Manual

Ilsetraut Hadot. Apprendre à philosopher dans l’Antiquité.

Relação entre os “Diálogos” e o “Manual” de Epicteto

Arrien extraiu dos “Diálogos” o que era mais necessário e mais capaz de emocionar as almas para compor o “Manual”, havendo paralelos estreitos entre alguns capítulos de ambas as obras.

Forma e estilo literário do “Manual”

O “Manual” utiliza frequentemente a forma dialogada dos “Diálogos”, mas o “tu” se dirige a um leitor hipotético e impessoal, ao contrário do “tu” concreto dos diálogos públicos da escola.

Gênero do aforismo e comparação com as “Máximas Capitais” epicuristas

O gênero literário do “Manual” é o do aforismo, que remonta pelo menos a Heráclito no mundo grego, e o livro se assemelha especialmente às “Máximas Capitais” epicuristas.

Sentido e finalidade do “Manual” (Encheiridion)

A palavra “Manual”, tradução do grego “Encheiridion” no sentido etimológico de “o que se tem na mão”, expressa a finalidade da obra: fazer reviver a fórmula eficaz que permita viver conforme o ensinamento de Epicteto.

Método de ensino filosófico por resumos e sentenças

O prólogo da “Carta a Heródoto” de Epicuro define um método constante no ensino da filosofia das diferentes escolas: o discípulo deve primeiro memorizar breves resumos em forma de sentenças muito curtas e depois pode ampliar gradualmente seus conhecimentos, mas deve sempre retornar aos resumos.


O Manual foi dedicado a Messaleno, identificado como C. Ulpio Prostina Messalino, homem de Estado como Arriano, que exerceu funções de cônsul, governador da Numídia e da Mésia Inferior.

A questão do destinatário real do Manual — se iniciantes ou leitores já convertidos à filosofia — é objeto de debate, prevalecendo a hipótese de que a obra se dirige a progressantes já familiarizados com os Diálogos.

O Manual tem a mesma finalidade que os escritos de Marco Aurélio Para si mesmo: permitir ao progressante reanimar em si os dogmas fundamentais do estoicismo e as máximas capazes de orientar sua ação.

Os progressantes a quem o Manual se dirige pertencem à classe dirigente, e o pequeno livro se endereça a aristocratas que se esforçam por praticar a filosofia.

Ao reunir temas desenvolvidos por Epicteto nos Diálogos, Arriano justapôs preceitos destinados a públicos diferentes, o que explica certas incoerências apenas aparentes.

O Manual, de maneira geral, apresenta um Epicteto ligeiramente diferente do que aparece nos Diálogos, tanto por aquilo que acrescenta quanto por aquilo que omite.