Componentes principais do corpus traduzido:
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Pimandro: conjunto de escritos anônimos do século II d.C. que narram Criação, numa síntese entre Gênesis e
Timeu platônico.
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Asclepio: texto atribuído a Apuleio, descrevendo poderes mágico-teúrgicos de certos homens sobre matéria, incluindo capacidade de animar estátuas de deuses, de “criar deuses” ativos.
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Oráculos Caldeus: breviário anônimo helenístico composto de sentenças obscuras, comunicadas pelo pai dos deuses, Zoroastro.
Grande preocupação de Ficino foi harmonizar platonismo com cristianismo, ou Platão com São Paulo.
Diferença fundamental em relação à estratégia dos Padres da Igreja: Ficino não buscava destacar superioridade do cristianismo, mas a de Platão.
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Tese ficiniana: ensinamentos de
Platão eram tão válidos e seus comentários tão lúcidos que coincidiam com escritos cristãos e os superavam.
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Conclusão inversa: escritos cristianos tinham sentido porque refletiam conteúdo platônico.
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Posição ambígua de
Ficino: sendo teólogo e membro do cabido da catedral de Florencia, comentarista das Epístolas de São Paulo e autor de obra
De Christiana Religione, afirmava primazia absoluta de Moisés sobre
Platão, Hermes e Orfeu, mas acreditava também em superioridade relativa de
Platão sobre São Paulo.
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Interesse central: destacar existência de um Deus único que, em sua infinita bondade, comunicava-se com homens através de múltiplos mediadores, como Hermes, Orfeu, Zoroastro,
Platão ou São Paulo.
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Princípio da verdade única: todos escritos verdadeiros dizem essencialmente o mesmo, pois refletem encontro íntimo entre poeta-teólogo e Deus.
Doutrina platônica original sobre contato entre alma e Deus.
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Mecanismo do contato: alma entra em contato com Deus de maneira quase instintiva.
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Processo de despertar: alma desperta de letargo terrestre pelo súbito recordatio da beleza divina, refletida na beleza da natureza.
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Consequência emocional: inflama-se de desejo e anseia sair do corpo em que está prisioneira.
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Obstáculo à libertação: peso dos desejos terrenos imediatos pode sobrepujar promessa de felicidade futura, impedindo fuga da alma.
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Papel de Deus e da alma: nesta visão platônica estrita, tanto Deus quanto alma têm papel limitado neste retorno necessário.
Posição dos Padres da Igreja em contraste com platonismo.
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Condição para reencontro: reencontro só é possível graças a ato caritativo de um Deus condescendente.
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Estado da alma: alma, por si só, não está preparada para tal reencontro.
Síntese original de Ficino, divergente de Platão, Padres da Igreja e Plotino.
Trajetória intelectual: inicialmente seguiu escritos de Platão passo a passo, mas logo desmarcou-se à luz dos escritos herméticos.
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Rejeição da predestinação platônica: alma não está predestinada a voltar a contemplar rosto de Deus.
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Rejeição do monergismo neoplatônico/cristão: Deus não é causa única do retorno.
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Formulação sinérgica: graça divina é condição necessária, mas vontade humana é especialmente requerida.
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Papel ativo de certos homens: homens predispostos por Deus intervêm ativamente em sua própria salvação.
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Identificação desses agentes: tais homens são os artistas.
Esta nova concepção sobre relações entre alma e Deus reflete-se correspondentemente na doutrina do furor divino.