Opinião (doxa)
A opinião, identificada por Plotino com a forma superior da imaginação, introduz o domínio propriamente humano da moralidade e da ciência.
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A opinião está suspensa à sensação, assim como a razão discursiva.
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Pertence à alma que reflete e raciocina, a alma lógica.
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Contribui para fundar as ciências, pelo menos algumas delas, pois a ciência tem uma dupla categoria de objetos.
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O conhecimento dos inteligíveis é verdadeiramente científico, vindo da razão pura na alma pensante.
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O conhecimento dos sensíveis mereceria mais o nome de opinião do que de ciência (Enn., V, 9, 7).
A opinião conduz à moralidade ao pronunciar julgamentos sobre o bem e o mal que podem ocorrer ao ser animado.
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Tais julgamentos deixam a alma impassível, pois o prazer e a dor tocam apenas o composto, o vivente.
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A alma, ao formar uma opinião sobre o bem e o mal, não experimenta a emoção do prazer nem da dor (Enn., I, 1, 5).
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A alma superior, unida ao mundo inteligível, acrescenta à potência sensitiva uma vida mais poderosa, sem se misturar passivamente.
A origem da opinião num princípio superior, a alma pensante, mantém-na estranha à passividade.
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A alma é como a forma da harmonia, enquanto a causa do movimento das emoções é como o músico.
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A parte passiva da alma é comparável às cordas da lira postas em vibração (Enn., III, 6, 4).
A opinião é frequentemente enganosa, e seus erros causam faltas e males.
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Os erros provêm do fato de a opinião estar ainda demasiado engajada na sensação, tendo seu objeto fora dela.
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Não pode atingir a verdade, assim como a sensação da qual se desenvolve.
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Recebe um objeto diferente de si, sendo por isso chamada de opinião (Enn., V, 5, 1).
O comércio com o corpo perturba a unidade da alma e associa o corpo à produção das opiniões.
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A alma, não sendo pura, está fora da verdade.
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A opinião pode ser chamada de pensamento da mentira e do falso (Enn., I, 1, 9; I, 8, 15).
Algumas paixões nascem na sequência de opiniões, como o temor diante da ideia da morte iminente ou o prazer ante a crença de um evento feliz.
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Embora o sentimento ocorra num sujeito e a opinião noutro, o sentimento nasce da opinião (Enn., III, 6, 4).
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Aparentemente, algumas emoções podem antecipar a opinião e fazê-la nascer, mas uma análise profunda mostra que o sentimento tira da opinião sua origem.
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A parte passiva da alma é dotada de uma espécie de opinião ou inteligência (Enn., III, 6, 4).
A causa dos distúrbios e tremores do ser animado é a imaginação sob sua dupla forma.
As opiniões nascem de formas produzidas na alma após a impressão dos objetos externos nos órgãos.
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Essas formas dão à opinião o poder de governar o animal e dirigir as ações do homem.
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É privilégio do homem, não compartilhado com outros seres vivos, possuir o pensamento, cuja primeira forma é a opinião.
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Aí começa o que constitui essencialmente a humanidade: o que se é.
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As outras atividades psíquicas são observadas também em seres inferiores; apenas as superiores aos atos da vida animal constituem o si mesmo.
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Sentir não constitui a essência do homem; formar uma opinião, mesmo falsa, é julgar, raciocinar e pensar.
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Pensar é o si mesmo, a função própria da alma (Enn., V, 3, 3).
