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Perenidade do Platonismo

BRUN, Jean. Platão. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1985.

Conquanto a Akademia tenha desaparecido como escola, a filosofia de Platão permaneceu viva ao longo de toda a Antiguidade e do Renascimento, sem olvidar, naturalmente, os tempos modernos.

A filosofia de Platão ressurge, todavia consideravelmente transformada, no neoplatonismo dos alexandrinos, em Filão de Alexandria e em Plotino. Esta exercerá uma influência sobremaneira vasta sobre numerosos escritores cristãos do início da era cristã, tais como Santo Agostinho, Clemente de Alexandria, Orígenes, Eusébio e Teodoreto, que estudam ou utilizam Platão.

É certo que, durante a Idade Média, a influência do aristotelismo parece prevalecer sobre a do platonismo, mas o pensamento de Platão permanece perenemente vivo e se encontra inclusive nas obras dos filósofos bizantinos, árabes e iranianos.

Todos os esquemas históricos que intentam acompanhar as diferentes direções pelas quais o pensamento de um filósofo se perpetuou são, necessariamente, simplificadores de forma dogmática; pode-se, no entanto, afirmar que o platonismo e o neoplatonismo cristãos, após terem encontrado uma expressão significativa nas obras do Pseudo-Dionísio, o Areopagita, reaparecem ao menos em dois pontos distintos da Europa. Em primeiro lugar, entre os denominados místicos renanos do século XIV: Mestre Eckhart, Tauler, Suso, o flamengo Ruysbroeck, o Admirável, e ulteriormente, no século XV, em Nicolau de Cusa. Em seguida, no Renascimento, na Itália, onde se assiste a um verdadeiro renascimento dos estudos platônicos. Em Florença, Marsílio Ficino traduz Platão e Plotino para o latim e os adapta ao cristianismo. Toda uma corrente platônica e neoplatônica se desenvolve com Telesio, Pico della Mirandola, contemporâneo de Ficino, e posteriormente com Giordano Bruno e Campanella.

É igualmente imperativo não olvidar as relações do platonismo com a Pérsia. Segundo Eudoxo de Cnido, reinava na Akademia um grande interesse por Zoroastro; no século XII, o grande místico e teosofo iraniano Suhrawardi esforçou-se por fazer convergir o caminho de Zoroastro, o dos Magos e o de Platão.

Por fim, cumpre recordar que, em 1578, Henri Estienne publicou uma edição da obra de Platão que ainda hoje serve como edição princeps para as referências. Essas referências são reproduzidas na margem de todas as edições das obras de Platão, e é a essa paginação internacional (números para as páginas, letras para as partes da página) que remetem todas as presentes citações.

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