Mundo Sensível

The Philosophy of Plotinus

O neoplatonismo lida com relações espirituais e não quantitativas, onde não existem fronteiras rígidas no campo da experiência, sendo o mundo um mapa coberto por linhas de contorno que indicam inclinações graduais, não precipícios.

Corpo, Alma e Espírito são, respectivamente, em seu aspecto objetivo, o mundo percebido pelos sentidos, o mundo interpretado pela mente como uma ordem espacial e temporal, e o mundo espiritual, sendo este último o único mundo completamente real.

A refutação do materialismo por Plotino baseia-se na afirmação de que a Alma não é corpórea, pois a vida não pode ser gerada por uma agregação de partículas sem vida, nem a inteligência pode ser produzida por coisas sem entendimento.

O argumento de que o inferior nunca pode gerar o superior é central, afirmando-se que a explicação de uma coisa deve sempre ser buscada no que está acima dela na escala de valores e existência, não no que está abaixo.

A matéria (hyle) em Plotino não se assemelha à matéria no sentido moderno; não é material, mas uma mera abstração, um nome para o receptáculo vazio das Formas, pura potencialidade sem nenhuma potência.

A matéria é descrita como uma imagem e fantasma da extensão, uma aspiração à existência, invisível em si mesma, fugidia, feita de contradições, um brinquedo fugaz e uma sombra em uma sombra.

Matéria é um termo puramente relativo: a mesma coisa pode ser forma (eidos) em relação ao que está abaixo dela e matéria em relação ao que está acima dela; todo estágio na hierarquia do ser, exceto o mais alto, é hyle, e todo estágio, exceto o mais baixo, é eidos.

A dificuldade em conciliar os julgamentos de existência e de valor é central: a filosofia de Plotino baseia-se na suposição de que as hierarquias de existência e de valor devem, em última análise, corresponder.

A matéria não é sempre falada como pura negatividade; há passagens onde se diz que ela exerce uma influência positiva de tipo sinistro, sendo como um mendigo em um banquete que se intromete onde não tem direito de estar, obscurecendo a luz que brilha sobre a alma.

Há uma “Matéria divina” no mundo espiritual, que compartilha das propriedades da vida espiritual, sendo a própria Alma em um aspecto, e essa Matéria, quando recebe a Forma que a determina, possui uma vida espiritual e determinada.

Plotino sustenta que a Matéria foi criada, embora não no tempo, criada “por necessidade”, mas essa necessidade procede da perfeição eterna de Deus, não de sua suposta imperfeição temporal, e a criação é eterna, nunca tendo havido um tempo em que Deus não estivesse criando.

O mundo dos sentidos (kosmos aisthetos) é uma visão gloriosa, mas confusa e distorcida, das realidades eternas; é um produto necessário da Alma, sem o qual os princípios divinos não seriam cognoscíveis, mas a própria Alma cria o mundo não porque olhou para baixo, mas porque não olhou para baixo.

O mundo sensível é uma criação da Alma Universal, através do meio da Natureza (Physis), que é sua potência motriz, a atividade externa da Alma do Mundo, sem a qual ela estaria fechada em si mesma, muda e inativa.

Todo ser vivo, não apenas o racional, mas também o irracional, e todos os vegetais e a terra que os produz, aspiram à contemplação e visam a este fim, alcançando-o na medida de suas possibilidades.

A Natureza, sendo uma Razão (Logos) que produz enquanto permanece imóvel em si mesma, deve ser ela própria uma contemplação; toda ação é produzida de acordo com uma Razão e, como consequência, difere dela.

O espaço (topos) é a forma fundamental de toda aparência, a forma necessária que resulta da incapacidade da Matéria de receber todas as formas sem dividi-las e separá-las, mas não há espaço vazio, sendo o espaço conceitual, não perceptual.

Uma experiência abrangente não pode apreender o detalhe da existência sob as formas de espaço e tempo, pois o espaço e o tempo perceptuais dependem das imperfeições e limitações que tornam nossa experiência fragmentária e imperfeita.

O tempo é a imagem móvel da eternidade, assemelhando-se a ela tanto quanto possível; a eternidade é a esfera do Espírito, e o tempo é a esfera da Alma.

O tempo não é movimento, nem “aquilo que é movido”, nem o “intervalo do movimento”; é a forma que a Alma cria para si mesma quando deseja reproduzir as ideias eternas como atividades vivas e criativas, sendo “a vida da Alma à medida que ela se move de uma manifestação de vida para outra”.

As distinções de passado e futuro são reais como imagens de diferenças na ordem ou disposição no mundo espiritual, sendo ilusórias a visão de eventos temporais de um ponto imaginário, “o presente”, dentro do processo, e a ideia de que as coisas reais surgem ou perecem.

Plotino acreditava que o universo é eterno, no sentido de que não teve começo temporal nem terá fim temporal, e que a ordem mundial evolui regularmente até o fim de um ciclo astronômico, após o qual todo o processo se repete.

As categorias do mundo espiritual não são aplicáveis ao mundo dos fenômenos, mas, ao mesmo tempo, os dois correm paralelos, de modo que os nomes das categorias espirituais podem ser usados, em um sentido incorreto, para o mundo fenomênico.

Estritamente, há apenas um mundo real – o mundo espiritual ou kosmos noetos. O mundo dos sentidos tem não apenas um valor inferior, mas um grau inferior de realidade.

É necessário que cada princípio dê de si mesmo a outro; o Bem não seria Bem, nem o Espírito seria Espírito, nem a Alma seria Alma, se nada vivesse dependente da primeira vida.