SCOTT, Walter. Hermetica. 1: Introduction, texts and translations. Repr ed. Boston: Shambhala, 1985.
A datação de Estobeu é inferida a partir do último autor por ele citado e de sua omissão de escritos cristãos.
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O último escritor citado por Estobeu é o neoplatoniano
Hierocles, contemporâneo de
Proclo (410-485 d.C.).
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O fato de Estobeu ignorar todos os escritos cristãos torna improvável que ele tenha vivido muito depois de
Hierocles.
Os manuscritos de Estobeu e a transmissão dos excertos herméticos
A separação da antologia de Estobeu em duas partes e a posterior epitomização da primeira parte afetaram a transmissão dos excertos herméticos.
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A designação dos títulos “Eclogas” para uma parte e “Florilégio” para a outra é arbitrária e sem fundamento.
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Os editores mais recentes, Wachsmuth e Hense, rejeitaram corretamente esses títulos.
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Em sua edição, o que antes era chamado de Ecl. de Estobeu é denominado “libri duo priores” da antologia.
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O que antes era chamado de Floril. de Estobeu é denominado “libri duo posteriores” da antologia.
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Após a separação das duas partes, a primeira parte (livros I e II) foi reduzida por um epitomador com preferência por escritos filosóficos.
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O epitomador copiou quase integralmente o livro I, capítulos 1-30.
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Desse ponto em diante até onde seu trabalho pode ser rastreado (até o livro II, capítulo 9), ele omitiu quase todos os excertos, exceto os de
Platão,
Aristóteles, Arquitas,
Porfírio e Hermes.
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A última parte de seu epitome (livro II, capítulos 10-46) está perdida.
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Apenas esse epitome mutilado dos livros I e II chegou até nós nos manuscritos de Estobeu.
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Algumas passagens perdidas foram recuperadas de um gnomológio parcialmente preservado em um códice Laurentianus (século XIV).
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O compilador desse gnomológio usou extensivamente os quatro livros de Estobeu quando ainda estavam completos.
Estobeu parece ter obtido seus escritos herméticos de quatro coleções distintas, totalizando quarenta e dois excertos.
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As fontes de Estobeu para os escritos herméticos foram: uma coleção de “Discursos de Hermes a Tat”, uma de “Discursos de Hermes a Asclepius”, uma de “Discursos de Hermes a Amom” e uma de “Discursos de Hermes a Hórus”.
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O número total de excertos herméticos em sua antologia é quarenta e dois.
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Dez desses excertos são provenientes de livelos preservados no
Corpus Hermeticum (Corp. II, IV e X).
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Um excerto é uma extração do original grego do Asclepius Latino.
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Os trinta e um restantes são fornecidos na presente edição como Excertos I a XXIX.
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Vinte e sete desses excertos, assim como todos os dez extratos de livelos existentes no Corpus, ocorrem no livro I de Estobeu.
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Dois excertos (Exc. I e XVIII) ocorrem no que resta do livro II.
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Há apenas dois extratos herméticos (Exc. II A e XXVII) no livro III e apenas um (o extrato do original do Asclepius Latino) no livro IV.
Fontes manuscritas para os excertos herméticos
Os manuscritos principais para os excertos herméticos são o Farnesinus e o Parisinus para a maioria dos textos, e o Vindobonensis para quatro excertos específicos.
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Dos manuscritos que contêm os restos existentes dos livros I e II de Estobeu, apenas dois precisam ser considerados, pois todos os outros derivam deles.
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Esses dois manuscritos são o códice Farnesinus (F), do século XIV, e o códice Parisinus (P), do século XV.
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F é muito superior aos dois, mas a evidência de P também tem algum valor.
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Há em P numerosas correções feitas por duas ou três mãos posteriores, mas essas correções são conjecturais.
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Os outros quatro extratos herméticos (Excertos I, II A, XXVII e o fragmento do original grego do Asclepius Latino) chegaram até nós nos manuscritos dos livros III e IV de Estobeu.
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O mais antigo e melhor desses é o códice Vindobonensis (S), escrito logo após o ano 1000 d.C.
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A editio princeps dos livros III e IV por Trincavelli reproduz fielmente o texto de um códice Marcianus aparentado de S.
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Há outros dois manuscritos de algum valor, representando um texto de linhagem diferente: o códice Escurialensis (M), de cerca de 1100 d.C., e o códice Parisinus (A), do século XIV.
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Hense também utilizou o códice Laurentianus (L) mencionado anteriormente e outro gnomológio preservado no códice Bruxellensis (Br.).
Edições impressas de Estobeu e o trabalho editorial
As edições impressas de Estobeu culminaram na edição de Wachsmuth e Hense, que é a autoridade para os textos dos excertos herméticos.
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As principais edições impressas dos livros I e II são as de Canter (editio princeps, 1575), Heeren (1792-1801), Gaisford (1850), Meineke (1860-3) e Wachsmuth (1884).
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As principais edições dos livros III e IV são as de Trincavelli (editio princeps, 1535-6), Gesner (1543, 1549, 1559), Gaisford (1822), Meineke (1860-3) e Hense (1894-1912).
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Wachsmuth e Hense investigaram os manuscritos muito mais completamente do que qualquer editor anterior.
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A edição da antologia de Estobeu que produziram por seus trabalhos combinados substitui todas as publicações anteriores do texto.
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Essa edição é a única autoridade para as leituras dos manuscritos nos excertos herméticos.
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A tarefa que Wachsmuth e Hense se propuseram foi restaurar o texto da antologia como escrito por Estobeu.
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A tarefa adicional de emendar o texto mais ou menos corrupto de cada extrato para recuperar o texto original do autor permanece em grande parte por fazer.
Método de reconstituição textual dos excertos herméticos
O método empregado para reconstituir o texto original dos excertos herméticos parte do texto do arquetipo reconstruído e busca primeiro inferir o significado pretendido pelo autor.
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Partindo do texto do arquetipo dos manuscritos de Estobeu, como reconstruído por Wachsmuth e Hense, tentou-se descobrir ou adivinhar, primeiro, quais palavras o autor de cada passagem hermética escreveu e, segundo, o que ele quis dizer com as palavras que escreveu.
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Quando se conclui que uma frase está corrupta, a melhor maneira de lidar com ela é geralmente atacar o segundo desses dois problemas primeiro.
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Deve-se inferir do contexto e de paralelos em outros escritos o que o autor deve ter querido dizer.
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A partir disso, se possível, infere-se quais palavras ele usou para expressar seu significado.
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O sucesso completo é inatingível nesse tipo de empreendimento, mas muito pode ser feito.
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Hense afirmou que seu propósito na edição foi retornar à fidelidade dos manuscritos para que a ordem e o contexto se afastassem o mínimo possível do arquetipo.