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O NEOPLATONISMO

IVÁNKA, Endre von. Plato Christianus: la réception critique du platonisme chez les Pères de l’Église. Elisabeth Kessler. Paris: Presses universitaires de France, 1990.

O que há de novo no neoplatonismo

Paradoxalmente, esse perigo aumenta ainda mais, a ponto de ameaçar o próprio conceito de criação na transformação que o platonismo sofre em sua forma neoplatônica. É um paradoxo, pois, na verdade, poderíamos pensar que essa transformação teria aproximado o platonismo da imagem cristã do mundo e o teria tornado mais apto a apresentar a experiência cristã de Deus e do mundo. Em que consiste essa transformação?

Mesmo que a filosofia do platonismo antigo afirme que, ao descer de uma esfera do ser para outra, o princípio de ordem que reina na mais elevada se reproduz na mais baixa, de maneira análoga, correspondendo aos caracteres do ser dessa esfera, e que, nesse sentido, uma ordem universal se continua de uma esfera do ser para outra, percorrendo todos esses níveis do ser, não existe, no entanto, no platonismo original, nenhuma ligação ontológica entre essas diferentes esferas (ver acima, p. 28). Mesmo que o domínio matemático, “o número em si”, se reflita no caráter mensurável da extensão espaço-temporal, a própria matéria, o substrato do que é medido, não é um derivado ontológico dos números ideais; da mesma forma, a relação de “participação” das coisas reais nas Ideias eternas, das quais são “cópias” no espaço e no tempo, não indica que as coisas singulares provêm da Ideia (da mesma forma que, no domínio das Ideias, se obtém o particular por uma decomposição do geral), e a “queda” da alma não indica que ela viria da esfera superior. As esferas são ontologicamente separadas, ao lado, acima ou abaixo umas das outras. Mesmo o demiurgo do Timeu (onde se trata, no máximo, de apresentar o surgimento do cosmos como um desenvolvimento unitário) toma do “Mesmo” e do “Outro” para misturá-los na cratera e olha para as Ideias, já presentes antes de sua ação, como seus modelos.

  • A processão do ser
  • Radiação
  • O núcleo da alma
  • O neoplatonismo e a ideia de criação
  • O caminho para o “Uno”. Dialética ou êxtase
  • O esquema ontológico do platonismo e os problemas da gnose
  • O esquema ontológico dos estoicos
  • O desdobramento ou a queda
  • O que é o si mesmo?
  • A negatividade do finito
  • Supressão do estado de criatura
  • Deus feito mundo - e mundo feito Deus
  • A hybris gnóstica
  • A vontade de compreender o ato de criação

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