Uma das questões é saber se Arriano havia escrito uma Vida de Epicteto distinta das Diatribes, e os argumentos a favor dessa tese são: primeiro, era um costume difundido desde a época helenística fazer preceder a edição das obras de um autor por uma biografia; segundo, detalhes biográficos, mesmo discretos, só se encontram raramente nas Diatribes e, de qualquer forma, não nos ensinam nada sobre a morte de Epicteto, ao passo que
Simplicius diz expressamente que Arriano escreveu sobre a vida e a morte de Epicteto; terceiro, a imagem que Arriano fazia de si mesmo era a de um segundo Xenofonte, tendo procurado imitá-lo até nos títulos, e não pode haver dúvida de que Arriano considerava suas redações das diatribes de Epicteto como uma obra paralela ao livro de Xenofonte sobre Sócrates, intitulado Memoráveis, cujos dois primeiros capítulos davam uma visão da vida de Sócrates; quarto, por razões estilísticas, quando
Simplicius escreve que “sobre a vida e a morte de Epicteto, é Arriano que escreveu”, ele faz implicitamente uma distinção entre a biografia em questão e as diatribes ao introduzir o artigo “aquele que”, e continua insistindo que as informações vêm de Arriano e não das diatribes.