gnothi seauton

Gobry

gr. gnothi seauton: “Conhece-te a ti mesmo.” Fórmula atribuída pela primeira vez por Antístenes a Tales (DL., I, 40). Segundo Demétrio de Falero, seu autor seria Quílon de Lacedemônia (Müllach, fr. 3). E também encontrada em Pítaco (Sentenças, 16). Sócrates viu-a inscrita no frontispício do templo de Apolo em Delfos (Xenofonte, Mem., IV, II, 24). v. Epicteto (Leituras, I, XVIII, 17).

Sorabji

Volpi

Foucault

Gerson

 


 


  1. Prefiro traduzir aware por ciente e awareness por cientidade, ao invés do comum, consciente e consciência, que considero palavras muito sobrecarregadas atualmente. 

  2. Cf. Pierre Courcelle, Connais-toi toi-même. De Socrate à Saint Bernard, 3 vols., Paris, Études augustiniennes, 1974-1975. 

  3. Johann Wolfgang Goethe, Sprüche, in: Goethes Werke, Hamburger Ausgabe, org. por Erich Trunz, tomo 1.1: Gedichte und Epen, 16.a ed., Munique, 1996, p. 308. 

  4. As aulas de 1981 não incluem desenvolvimentos explícitos sobre o cuidado de si. Em contrapartida, nelas se encontram longas análises sobre as artes de existência e os processos de subjetivação (aulas de 13 de janeiro, de 25 de março e de 1 de abril). De modo geral, entretanto, o curso de 1981 continua, por um lado, a versar exclusivamente sobre o status dos aphrodisia na ética pagã dos dois primeiros séculos de nossa era e, por outro, mantém a ideia de que não se pode falar de subjetividade no mundo grego, quando o elemento ético se deixa determinar como bíos (modo de vida). 

  5. Todos os textos importantes de Cícero, Lucrécio e Sêneca sobre estes problemas de tradução estão reunidos por Carlos Lévy em sequência ao seu artigo: “Du grec au latin”, in Le Discours philosophique, Paris, PUF, 1998, p. 1145-54. 

  6. “Se tudo faço no interesse de minha pessoa é porque o interesse que deposito em minha pessoa tudo precede (si omnia propter curam mei fado, ante omnia est mei cura)”. (Sénèque, Lettres à Lucilius, t. V, livro XIX-XX, carta 121,17, trad. fr. H. Noblot, Paris, Les Belles Lettres, 1945 (mais adiante: referência a esta edição), p. 78). 

  7. Cf. P. Courcelle, Connaîs toi-même, de Socrate à Saint Bernard, Paris, Études augustiniennes, 1974, 3 tomos. 

  8. Épictète, Entretiens, III, 1,18-19, trad. fr. J. Souilhé, Paris, Les Belles Lettres, 1963 (mais adiante: referência a esta edição), p. 8. Cf. a análise deste mesmo texto na aula de 20 de janeiro, segunda hora. 

  9. Para os gregos, Delfos era o centro geográfico do mundo (omphalos: umbigo do mundo), onde se haviam encontrado as duas águias enviadas por Zeus a partir das bordas opostas da circunferência da Terra. Delfos tornou-se um centro religioso importante desde o fim do século VIII a.C. (santuário de Apolo de onde a Pítia emitia oráculos) e assim permaneceu até o fim do século IV d.C., ampliando então sua audiência para todo o mundo romano. 

  10. W. H. Roscher, “Weiteres uber die Bedeutung des E (ggua) zu Delphi und die ubrigen grammata Delphika”, Philologus, 60,1901, p. 81-101. 

  11. Esta é a segunda máxima: “engya, parà d’ate”. Cf. a declaração de Plutarco: “Eu não poderei explicar-te, enquanto não tiver aprendido com estes senhores o que querem dizer seu Nada em demasia, seu Conhece-te a ti mesmo e esta famosa máxima, que impediu tantas pessoas de se casar, que tomou outras tantas desconfiadas, e outras mudas: comprometer-se traz infelicidade (engya, parà d’ate)” (Le Banquet des sept sages, 164b in Oeuvres morales, t. II, trad. fr. J. Defradas, J. Hani & R. Klaerr, Paris, Les Belles Lettres, 1985, p. 236). 

  12. J. Defradas, Les Thèmes de la propagande delphique, Ibris, Klincksieck, 1954, cap. III: “La sagesse delphique”, pp. 268-83.