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Proclus – Alma Humana

Chaignet: LIVRO

A natureza humana apresenta uma hierarquia tríplice que inclui um princípio divino de unidade, uma razão identificada com o ser e uma alma também divina, porém subordinada à razão.

  • A unidade em cada pessoa é considerada como o próprio Deus habitando no homem.
  • A razão, que se identifica com o ser humano, é concebida como uma processão derivada desse princípio uno.
  • A alma, embora divina em sua origem, é considerada menos divina do que a razão.
  • A função da alma consiste em desenvolver, desdobrar e expor todo o conteúdo que a razão possui de maneira envolta e concentrada.

No seio da alma indivisível e imparticipável, encontram-se as almas já individualizadas em virtude de uma inclinação que é simultaneamente livre e fatal.

  • Essa inclinação inclina as almas, para serem satisfeitas, primeiramente em direção a um corpo etéreo e incorruptível que lhes serve de veículo inicial.
  • Em seguida, essa inclinação as direciona para um corpo terrestre que a natureza prepara a partir dos elementos da matéria.
  • Esse movimento é interpretado como a queda das almas, uma descida que as afasta da presença de Deus.
  • Conforme a inclinação as faz descer mais ou menos fundo, as almas se detêm em diferentes níveis, como corpos celestes, animais, vegetais ou humanos.

A alma separável do corpo, que descendeu do mundo inteligível, é diferente da alma existente nos corpos, como a dos vegetais, que é inseparável de seu substrato.

  • A alma vegetal está submetida à lei do destino, enquanto a alma humana depende apenas da Providência no que concerne à sua própria substância.
  • A alma humana, nesse sentido, é definida como uma essência que não está sujeita às mesmas leis fatais que regem os corpos.

A alma procede de maneira mediata, tendo três causas distintas em uma ordem hierárquica: primeiramente do demiurgo, em segundo lugar da alma universal e, imediatamente, da razão particular.

  • A razão particular, que está para a ordem das razões assim como a alma universal está para a ordem das almas, é responsável por criar a alma particular.
  • A alma universal cria a alma raciocinante (logikén), enquanto o demiurgo cria ambas.
  • Por essa razão, o demiurgo é considerado eminentemente o autor e o criador primordial da alma.

A alma é eminentemente vida, sendo responsável por acender nos seres os laços animados e indissolúveis que geram a vida e os princípios da atividade criadora.

  • Essa vida é essencialmente uma vida de razão e uma vida intelectual no ser humano.
  • A vida do corpo, ou vida fenomenal, não é considerada natural para a alma.
  • O que mais convém à alma, ao contrário, é uma vida separada, imaterial e incorpórea.

A incorporação da alma a afastou das coisas divinas, que a haviam preenchido com pensamento, poder e pureza, ligando-a ao mundo fenomenal.

  • O mundo material a preenche com esquecimento, erro e ignorância.
  • O mundo material lança sobre a alma formas múltiplas de vida que agem como vestes, cujo peso a arrasta para uma constituição mortal.
  • Esse peso impede a alma de contemplar e ver os seres reais, condenando-a a viver a vida vegetal e animal.

A partir da queda, passam a existir na alma um elemento irracional, uma potência de livre escolha e um elemento pelo qual se conhece e que necessita da reminiscência das ideias.

  • O elemento irracional é suscetível de ser ordenado pela educação e pelos hábitos morais.
  • A potência de determinação voluntária deve ser afastada de qualquer comunicação com os desejos irracionais.
  • Existem diferentes potências: uma que possui noções inatas e se lembra das ideias, outra que põe ordem e ritmo na vida, e outra que se submete às disciplinas intelectuais e morais.
  • Essas são as potências gerais da alma caída no corpo, estabelecendo-se uma ordem específica entre elas.

A vida da alma é apresentada como tríplice em outra análise, compreendendo a atividade que se mantém nos princípios, a que perde a visão perfeita das ideias e a que se eleva novamente por meio do raciocínio.

  • A primeira atividade é puramente intelectual, mantendo a alma ligada aos princípios com ecos das coisas vistas em sua existência incorpórea.
  • A segunda atividade ocorre quando a alma, tendo perdido a visão pura das ideias, capta apenas imagens pela imaginação, desejando tumultuosamente as ideias outrora vistas.
  • A terceira atividade é aquela pela qual a alma, auxiliada pela ciência, se eleva novamente das imagens aos modelos e dos efeitos às causas exemplares.

A alma é por essência uma força automotriz, mas desde que se associou ao corpo, ela sofre um movimento cuja causa lhe é exterior.

  • Pelo seu poder automotriz, a alma é apta à descoberta e à invenção, gerando noções e ciências.
  • Pelo seu movimento aparentemente externo, ela precisa ser excitada por outras coisas para cumprir suas funções.
  • Essa diferença explica por que algumas almas têm atividade mais espontânea e outras necessitam mais de auxiliares externos.
  • Isso também fundamenta a diferença nos métodos de educação e aperfeiçoamento filosófico das almas.

A alma não é perfeita, não possui sempre a ciência e necessita da reminiscência para ser constituída, ocupando um posto intermediário.

  • A alma não está sempre a salvo das paixões e do mal, sendo sua perfeição relativa e variável.
  • Ela é ora imperfeita, ora perfeita, esquecendo-se e lembrando-se das ideias com as quais a razão a preencheu.
  • O tempo é uma condição necessária para que a alma alcance seu desenvolvimento e sua perfeição.

O ser humano não é definido como o composto de alma e corpo, nem como um corpo animado, pois o corpo não completa a essência e não é uma parte do homem.

  • O corpo é considerado apenas um órgão, um instrumento do qual a alma se serve para mover as coisas exteriores.
  • Os defeitos ou mesmo a perda do corpo não afetam essencialmente aquele que dele se serve.
  • A pessoa se reduz e se resume à alma, que é uma essência separada da essência do corpo.

Aqueles que pensam de outra forma, como os epicuristas e os estoicos, acabam por separar o útil do justo, enquanto o justo e o útil são uma única e mesma coisa.

  • Todo o que é justo é belo, e todo o que é belo é bom, sendo a bondade a causa da beleza.
  • Portanto, todo o que é justo é bom, e como o bom e o útil são a mesma coisa, todo o que é justo é útil.
  • Define-se o homem como uma alma que se serve de um corpo, e cada alma, com seu veículo, já é um homem.

Uma prova de que a alma é uma essência separada do corpo é extraída da natureza da ciência, que, sendo indivisível, preenche muitos indivíduos sem se diminuir.

  • A ciência permanece una e idêntica, não se reduzindo quando compartilhada entre um grande número de indivíduos.
  • Isso mostra que nossa essência é separada do corpo e subsiste em si mesma.
  • Da mesma forma, a alma está presente inteiramente em todo o corpo e em todas as suas partes.

A alma é indivisível e simples, sendo o ponto de encontro onde o bem, o belo e o justo se reúnem e se unem como em seu centro.

  • O bem na alma é belo e justo, o justo é belo e bom, e o belo é bom e justo.
  • Diferentemente das coisas participantes, onde nem tudo que participa do ser participa da vida, tudo o que pensa vive e existe.
  • No inteligível, o ser está além da vida, e a vida está além da razão, mas essa diferença se anula na alma.

Na alma, o ser é vida e razão, a vida é razão e ser, e a razão é ser e vida, formando uma substância una.

  • Nem o ser, nem o viver, nem o pensar são adventícios para a alma.
  • A razão da alma é vivente e substancial, sua vida é intelectual e substancial, e seu ser é intelectual e vivente.
  • A alma é todas essas coisas, formando uma unidade a partir delas.
  • O substrato é uno, embora as formas racionais sejam diferentes.

O homem é essencialmente uma alma, como prova o fato de que ele se serve do corpo como de um instrumento, e o todo do homem está naquilo que usa os órgãos, não nos próprios órgãos.

  • O corpo é uma coisa externa ao homem enquanto órgão, estando submetido à alma.
  • Tudo o que está fora da alma está, por isso mesmo, fora do homem.
  • Retoma-se a doutrina de Aristóteles de que toda alma cujas operações não exigem órgãos corpóreos tem uma substância separável do corpo.

Nosso ser real consiste em ideias e razões, e a alma é eminentemente um mundo de vida, sendo essa vida eterna e, portanto, a alma incorpórea é incorruptível e imortal.

  • Se existem operações da alma que não necessitam do corpo, com maior razão a própria alma não necessita dele para suas operações naturais.
  • A substância da alma, cuja ação é independente, é absolutamente separada do corpo.

Existe, contudo, outra alma que é inseparável do corpo: a alma sensitiva e concupiscível, que é movida pelo corpo e experimenta estados que lhe são comunicados por ele.

  • Todas as espécies dessa vida são irracionais e exercem suas operações naturais juntamente com o corpo.
  • É essa alma que carrega o corpo e lhe comunica a potência do movimento como um sopro.
  • É também essa alma que é arrastada pelo corpo para a natureza fenomênica em virtude da simpatia.

Essa duplicidade, que se pode levar a uma triplicidade, não afeta a substância e a essência da alma, mas apenas suas funções ou potências.

  • A multiplicidade introduz o número na alma, mas não destrói sua unidade.
  • A alma racional e divina comunica à alma sensitiva e passional a unidade que lhe falta, assimilando-a como parte de sua própria essência.
  • A alma é, ao mesmo tempo, unidade e multidão, todo e partes, essência uniforme e poliforme.

A pluralidade na alma é ramificada em uma primeira triade composta de essência, potência e atividade, cuja essência compreende a existência determinada, a harmonia e a forma.

  • A existência real, por sua vez, compreende a essência, o mesmo e o outro.
  • No ato de consciência, a alma tem consciência de que o sujeito que conhece (ela mesma) é idêntico ao objeto conhecido (ela mesma).

A alma pensante (logiké) possui o desejo e o conhecimento, cujo objeto pode ser ora o ser, ora o devir, levando a alma a elevar-se a Deus ou a abaixar-se para as coisas fenomênicas.

  • Uma espécie de conhecimento, conforme o círculo do mesmo, tem por objeto os inteligíveis.
  • A segunda espécie de conhecimento, obedecendo ao círculo do outro, tem por objeto as coisas sensíveis.

A vida moral da alma é tripla, compreendendo a disciplina do elemento irracional, o retorno da alma sobre si mesma e a remontada da alma às suas causas.

  • A primeira vida moral é a vontade ou potência moral prática, que ordena o elemento irracional.
  • A segunda vida moral é a consciência moral, na qual a alma deseja se conhecer na justiça que lhe pertence.
  • A terceira vida moral é o aperfeiçoamento fundamentado na imitação de Deus, onde a alma funda seus atos nas suas causas primeiras.

A união da alma a Deus ou ao bem é um conhecimento, e o conhecimento de Deus é uma assimilação à sua essência.

  • As três triades que compõem a alma fazem dela a forma das formas e a razão das razões.

O número se introduz na alma não apenas pelos elementos constituintes de sua natureza, mas também por suas funções e potências vitais e intelectuais.

  • As funções vitais, independentes da vontade, comunicam ao corpo a vida e os movimentos vitais pelo simples fato de a alma existir.
  • Se essa espécie de vida dependesse do livre-arbítrio, o animal se destruiria rapidamente, pois a alma renunciaria à associação com o corpo.

A finalidade da alma é a assimilação à razão, e a finalidade da razão é a visão de Deus, um ato pelo qual a alma conhece Deus unindo-se a ele.

  • As faculdades da alma intelectual culminam na flor da alma, que transporta o ser ao seio da divindade.
  • A consciência, ou poder de se voltar sobre si mesma, é a faculdade própria que permite à alma conhecer suas próprias faculdades e atos.

Existe uma dupla ignorância: ignorar simplesmente e acreditar saber sem saber, o que constitui o erro.

  • O erro se assemelha à matéria, que parece ser tudo, mas só tem a aparência.
  • A verdadeira ignorância é a ignorância da causa final, pois em cada coisa ela revela a imperfeição do conhecimento das outras causas.
  • É em vista da causa final que tudo o que cria cria, e tudo o que se torna se torna.

Dois caracteres comuns a todo conhecimento são a assimilação do sujeito ao objeto e o fato de que a alma que conhece tem dentro de si o objeto que conhece.

  • A alma que sabe é semelhante à razão, pois apreende em ato o objeto cognoscível como a razão apreende o inteligível.
  • Existem dois tipos de conhecimento: um inorgânico e vazio de pensamento, e outro organizado, científico e certo.

Possuímos por essência as razões das coisas e como que respiramos os conhecimentos dessas razões, mas não os temos em ato, sendo incapazes de expressá-los.

  • O conhecimento das ideias, que temos em virtude de nossa natureza e ser, nenhum tempo o precede, sendo de toda a eternidade.
  • O conhecimento organizado e formulável exteriormente é adquirido em um momento determinável do tempo.

O conhecimento da verdade existe em nós, mas somos impedidos de compreendê-la pelo assalto das paixões, como o esquecimento, a opinião, a conjectura, as representações enganosas e os desejos imoderados.

  • Para poder voltar a nós mesmos e nos conhecer, é necessário nos libertarmos desses obstáculos e nos purificarmos desses vícios.
  • Existem condições morais necessárias para se adquirir o conhecimento, como fugir da multidão de desejos e das sensações enganosas.

Para chegar à verdadeira finalidade da vida, que é a contemplação e visão de Deus, é necessário elevar-se à ciência e depois ultrapassá-la.

  • Todas as ciências podem ser ramificadas em uma única ciência primeira e incondicionada.
  • Além da ciência, existe a vida da pura intuição, que consiste em intuições imediatas e indivisíveis da essência inteligível.
  • A ciência não é o cume do conhecimento, sendo necessário despertar em nós a flor do ser, onde o conhecimento é união.

Os objetos da ciência são conhecidos pela ciência, mas os primeiros princípios e a Deus são conhecidos por uma intuição semelhante à da sensação, embora mais pura.

  • A alma não desperta mais a parte intelectual, mas se une ao uno por meio da loucura divina.
  • Nesse estado, a alma ultrapassa a si mesma enquanto inteligência, tornando-se estrangeira a si mesma e fechando-se no silêncio.

Antes de se elevar às causas primeiras, a alma deve primeiro tomar conhecimento de si mesma, de sua essência que se manifesta por atos e que consiste em razões e ideias.

  • Os atos e razões têm causas, que são as potências que a alma recebeu em partilha.
  • É necessário, então, pesquisar, determinar e enumerar essas potências.

Distinguem-se na alma duas grandes classes de faculdades determinadas por seus objetos: as faculdades racionais (logiká), que têm por objeto os inteligíveis, e as faculdades irracionais, que têm por objeto as coisas sensíveis.

  • Se o objeto determina a faculdade particular, ele não determina a natureza do conhecimento, que é caracterizada pela natureza dos sujeitos conhecentes.
  • O mesmo objeto é conhecido por Deus sob o modo da unidade, pela razão sob o modo da universalidade, pelo entendimento discursivo sob o modo da generalidade, pela imaginação sob o modo da figura e pela sensação sob o modo passivo.

As faculdades irracionais são imagens das faculdades racionais, sendo seu caráter comum não poderem contemplar o ser mesmo.

  • A faculdade irracional não pode ver o ser, a menos que possa ver o universal de alguma maneira.
  • A faculdade que vê o universal não é sensação, pois a sensação não pode captar o universal.
  • O conhecimento racional é como a razão em relação às sensações, que são irracionais em relação ao conhecimento dos seres.

A sensação é uma certa ignorância, pois ignora completamente a causa do que conhece.

  • O conhecimento sensível é uma apreensão passiva, material e cheia de imagem.
  • A sensação conhece com paixão, experimentando a modificação passiva que o objeto sensível causa no animal.
  • Nenhum sentido particular pode dizer que o todo (ex: uma laranja) tem tal essência, sendo necessária uma faculdade superior às sensações, o conhecimento racional.

Toda impressão passiva que se produz no animal não dá uma sensação de si mesma, existindo impressões obscuras e confusas que não deixam traço.

  • Somente as impressões que abalam profundamente o animal são acompanhadas de consciência.
  • Os movimentos que se passam na alma nem todos chegam ao corpo, e os que se passam no corpo nem todos chegam à alma.
  • Apenas as impressões suficientemente fortes para produzir um abalo no organismo produzem sensação.

Existe uma primeira forma de sensação chamada mortal, que é divisível, envolvida na matéria e passiva.

  • Essa sensação realiza seu ato de julgamento misturada às impressões passivas.

Existe uma outra forma de sensação, superior, que tem seu assento no primeiro veículo etéreo da alma.

  • Comparada à primeira, essa sensação é um conhecimento imaterial, puro, que escapa à passividade e existe por si mesma.
  • No entanto, ela não é inteiramente afrancada da figura, pois tem algo do corpo e nele seu fundamento.
  • Essa sensação tem a mesma natureza da imaginação, sendo idênticas pelo ser.

A opinião é o fundamento inferior da vida racional, enquanto a imaginação é o limite superior do cume da vida irracional.

  • A sensação, intermediária entre a vida irracional e a vida racional, não recebe os tipos inteligíveis, mas apenas as formas das coisas externas.
  • Existem três formas de sensação: a ativa e comum (imaginação suprassensível), a passiva e comum (imaginação sensível) e a dividida pelos órgãos sensoriais (passiva e mortal).

A razão, que é toda a nossa essência, possui três formas ou graus: a opinião (doxa), o entendimento discursivo (ciência) e a razão pura (nous).

  • A opinião é o grau inferior, conhecendo sem conhecer a causa.
  • A ciência conhece com a causa, sendo um entendimento discursivo e refletido.
  • A razão pura é o ponto culminante e mais indivisível, que por uma intuição imediata capta o ser real e se une com a razão divina demiúrgica.

Acima da razão, existe na alma uma faculdade que a ultrapassa, chamada de flor de nosso ser, que é a loucura divina, a inspiração do alto.

  • Por meio do uno, participamos de Deus, de quem todos recebemos o conhecimento.
  • Essa faculdade superior é o êxtase que nos faz sair de nós mesmos, a participação misteriosa do eu na fonte dos números universais.
  • Por esse modo eminente de conhecimento, a alma se lança acima de si mesma, torna-se semelhante ao objeto divino e funde sua própria luz com a luz do alto.

A opinião (doxa) é o limite inferior de toda a vida racional, ligando-se à parte superior da vida irracional.

  • A opinião contém as razões das coisas sensíveis, conhecendo sua essência, mas não conhece suas causas.
  • A razão discursiva conhece ao mesmo tempo a essência e a causa, enquanto a sensação não conhece nem uma nem outra.
  • A opinião ocupa um lugar intermediário, pois conhece as razões das coisas pelas razões que estão nela, mas ignora suas causas.

A sensação é um intermediário entre o organismo sensorial e a opinião.

  • O aparelho sensorial capta o objeto experimentando uma modificação passiva, sendo destruído pelo excesso de força desses objetos.
  • A opinião tem um conhecimento puro de passividade, enquanto a sensação participa da passividade em certa medida.
  • A sensação é ativa porque contém um elemento capaz de conhecimento, tendo sua raiz e fundamento na opinião, sendo por ela iluminada.

A série das faculdades capazes de conhecer começa pela faculdade do pensamento não discursivo, seguida pela razão refletida, pela opinião e, por fim, pela sensação.

  • A razão refletida ocupa o segundo lugar, sendo a faculdade de conhecer as ideias médias.
  • A opinião é o conhecimento racional do sensível, e a sensação é o conhecimento irracional dos mesmos objetos.

A vida da alma dotada de razão não se restringe ao exercício das faculdades de conhecer, existindo também o desejo e a vontade livre.

  • O desejo e a vontade livre portam a alma ora para o ser real, ora para o devir.
  • A vida da alma irracional possui sua própria atividade, com duas formas: a paixão propriamente dita (imagem do desejo superior) e a concupiscência (imagem do desejo inferior).

O desejo sensível é uma vida quase corpórea, sendo a potência que reconstrói e repara constantemente o tecido do corpo.

  • É por meio do desejo sensível que se manifestam o prazer e a dor corporais, embora a razão e a cólera também conheçam essas afecções.
  • O movimento contrário à natureza, ou privação da vida, engendra a dor, enquanto o movimento conforme à natureza produz o prazer.
  • Esses dois sentimentos fundamentais são as fontes de todas as outras afecções por seu mistura, como o amor, que é uma mistura de prazer e dor.

A cólera é a terceira forma da vida afetiva, sendo uma vida que cria no corpo o que o faz sofrer e o perturba.

  • Nessa afecção observam-se o excesso (hardiness) e o defeito (covardia), assim como as ambições e rivalidades.
  • A alma superior se serve dessa vida de paixão para mover o corpo.

Assim que o corpo é criado, ele participa da sensação, pois não teria vida nem desejo se não fosse capaz de sensação.

  • Todos os desejos são acompanhados de sensações, mas as sensações nem sempre são acompanhidas de desejos.
  • Após a sensação manifesta-se a faculdade de experimentar o prazer e a dor, ligada ao desejo sensual.
  • Com o progresso da idade, aparece a cólera (excitabilidade moral), faculdade que caracteriza os seres superiores.

No pneuma da alma existe uma potência que é o limite superior e a forma perfeita da vida do desejo.

  • Essa potência é a força motriz do pneuma da alma, que guarda e mantém a essência desse pneuma.
  • Ela tanto se espalha e se divide quanto se recolhe em seu princípio essencial, sendo medida pela razão.

As duas últimas partes da alma (desejo e cólera) têm a superioridade sobre a sensação de que às vezes escutam a razão, que a sensação nunca escuta.

  • No entanto, elas são suficientemente fracas para nem sempre tenderem ao ser e ao bem, arrastando o homem para o corpóreo e o devir.
  • Essa inclinação do animal mortal, que o homem carrega em si, é a causa dos males que o afligem, constituindo o mal essencial.
  • Essa inclinação fez a alma descer para um corpo, colocando-a em contradição com sua verdadeira essência e submetendo-a às leis fatais da natureza.

O mal não é a doença, a pobreza ou algo semelhante, mas sim a malícia da alma, a intemperança de seus desejos e a covardia de seu coração.

  • Somos nós mesmos a causa de todos esses vícios, pois somos livres e senhores de nos portar para os bens e nos afastar dos males.
  • A necessidade, resultante da união voluntária com o corpo, limita a liberdade (to autexousion), mas não a destrói.

A alma humana é livre, sendo a liberdade um dos caracteres distintivos de sua essência, ou seja, o poder de escolher.

  • A alma permanece senhora de escolher, embora não seja senhora da ordem do universo.
  • Ela tem em sua própria essência uma dupla inclinação, para o bem e para o mal, uma potência de eleição pela qual somos naturalmente capazes de escolher um ou outro.

O livre-arbítrio é a potência racional apetitiva dos bens reais e dos bens aparentes, conduzindo a alma aos dois contrários.

  • A vida irracional é privada de toda liberdade de escolha, portanto a potência de escolher pertence à razão.
  • O livre-arbítrio é a potência de escolher entre os contrários, seja o bem real ou o bem aparente.
  • Isso faz a diferença característica do homem, que ocupa uma posição intermediária determinada pelo livre-arbítrio.

Somos senhores apenas de nós mesmos, dos movimentos e direções de nossas resoluções interiores e de nossos apetites.

  • Não somos senhores dos eventos produzidos necessariamente pelas leis da natureza ou da ordem universal.
  • O livre-arbítrio está contido e envolvido pela Providência, sendo movido e determinado de cima.
  • Nossa vida é uma vida misturada de atos livres e fatos não livres.

A alma move a si mesma, e esse movimento voluntário e espontâneo é sua própria essência.

  • Se a liberdade moral não existisse, a filosofia não serviria para nada.
  • Nada pode destruir em nós a potência eterna que nos faz distinguir o bem do mal, amando um e detestando o outro.
  • O sentido moral supõe e estabelece a liberdade.

Apesar da presciência divina, que conhece eternamente todos os nossos atos, o homem é livre e a filosofia existe.

  • Deus conhece o contingente de maneira determinada, mas isso não suprime a liberdade, pois o conhecimento não é da essência do sujeito conhecido, mas da essência do sujeito conhecente.
  • Pela geração (incorporação), a alma é submetida ao destino, que a governa enquanto unida ao corpo, e à virtude, que a dirige enquanto alma.
  • A determinação da alma virtuosa é uma determinação livre.

A virtude é a assimilação da alma ao belo e ao bem primeiros, isto é, a Deus ou ao uno supremo.

  • Por intermédio do amor, o belo ilumina todos os seres e os ramifica à sua causa.
  • A virtude, cuja causa e essência estão em Deus, é para o homem o sistema de atos livres que concorrem para o aperfeiçoamento da alma.
  • Existem várias espécies de virtudes, as éticas e as intelectuais, que se condicionam mutuamente e se unem em uma só: a ciência.

A filosofia ensina o respeito a si mesmo, o conhecimento de si mesmo, a concordância entre ações e palavras e a justiça.

  • Respeitar a si mesmo significa respeitar a humanidade que cada indivíduo carrega inteiramente em si.
  • Conhecer a si mesmo é crer que sua essência está fora de seu corpo, vivendo segundo a natureza e segundo Deus.
  • A justiça é tão essencial à alma que a injustiça absoluta seria a morte da alma.

Nas relações com seus semelhantes, a filosofia ensina a ser uma espécie de providência para eles, amando-os e socorrendo-os.

  • Deve-se obedecer aos superiores, abster-se de palavras inúteis e buscar a amizade dos sábios.
  • A prece é o ato de elevar a alma a Deus, de quem procedem as potências que criaram o mundo e ao qual todos os seres aspiram.
  • Tudo neste mundo reza, exceto aquele que tudo neste mundo reza.

A preça possui uma potência e uma perfeição que vão muito além do pedido e da esperança.

  • Os seres e as coisas não nascem apenas pela processão e causas ligadas pela série contínua, mas também são produzidos imediatamente pelos deuses.
  • As coisas, ao procederem de Deus, não se afastaram dele, pois permanecem nele.
  • O movimento de conversão para Deus opera-se nas almas pela razão e seguindo a razão.

A prece perfeita consiste em conhecer as ordens da hierarquia divina, preparar a alma para se assimilar à divindade, ter o contato que liga o elemento superior da alma à essência divina e aproximar-se de Deus.

  • O primeiro ato da adoração é ter uma noção perfeita e ardente da divindade.
  • A segunda condição é a preparação da alma por pureza, santidade, educação e obediência à ordem.
  • A terceira é o contato (synaphe) pelo qual o elemento superior da alma se liga voluntariamente à essência divina.
  • A quarta é o ato de se aproximar de Deus (emperiris), o que torna mais íntima e forte a participação na luz divina.

A quinta condição da prece é a unificação, que edifica o uno da alma ao uno dos deuses, fazendo com que não pertençamos mais a nós mesmos, mas aos deuses.

  • A prece não é uma parte fraca do movimento que ramifica a alma para o alto, sendo por ela e pela piedade que se opera a ascensão espiritual.
  • Somente o homem honesto deve e pode rezar, não sendo permitido ao que não é puro aproximar-se da pureza mesma.
  • A essência da verdadeira prece é observar a ordem dos atributos divinos, ter as virtudes purificativas, possuir a fé e o amor, conceber a esperança, receber a luz divina e renunciar a todos os outros cuidados para ficar a sós com Deus.

As causas da preça são as potências criadoras dos deuses, os bens puros das almas como causas finais, as causas supremas dos seres como exemplares, a potência da alma de se assimilar aos deuses e os símbolos como causas materiais.

  • Abaixo da verdadeira prece, existem várias espécies e formas conforme os gêneros e espécies dos deuses.
  • A prece pode ser demiúrgica (relativa às chuvas e ventos), purificativa (para afastar doenças) ou generatriz (para a produção dos frutos).
  • Outras espécies dizem respeito aos objetos da prece: a salvação da alma, a boa constituição do corpo e os bens exteriores.

Apesar da diversidade das espécies de prece e da diferença dos deuses, a piedade é uma e nos liga a todos os deuses.

  • Não existe verdadeira divisão entre os deuses, pois a piedade é uma só que os conecta a todos.

Proclus emprega o método dialético, que consiste em pesquisar as consequências positivas, negativas ou duvidosas das hipóteses de que a alma existe tal como foi exposta ou de que não existe.

  • O objetivo do método é descobrir os caracteres próprios de uma coisa e de tudo o que ela produz em si mesma e nas outras coisas.
  • As consequências são tiradas para a alma em relação a si mesma e em relação aos corpos, e para os corpos em relação a si mesmos e à alma.

Se a alma existe, resulta para ela em relação a si mesma que ela se move a si mesma, vive por si mesma e é uma substância em si.

  • Deve-se negar dela que ela se destrua a si mesma, que se ignore e que não conheça nada do que se passa nela.
  • Pode-se afirmar e negar dela a divisibilidade e a indivisibilidade, a existência eterna e não eterna, a imutabilidade e a mudança.

Se a alma existe, em sua relação com os corpos, conclui-se que ela é o princípio gerador da vida, a força que os move e dirige seu movimento.

  • Deve-se negar que os corpos sejam movidos de fora, pois o caráter próprio dos seres animados é serem movidos por uma força interna.
  • Pode-se afirmar e negar que a alma existe nos corpos (por sua ação produtora) e que existe fora deles (por sua essência).

Se a alma existe, isso tem consequências para os corpos em suas relações consigo mesmos, sendo a primeira consequência positiva que eles são simpáticos a si mesmos.

  • Deve-se negar deles a insensibilidade, pois, dada a existência da alma, todos os corpos são dotados de sensibilidade.
  • Pode-se afirmar e negar dos corpos animados que eles se movem a si mesmos, pois há numerosas espécies de movimento espontâneo.

Se a alma existe, resulta para os corpos em suas relações com a alma que eles são movidos interiormente por ela e que sua faculdade de engendrar a vida se deve a ela.

  • Deve-se negar que ela seja a causa de sua dispersão e de sua falta de vida.
  • Pode-se afirmar e negar que os corpos participam da alma e que não participam, pois sob um aspecto participam e sob outro não.

Se a alma não existe, resulta para ela em relação a si mesma que ela é sem vida, sem essência e sem razão.

  • Deve-se negar que ela se conserve a si mesma, que seja sua própria hipóstase e seu próprio princípio motor.
  • Pode-se afirmar e negar que ela seja desconhecida e irracional para si mesma.

Se a alma não existe, a consequência para ela em sua relação com os corpos é que ela é impotente para gerá-los, misturar-se a eles e prover seu bem-estar.

  • Deve-se negar que ela seja seu princípio motor, gerador e unificador.
  • Pode-se afirmar e negar que ela é outra que os corpos e que não tem sociedade com eles, pois isso é verdadeiro e não verdadeiro sob diferentes aspectos.

Se a alma não existe, as consequências para os corpos em suas relações consigo mesmos são a imobilidade, a indiferença à vida e a ausência de simpatia uns pelos outros.

  • Deve-se negar que eles se conheçam uns aos outros pela sensação e que se movam a si mesmos.
  • Pode-se afirmar e negar que eles experimentam modificações uns dos outros, pois as experimentam como puramente físicas, mas não como vitais.

Se a alma não existe, a consequência para as outras coisas em relação a ela é que elas não são conservadas nem movidas por ela.

  • Deve-se negar que elas são geradas à vida e contidas em sua essência por ela.
  • Pode-se afirmar e negar que elas se assimilam à alma e que não se assimilam, pois a não-existência da alma torna isso impossível de diferentes maneiras.

Desses argumentos das duas hipóteses contrárias resulta a prova de que a alma é a causa da vida, do movimento e da simpatia que a experiência e a consciência atestam existir nos corpos.

  • Se a alma existe, todos esses fatos são explicados racionalmente, e se se nega sua existência, todos esses fenômenos são suprimidos.
  • Como esses fenômenos existem manifestamente, eles existem nos corpos unicamente pela alma, tendo sua causa nela.

A providência é Deus considerado como criador do mundo e autor de sua perfeição, manifestando-se por sua bondade, vontade e providência.

  • Foi porque era bom que Deus quis criar o mundo, e foi porque quis criá-lo que o criou e o ordenou.
  • A bondade ocupa o primeiro lugar, fazendo a perfeição e a vida independente do mundo.
  • A vontade demonstra a superabundância de força e a potência de desenvolvimento de Deus.
  • A providência fornece a potência eficiente, aperfeiçoante e sem mistura.

A alma, na medida em que está unida a um corpo material, está submetida às leis constantes e imutáveis da natureza física chamada destino.

  • Enquanto essência inteligível, a alma não conhece outro mestre senão Deus em sua função de providência, que é superior ao destino.
  • A providência pune e recompensa, distribuindo os bens e os males segundo os méritos que ela conhece.
  • A alma que se submete à direção da providência estabelece em si mesma a ordem que contempla no mundo, tornando-se feliz.

Negar a providência é uma coisa grave, pois equivale a dizer que seres dotados de razão não conhecem Deus ou que Ele não nos conhece.

  • Negar a providência é romper o vínculo dos seres com Deus, limitando sua potência, sua ciência e sua bondade.
  • É derrubar a própria religião, suprimir todo culto e quebrar as leis das coisas sagradas.
  • É também querer apagar na alma esse conhecimento inato de Deus que a preenche sem que jamais o tenhamos aprendido.

O mal não pode ser obra de Deus, que é o bem em si, nem obra de uma causa universal outra que Deus, pois haveria dois princípios.

  • O mal não é um ser em si, sendo apenas um fenômeno relativo, que tem causas particulares e contingentes.
  • O que é um mal para um indivíduo é um bem para o mundo inteiro.
  • O mal é apenas um abaixamento que provém do fato de os seres não poderem ser todos igualmente próximos do bem, sendo a própria ordem do universo hierárquica e desigual.

A injustiça aparente na distribuição dos bens e dos males é uma ilusão e um erro de julgamento.

  • É ignorar que o bem da alma consiste na virtude e que ela é sempre senhora, com a ajuda de Deus, de adquirir e conservar o verdadeiro bem.
  • O homem de bem não tem razão de se queixar de seu destino, pois nem os sofrimentos corporais, nem a miséria, nem a doença, nem a morte são verdadeiros males.
  • A morte do corpo não é o fim da vida, pois o homem é uma alma imortal; a morte apenas liberta a alma, quebrando a corrente que a prende ao corpo.

Se se concede que o homem é uma alma usando um corpo e que certos males atingem o homem de bem, pode-se sustentar que isso é um bem.

  • Se a virtude fosse sempre recompensada por bens exteriores, ela se confundiria com o apetite e o desejo.
  • Mostrando a virtude muitas vezes mal recompensada, a providência dá uma lição moral, ensinando que a virtude deve ser buscada e amada por si mesma.
  • Não há, portanto, razão para duvidar de que haja uma providência.

Proclus, embora se apresente como um expositor do pensamento de Platão e um seguidor de Plotino, introduz modificações significativas em sua doutrina.

  • Sob a forma, Proclus tende a dar um caráter escolástico à filosofia, proclamando o método dedutivo como o único verdadeiramente científico.
  • Na ordem do conteúdo, ele multiplica os intermediários para tentar preencher o abismo entre o perfeito e o imperfeito, aproximando-se dos gnósticos combatidos por Plotino.
  • Ele introduz as ideias de abaixamento (hyposis) como antecedente da processão e de imparticipabilidade para salvar a imutabilidade do Primeiro.

Proclus admite, acima da razão, um segundo princípio de conhecimento, a fé, uma intuição imediata e visão direta de Deus.

  • Apesar de repudiar o panteísmo, sua doutrina da presença do superior no inferior como causa faz com que ele retorne inconscientemente ao sistema da emanação.
  • Ele também difere de Plotino na ordem dos fatores que compõem a triade do ser, onde a vida ocupa o segundo lugar que Plotino atribuía à razão.
  • Apesar dessas diferenças e contradições aparentes, Proclus mantém a ordem dos princípios divinos tal como Plotino a concebeu: o uno, a razão e a alma.

A obra de Proclus, embora não original, contribuiu para a manutenção do movimento filosófico e exerceu influência sobre a origem e o desenvolvimento da filosofia escolástica.

  • Sua erudição, sua língua pura e correta, sua profusão de detalhes e seu método dedutivo foram exemplos e estímulos fecundos.
  • Seus comentários sobre Platão, apesar do abuso da interpretação alegórica, são notáveis pela fineza e penetração subtil das observações.
  • Ele desenvolveu uma teoria da exegese, que consiste em dividir cada diálogo em partes naturais, mostrar as relações das partes com a ideia fundamental e reconstituir a cena dramática.

Cada diálogo de Platão deve ser considerado como um ser vivo individual, um todo, e ao mesmo tempo como um membro de um todo mais vasto formado pelo conjunto de todos os diálogos.

  • É necessário descobrir em cada diálogo um fundo comum com todos os outros sob os aspectos moral, intelectual, vivente e estético.
  • É preciso também descobrir e expor o sujeito externo (a hipótese), que concerne às personagens, à mise-en-scène e às circunstâncias.
  • A escola de Alexandria, com Proclus, é considerada a verdadeira criadora da exegese científica, cujos princípios foram mais tarde aplicados às escrituras sagradas.

O espírito escolástico, presente nos neoplatônicos e nos doutores da igreja, caracteriza-se por postular a priori um princípio de autoridade (Platão ou as Escrituras).

  • Ambos são tentados a discutir problemas científicos sem apelo à realidade ou controle pela experiência e observação.
  • Ambos se deixam seduzir pelo engenho da interpretação alegórica, que permite ver tudo em um texto dado.
  • Proclus encontra em uma mesma frase de Platão um sentido literal, histórico, simbólico, lógico, mítico, ético, teológico e filosófico.
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