Philosophia Perennis

HLADKÝ, Vojtěch. The philosophy of Gemistos Plethon: Platonism in late Byzantium, between Hellenism and orthodoxy. Farnham: Ashgate, 2014.

Já no início das Leis, as principais intenções por trás da obra central de Plethon são sintetizadas: o livro deve conter “a teologia segundo Zoroastro e Platão”, com os deuses “reconhecidos pela filosofia” chamados pelos nomes gregos tradicionais — mas concebidos de modo “mais em consonância com a filosofia”, não na forma distorcida pelos poetas — e com uma ética em acordo com Platão, Zoroastro e também os estoicos.

No primeiro capítulo das Leis (I,1), Plethon expõe o pano de fundo de sua filosofia: a obra destina-se às leis e à melhor constituição segundo as quais os “homens que pensam (dianoumenoi anthropoi)” podem levar a vida mais feliz possível, tanto na esfera privada quanto na pública — pois todos os seres humanos desejam por natureza viver felizes (eudaimonos bioun), sendo esse o fim supremo (telos) em vista do qual cada um age, embora as opiniões divirjam sobre o que constitui a verdadeira felicidade.

Diante de tantas opiniões divergentes sobre a vida humana, para escolher corretamente entre elas é necessário determinar o que é a melhor vida e em que consiste a felicidade (to eudaimon) — o que, por sua vez, é impossível sem examinar previamente o que são os seres humanos, sua natureza (physis) e sua potencialidade (dynamis), e isso, por sua vez, exige a compreensão prévia da natureza do todo (he ton holon physis), isto é, da realidade.

Quanto à natureza das coisas, as opiniões também divergem amplamente: alguns negam a existência dos deuses; outros a admitem, mas negam sua providência sobre os assuntos humanos; outros afirmam que os deuses exercem providência sobre tudo, subdividindo-se entre os que os consideram causa também do mal e os que os consideram causa apenas do bem — e entre os que acreditam poder persuadi-los (paraitethoi) e os que os consideram imutáveis em seu julgamento (gnome), procedendo segundo o destino (heimarmene) e sempre escolhendo o melhor entre as alternativas possíveis.

Segundo Plethon, todas essas questões estão naturalmente repletas de confusão e controvérsia enquanto não forem examinadas e enquanto não se determinar qual pode ser a base firme da felicidade — e o problema é saber a qual “líderes do raciocínio (hegemones logon)” recorrer, entre os poetas, os sofistas, os legisladores e os filósofos.

Plethon enumera os legítimos “líderes do raciocínio”: em primeiro lugar Zoroastro — o mais antigo dos sábios e legisladores, famoso “expositor do divino e de outras coisas boas” para os medos, os persas e muitos outros povos da Ásia antiga —, seguido por Eumolpo, fundador dos Mistérios Eleusinos em Atenas, Minos (legislador dos cretenses), Licurgo (legislador dos espartanos), Ifito (cofundador com Licurgo dos ritos olímpicos em honra de Zeus) e Numa (legislador dos romanos).

Plethon afirma que todos os pensadores citados concordaram entre si sobre a maioria das coisas, e que suas doutrinas pareciam as melhores a “quem se preocupava com o que é melhor” — declarando concordar com eles sem buscar inovação própria nessas questões antigas, nem aceitar inovações recentes de sofistas, pois os sábios sempre proclamam estar em acordo com os mais antigos e seria errôneo supor que a verdade pode mudar com o tempo.

Para defender a possibilidade da argumentação racional, Plethon refuta no capítulo 3 do livro I — intitulado “Sobre as duas doutrinas de Protágoras e Pirro” — as posições do sofista Protágoras (que afirma que o homem é a medida de todas as coisas e que o que parece a cada indivíduo também existe) e do cético Pirro (que afirma que nada é verdadeiro e o ser humano não pode ser juiz de coisa alguma), considerando ambas as doutrinas, embora opostas entre si, igualmente vãs e presunçosas.

Plethon rejeita igualmente a posição segundo a qual, apesar de sermos capazes de apreender a verdade sobre algo, não seria apropriado para os seres humanos investigar o que é divino — pois os deuses não nos teriam tornado capazes de investigar essas coisas se não quisessem que o fizéssemos, nem teriam nos dado a disposição para aprender algo claro sobre elas.

O pressuposto fundamental do procedimento de Plethon é enunciado em uma passagem central: “Se usarmos, como princípios, as noções dadas pelos deuses em comum a todos os seres humanos, e as adivinhações sobre o divino ao menos à maioria e aos melhores deles, e se estabelecermos esses [princípios] como fixos para nós, e se, sob a orientação dos sábios, procedermos em cada ponto por um raciocínio necessário, não deixaremos — com a ajuda divina — de alcançar o melhor discurso racional sobre cada coisa”: “Leg. 42—4 [I,3—4].”