renascimento:ficino:teologia-platonica:tp2:tp2-2

TP2-2 – Não há vários deuses iguais entre si.

  • Demonstração da impossibilidade de coexistência de múltiplos deuses ou princípios primordiais, fundamentada na análise da subordinação ou igualdade, concluindo que a existência de uma hierarquia entre supostos deuses anularia a divindade do inferior, enquanto a igualdade absoluta exigiria uma identidade total que os reduziria a um só princípio.
    • Análise da composição ontológica em casos de semelhança parcial, onde a presença de uma natureza comum e qualidades distintivas implicaria que nenhum dos princípios seria absolutamente simples ou auto-suficiente, dependendo necessariamente de uma causa superior que tenha conciliado seus elementos dissimilares.
  • Unicidade qualitativa nos gêneros de perfeição absoluta, exemplificada pela pureza da luz e do calor, sustentando que o ápice de qualquer categoria deve ser rigorosamente único e isento de misturas, visto que a presença de elementos estranhos ou multiplicidade de exemplares perfeitos resultaria em uma obscuridade ou diminuição da potência suprema.
  • Argumentação platônica baseada na unidade suprema como fundamento da ordem universal, estabelecendo que toda multiplicidade de indivíduos e espécies deve ser reconduzida a uma unidade particular e, sucessivamente, a um chefe único das espécies, tal como a harmonia de um exército depende da orientação de todos os seus membros em direção a um único comandante.
    • Dedução da natureza de Deus como ordenador único a partir da constância e regularidade observadas no cosmos, refutando a tese do acaso e afirmando que a coordenação de naturezas distintas em um corpo universal coeso só pode emanar de um princípio intelectual uno que dirige todas as partes para um fim comum.
  • Exclusividade da verdade e da bondade suprassensíveis, sob a premissa de que a existência de duas verdades ou bondades supremas geraria uma lacuna de perfeição em cada uma delas, pois o que estaria presente em uma faltaria na outra, descaracterizando o conceito de plenitude e suprema excelência inerente à divindade.
  • Inconsistência lógica na atribuição do poder criativo a múltiplos agentes divinos, ponderando que a capacidade de criar o mesmo universo por dois deuses resultaria em potências inúteis ou supérfluas, enquanto a divisão da criação em metades exigiria um princípio superior que garantisse a convergência das partes para uma finalidade única e harmônica.
  • Desconstrução do dualismo gnóstico e maniqueísta mediante a definição do mal como privação ontológica, argumentando que um suposto princípio soberano do mal, ao ser privado de todo bem, estaria simultaneamente desprovido de ser, vida, conhecimento e operação, tornando sua existência metafisicamente impossível diante da positividade do ato de existir.
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