Inge

William Ralph Inge (1860-1954)

The Philosophy of Plotinus

O autor expressa sua visão sobre o misticismo, distinguindo-o de fenômenos patológicos e definindo-o como a jornada da alma em direção à união imediata com Deus, baseada em uma experiência genuína e comum à natureza humana.

A abordagem puramente psicológica do misticismo é considerada inadequada, pois o místico busca a verdade objetiva e última, não estando interessado apenas em seus estados de consciência, mas supremamente em conhecer a Deus.

O autor contrapõe sua visão ao relativismo contemporâneo, afirmando que a filosofia da religião não pode abandonar a questão da realidade última sob pena de perder sua substância e abrir caminho para a superstição.

O misticismo é definido como uma filosofia espiritual que exige a atividade concomitante do pensamento, da vontade e do sentimento, sustentando que esses três elementos apontam para o mesmo objetivo e que o poder que conduz à realidade é acessível a todos, embora poucos o utilizem.

O papel do intelecto na vida espiritual é defendido, citando-se o teólogo Baron Friedrich von Hügel, para quem as virtudes intelectuais fornecem meios adicionais para a vida espiritual mais rica e profunda, e o realismo salva o misticismo dos excessos do emocionalismo descontrolado.

Plotino é apresentado como o representante clássico da filosofia mística, cujo sistema ambicioso unifica religião, ética e metafísica, devendo ser estudado como um guia espiritual e profeta, e não apenas como um pensador.

A natureza não discursiva do conhecimento espiritual mais elevado é afirmada com base na Carta VII de Platão e em Clemente de Alexandria, justificando a reticência encontrada em Plotino, cujas Enéadas são anotações de conferências para um círculo íntimo de discípulos.

O autor declara ter estudado Plotino como uma disciplina moral e intelectual, encontrando nele força e consolo, e se assume como discípulo, em harmonia com as intenções do fundador da cátedra que ocupa, que buscava um conhecimento próprio, não dependente de revelação externa.

A importância histórica do neoplatonismo é enfatizada, pois ele unificou as filosofias gregas anteriores e, após Plotino, sua história continuou dentro da Igreja Cristã, com a teologia cristã tornando-se neoplatônica devido à afinidade incontestável entre o cristianismo europeu e o platonismo.

A influência de Plotino na teologia cristã é considerada imensa, superando a de qualquer outro pensador desde São Paulo, com sua presença sendo constante desde Agostinho até os escolásticos, e a aliança entre platonismo e cristianismo é vista como indissolúvel e necessária para o futuro da filosofia cristã.

O autor lamenta a negligência com que as Enéadas são tratadas nas universidades, onde se assume que nada após os estoicos e epicuristas merece atenção, criando uma lacuna inexistente entre a filosofia helênica e a cristã.

Crítica-se a visão de Harnack e da escola Ritschliana, que encaram o elemento helênico no cristianismo com impaciência e irritação, ignorando a impossibilidade de extrair o platonismo do cristianismo sem despedaçá-lo.

As dificuldades de ler Plotino são reconhecidas, mas o autor assegura que a leitura é recompensada pela elevação do pensamento, honestidade e seriedade do filósofo, lamentando a falta de boas traduções, embora mencione as existentes (Ficino, Thomas Taylor, Bouillet, Müller, e a em andamento por Stephen Mackenna).

Uma revisão da literatura sobre neoplatonismo é fornecida, mencionando obras em francês (Matter, Jules Simon, Vacherot, Chaignet), alemão (Steinhart, Kirchner, Richter, Zeller, Hartmann, Drews, Eucken, Windelband) e inglês (Whittaker, Benn, Bigg), com elogios específicos ao trabalho de Whittaker e críticas a Max Müller e ao americano Fuller.

O autor expressa sua discordância com a interpretação de Edward Caird, que considera ter distorcido Plotino ao esticá-lo em um leito de Procusto hegeliano, ignorando doutrinas essenciais como a da atividade criativa (ενέργεια) e o mundo do Espírito (κόσμος νοητός).

O autor conclui a palestra introdutória citando elogios a Plotino por vários escritores, incluindo Agostinho, Réville, Vacherot, Harnack, Whittaker, Drews, Benn, Eucken e Troeltsch, este último afirmando que a síntese de neoplatonismo e cristianismo dominará novamente o pensamento moderno.

Por fim, o autor expressa a esperança de que o estudo de Plotino ofereça uma mensagem de calma e confiança para os tempos turbulentos, pois sua filosofia afirma que o mal não é a verdade das coisas e que o mundo espiritual é um reino de valores onde nada que tem existência real pode perecer.