FRAILE, G. Historia de la Filosofía. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1997.
É uma derivação do ramo siríaco e foi fundada por Edésio de Capadócia († 360), discípulo de Jâmblico. Distinguiu-se pela exageração da tendência mágica e teúrgica, pelo seu esforço para restabelecer o politeísmo pagão, enquadrando os seus deuses no âmbito do neoplatonismo, através da aplicação mais exagerada do método mítico e alegórico, e por ter sido o centro da perseguição contra o cristianismo levada a cabo pelo imperador Juliano.
Pertencem a essa tendência Máximo de Éfeso, mestre de Juliano (351), que comentou as Categorias e foi executado em 372, acusado de magia. Prisco de Molossos, filósofo hierofante, que compôs compêndios das obras de Aristóteles e influenciou muito Juliano. Eusébio de Mindo. Crisâncio de Sardes, notável pela austeridade de sua vida. Foi nomeado por Juliano sumo sacerdote da Lídia. Eunápio de Sardes, discípulo de Crisâncio, que escreveu as vidas dos representantes da escola Libânio de Antioquia (314-11.339), mestre de Juliano, retórico eloquentíssimo, que atacou violentamente os cristãos. Salústio, que compôs uma obra medíocre (Sobre os deuses e o mundo), para defender o politeísmo pagão. A dialética não pode chegar ao conhecimento da natureza dos deuses. É preciso recorrer aos mitos. Existem mitos materiais, físicos, psíquicos, teológicos e mistos. Sabendo utilizá-los, é possível interpretar adequadamente os relatos da mitologia. No topo de todas as coisas está a Unidade suprema, que é o Deus por excelência. Abaixo estão os deuses hipercósmicos: o princípio da essência, o princípio da inteligência e o princípio da vida. Em seguida, vêm os deuses cósmicos, que estão relacionados com o mundo sensível e que são de muitos tipos: deuses criadores, como Júpiter e Netuno; deuses animadores, como Ceres, Juno e Diana; deuses organizadores, como Apolo, Vênus e Mercúrio; deuses conservadores, como Vesta, Palas e Marte. É clara a tentativa de interpretar a mitologia pagã à luz das processões do neoplatonismo.
A charlatanice e a prosopopeia dos neoplatônicos de Pérgamo conquistaram para sua causa Cláudio Flávio Juliano (332-363), sobrinho de Constantino, que durante sua estada em Pérgamo e Éfeso entrou em contato com Prisco e Máximo, que o iniciou nos cultos secretos da teurgia. César em 355, e depois imperador em 361, empreendeu uma violenta perseguição contra os cristãos, de curta duração porque morreu dois anos depois lutando contra os persas. Tentou reviver o helenismo e restaurar o culto dos deuses pagãos. Conservam-se Panegíricos e Elogios. Outros escritos se perderam: Sobre as três figuras do silogismo, Sobre a origem dos males, Mecânica e Saturnais. Restam fragmentos de seu alegato Contra os galileus, refutado por São Cirilo de Alexandria. Juliano passou para a história com o triste título de Apóstata.