de Deus.
    • Teoria da reversibilidade das formas onde a alma superior atua como ponte, convertendo percepções temporais e mutáveis em conceitos universais que participam da eternidade essencial, variando apenas em seu modo de existência entre o hábito e o ato.
  • Metafísica da iluminação e a cooperação entre o intelecto humano e o agente divino
    • Analogia entre a informação da matéria pela natureza e a iluminação da inteligência pela luz divina, caracterizando o ato de compreender como o processo de ser informado diariamente por ideias que Deus outrora marcou na essência anímica.
    • Confronto e síntese entre o platonismo e as tradições árabes de Avicena e Algazel sobre a submissão da matéria intelectual a uma inteligência separada, onde o recordar define-se como a facilidade de conversão da vontade em direção à fonte divina da verdade.
    • Papel da luz facial de Deus como condição de possibilidade para a visão intelectual, agindo sobre a fórmula inata como o fogo age sobre o combustível ou como o sol torna o ar sereno e diáfano para a visão.
  • Provas da imutabilidade e pureza das ideias como fundamentos da ciência verdadeira
    • Crítica à variabilidade dos signos linguísticos, das definições compostas e das imagens físicas destrutíveis, postulando a necessidade de uma ideia imutável para garantir a estabilidade do conhecimento universal e necessário.
    • Demonstração da impureza das representações fantásticas, que mesclam a linha curva com a reta, exigindo o recurso a modelos espirituais puros que transcendem a qualidade sensível para alcançar a substância inteligível.
    • Argumentação teológica sobre a verdade como conformidade entre a inteligência e a causa primeira, identificando a Razão Divina ou Logos como o fundamento onde as coisas subsistem verdadeiramente e são perfeitamente conhecidas.
  • Fenomenologia da visão espiritual e a união mística pelo intelecto e vontade
    • Percepção das razões absolutas como regras universais e estáveis que permanecem idênticas para todos os seres racionais, situando o intelecto humano em uma posição de apreensão de Deus antes mesmo da apreensão das criaturas.
    • Análise do êxtase intelectual e do prazer inefável que inunda a vontade na contemplação da verdade, interpretando esse gozo como evidência de que a alma atingiu o cume da natureza e uniu-se ao Espírito Divino em um só ato.
    • Comparação entre a luz solar e a verdade divina: assim como o sol confere visibilidade às cores e potência aos olhos, Deus outorga essência aos inteligíveis e ciência às inteligências, unificando o sujeito e o objeto através da claridade da Sabedoria.
  • Tradição da piedade filosófica e o reconhecimento da luz que ilumina todo homem
    • Resgate da linhagem sapiencial de Zoroastro, Hermes Trismegisto, Orfeu e Pitágoras, que uniam indissociavelmente o rigor da investigação racional ao culto religioso e à gratidão pelas iluminações recebidas.
    • Reflexão sobre a onipresença da luz divina na inteligência humana, que embora ilumine todo homem que vem ao mundo, permanece muitas vezes incompreendida por almas entenebrecidas que não reconhecem a origem de sua própria visão.
    • Conclusão sobre a genealogia da sabedoria como emanação direta da mente suprema, simbolizada pelo nascimento de Minerva do cérebro de Júpiter, reforçando que o início e o fim de toda ocupação intelectual devem residir na Divindade que tudo preenche.
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