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(…) Aqui (Enéada III, 5, 9, 53-55) ele contrasta, num certo sentido, o Espírito, que está voltado para si mesmo e é pura forma, e a alma, no seu aspecto de carência e desejo, representada por Penia, que, por não poder encontrar em si mesma o seu próprio bem, deseja “receber” (como Penia recebe Poros, como o próprio Poros embriagado com o néctar que flui do alto, que são os logoi). Aqui, porém, Plotino não está precisamente a contrastar Espírito e alma, mas a propor uma hipótese geral sobre um ser que adotaria sucessivamente a atitude do Espírito e a da alma: se permanecermos voltados para nós mesmos, somos uma forma, mas se, além disso, quisermos “receber”, comportamo-nos como matéria, adotando a atitude de Penia que se vem deitar junto de Poros para receber a semente (os logoi) de Poros. O amor, nascido deste encontro entre forma e matéria, terá sempre a marca deste aspecto da alma, isto é, desta necessidade e deste desejo: participará sempre da natureza da matéria (9, 55-57).

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