Cristandade

OLYMPIODORUS; GRIFFIN, Michael J. Olympiodorus: Life of Plato: and, On Plato First Alcibiades 1-9. London: Bloomsbury Publishing, 2015.

Olimpiodoro adotava um tom conciliatório em relação à “doutrina popular” (sunêtheia) do cristianismo, como se vê em sua estratégia de substituir referências potencialmente ofensivas sem abandonar as posições filosóficas de base.

A acomodação do cristianismo por Olimpiodoro levou Westerink a atribuir-lhe uma “maleabilidade tão extrema que seria mais correto falar em rotina de ensino do que em filosofia”, com o risco de resultar num “platonismo sem dentes” (cf. Wildberg 2005, 321).

Diversas passagens das conferências sobre o Górgias e o Alcibíades ilustram a abordagem “maleável” de Olimpiodoro em relação ao cristianismo.

Como Harold Tarrant assinalou, a “maleabilidade” de Olimpiodoro diante do cristianismo deve ser compreendida à luz de sua filosofia como um todo — pois em todos esses casos o tratamento de nomes e mitos não se restringe a uma resposta ao cristianismo.

Olimpiodoro esforçava-se por construir uma identidade distintiva para o “filósofo”, distinguindo-o tanto da maioria não educada (hoi polloi) quanto dos demais pedagogos e especialistas — poetas, gramáticos e retores — que partilham a meta de aperfeiçoar os jovens.

A linguagem da doutrina cristã é tratada por Olimpiodoro como pertencente ao nível exegético do mito ou da phantasia — não simplesmente falsa, mas referente a fatos reais na alma (psukhê).

A questão de se Olimpiodoro consideraria os “mitos” cristãos poéticos ou filosóficos permanece aberta, embora ele pareça inclinado a tratá-los como aceitáveis ao menos no que concerne à moral.

A impressão de “maleabilidade extrema” em Olimpiodoro decorre de seu modo de acomodar quase toda esfera de conhecimento não filosófico ao nível da “imaginação” — pois só os filósofos genuínos poderiam discordar sobre os fatos, já que os demais especialistas debatem apenas representações dos fatos.