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| + | ===== Da diferença das partes. E das faculdades da alma. ===== | ||
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| + | Explicaremos agora a diferença entre uma parte e uma faculdade da alma. Uma parte difere de outra pelas características de seu gênero (ou tipo), enquanto diferentes faculdades podem estar relacionadas a um gênero comum. É por isso que Aristóteles não admitia que a alma contivesse partes, embora reconhecesse que ela continha faculdades. De fato, a introdução de uma nova parte altera a natureza do sujeito, enquanto a diversidade de faculdades não altera sua unidade. Longino não admitia no animal (ou ser vivo) várias partes, mas apenas várias faculdades. A esse respeito, ele seguiu a doutrina de Platão, segundo a qual a alma, em si indivisível, | ||
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| + | Para concluir esta discussão confusa, teremos que estabelecer um princípio de definição que ajude a determinar as diferenças e semelhanças essenciais que existem entre as partes de um mesmo sujeito, entre suas faculdades ou entre suas partes e suas faculdades. Isso revelará claramente se, no organismo, a alma realmente tem várias partes ou apenas várias faculdades, e qual opinião sobre elas deve ser adotada. (Pois há dois tipos especiais delas.) Um atribui ao homem uma única alma, genuinamente composta de várias partes, seja por si mesma, seja em relação ao corpo. O outro vê no homem uma união de várias almas, considerando o homem como um coro, cuja harmonia de partes constitui sua unidade, de modo que encontramos várias partes essencialmente diferentes contribuindo para a formação de um único ser. | ||
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| + | Primeiro, teremos que estudar dentro da alma as diferenças entre a parte, a faculdade e a disposição. Uma parte sempre difere de outra pelo substrato, gênero e função. Uma disposição é uma aptidão especial de alguma parte para realizar a função que lhe foi atribuída pela natureza. Uma faculdade é o hábito de uma disposição, | ||
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| + | Como, então, podemos dizer que uma alma é indivisível, | ||
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| + | Nicolau (de Damasco), em seu livro “Sobre a Alma”, costumava dizer que a divisão da alma não se baseava na quantidade, mas na qualidade, como a divisão de uma arte ou de uma ciência. De fato, quando consideramos uma extensão, vemos que o todo é uma soma de suas partes e que aumenta ou diminui conforme uma parte é adicionada ou subtraída. Agora, não é nesse sentido que atribuímos partes à alma; ela não é a soma de suas partes, porque não é nem uma extensão nem uma multidão. As partes da alma se assemelham às de uma arte. Há, no entanto, esta diferença: uma arte é incompleta ou imperfeita se lhe falta alguma parte, enquanto toda alma é perfeita e todo organismo que não alcançou o objetivo de sua natureza é um ser imperfeito. | ||
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| + | Assim, por partes da alma, Nicolau se refere às diferentes faculdades do organismo. De fato, o organismo e, em geral, o ser animado, pelo simples fato de possuir uma alma, possui várias faculdades, tais como vida, sentimento, movimento, pensamento, desejo, e a causa e o princípio de todas elas é a alma. Aqueles, portanto, que distinguem partes na alma, referem-se às faculdades pelas quais o ser animado pode produzir atualizações ou experimentar afetos. Embora se diga que a alma em si é indivisível, | ||
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| + | Ainda devemos examinar quais são as faculdades que a alma desenvolve por si mesma (inteligência e razão discursiva) e quais a alma desenvolve pelo animal (sensação). Este será o verdadeiro meio de ilustrar a diferença entre essas duas naturezas (“seres”) e a necessidade de reduzir à própria alma as partes de seu “ser” que foram encerradas nas partes do corpo. | ||
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| + | (KSGP IV) | ||
