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Neoplatonismo

Thomas McEvilley – Configuração do Pensamento Antigo

Thomas McEvilley. The Shape of Ancient Thougth. Comparative Studies in Greek and Indian Philosophies. New York: Allworth Press, 2002

- Neoplatonismo e a Tradição Upaniṣádica-Vedântica

  1. Natureza cumulativa das linhagens filosóficas na Grécia e na Índia
  2. Linhagem de Plotino: desde os Médio-Platônicos, como Amônio e Numênio, até a Antiga Academia de Platão e os Pré-Socráticos, como Pitágoras e Parmênides
  3. Centro da comparação com o Vedanta: o pensamento de Plotino, com referências a estágios anteriores de sua linhagem
  4. Ausência de uma figura central única no lado indiano, com destaque para os Upaniṣads, o Brahma Sūtra e pensadores como Rāmānuja, em vez de focar exclusivamente em Śaṅkara

- Plotino e a Índia

  1. Contemporaneidade de Plotino com Sexto Empírico e Nāgārjuna
  2. Estudos de Plotino em Alexandria (232-243 d.C.) e possível contacto com iogues indianos (Gimnosofistas)
  3. Possível disponibilidade de informações ou textos upaniṣádicos em Alexandria, conforme atestado por Hipólito de Roma
  4. Participação de Plotino na expedição do imperador Gordiano ao Oriente e seu desejo de aprender as filosofias persa e indiana
  5. Debate académico sobre a influência indiana no pensamento de Plotino e as semelhanças com a doutrina upaniṣádica-vedântica
  6. Estratégia de enfatizar a autenticidade helénica e platónica do Neoplatonismo, negando influências orientais
  7. Argumentação sobre a possível indianização prévia da tradição grega através de influências órficas e pitagóricas

- Estilo de Ensino de Plotino

  1. Desenvolvimento de um círculo de discípulos em Roma, maioritariamente da classe senatorial e de origem asiática
  2. Presença de discípulos como Porfírio (de Tiro) e a inclusão de três mulheres no círculo íntimo
  3. Método de ensino: palestras abertas ao público, baseadas em comentários a passagens de Platão ou outros autores, seguidas de sessões de perguntas
  4. Registos das palestras compilados nas *Eneadas* por Porfírio
  5. Vida austera e contemplativa de Plotino, seus interesses intelectuais amplos e experiências místicas

- A Tradição Upaniṣádica-Vedântica

  1. Posição cronológica de Plotino em relação à tradição vedântica: entre os Upaniṣads antigos e os comentadores posteriores como Śaṅkara e Rāmānuja
  2. Papel do Brahma Sūtra como comentário e sumário das doutrinas upaniṣádicas, desenvolvido ao longo de séculos e transmitido secretamente
  3. Contexto social conservador e elitista da composição do Brahma Sūtra e das *Eneadas*
  4. Dificuldades interpretativas do Brahma Sūtra devido à sua extrema brevidade

- Investigando a Unidade

  1. Diferenças nos contextos sociais de Plotino e dos autores vedantinos
  2. Comparação sistemática entre o corpus plotiniano e os textos vedantinos como os dois grandes corpus de pensamento monista
  3. Investigação das relações entre pares de termos como Ser e Não-Ser, Um e Múltiplo, identidade e diferença
  4. Dilema *neti neti* (negação) / *iti iti* (afirmação) de Yājñavalkya
    1. Unidade como qualidade transcendente (negação do Múltiplo)
    2. Unidade como qualidade imanente (afirmação do Múltiplo como o Um)
  5. Três posições na tradição vedântica e neoplatónica
    1. Advaita Vedānta (Śaṅkara) e Porfírio: negação da realidade do Múltiplo (*neti neti* ou *māyāvāda*)
    2. Viśiṣṭādvaita (Rāmānuja) e Jâmblico: afirmação do Múltiplo como transformação qualificada do Um (*iti iti* ou *pariṇāmavāda*)
    3. Bhedābheda (Bhāskara e Nimbārka) e Plotino: diferença e não-diferença, com o sistema multinível de Plotino acomodando todas as três visões
  6. Rejeição da predicação e teologia negativa
    1. Brahman e o Um descritos através de negações (sem limites, sem partes, sem forma)
    2. Fórmula *neti neti* (não isto, não isto) de Yājñavalkya e sua equivalência em Plotino (“o não-isto”)
    3. Referência ao absoluto através do pronome demonstrativo neutro “aquilo” (*tat* em sânscrito, *ekeino* em grego)
  7. Doutrina da transformação versus doutrina da ilusão
    1. Heráclito e a transformação contínua do Um
    2. Estratificação metafísica de três níveis em Plotino (Um-Mente-Alma) versus modelo binário upaniṣádico (Brahman-Múltiplo)
    3. Imagens da transformação: comparação com uma fonte de luz e seus raios no Brahma Sūtra e em Bhāskara, e com a radiação solar em Plotino
    4. Dynamis (em Plotino) e śakti (no Vedānta) como energia potencial do Um
    5. Síntese de Rāmānuja: o poder do Um procede sem se separar verdadeiramente, como os raios da lua

- Imagética do Múltiplo

  1. Aplicação da doutrina pura da ilusão ao nível mais baixo da realidade (matéria)
    1. Matéria como não-ser, fantasma, sombra e imitação em Plotino
    2. Prakṛti como māyā (ilusão) no Śvetāśvatara Upaniṣad
    3. Metáforas comuns: fantasma, truque de magia, espelho
  2. Imagética fértil na tradição grega e indiana
    1. Sonho de uma sombra em Píndaro e Plotino
    2. Reflexo inconsciente da contemplação da Alma do Mundo em Plotino e o mundo como sonho de Viṣṇu ou efeito colateral da meditação de Śiva
    3. Universo como dança de uma divindade cósmica em Plotino
  3. Tendência pantesteísta e panteísta
    1. Declarações panteístas nos Upaniṣads (e.g., Chāndogya Upaniṣad: “todo este mundo é Brahman”)
    2. Imagética do Puruṣa Cósmico (Pessoa Cósmica)
    3. Plotino herda a visão platónica e estoica do mundo como organismo vivo
    4. Alma do Mundo em Plotino: contém o universo, mas sua aspect superior permanece transcendente, tal como o Ser Único no Kaṭha Upaniṣad existe dentro e fora de todas as coisas
  4. Doutrina da onipresença
    1. Brahman como “o abraçador único de tudo” (Śvetāśvatara Upaniṣad) e a presença instantânea everywhere do divino em Plotino
    2. Colapso dos níveis no Um: tudo está contido no Um, tal como nada é distinto de Brahman no Brahma Sūtra

- Formulações Paradoxais

  1. União das abordagens transcendente e imanente através de contradições bipolares
    1. Exemplos upaniṣádicos: “está longe e está perto”; o eu individual é diferente e não-diferente de Brahman
    2. Exemplos plotinianos: “O Um é todas as coisas e nenhuma delas”; “está presente e ausente”
  2. Contradição como modo positivo de expressão, representando a complementaridade de *neti neti* e *iti iti*
  3. Aplicação à autoidentidade humana
    1. Doutrina de que o ātman (eu) é o brahman (princípio último)
    2. O eu individual contém o universo infinito (imagens do deus Visnu adormecido e sonhando com multidões de pequenas pessoas)
    3. A força da ignorância (avidyā) nubla a mente e cria a impressão errónea do pequeno eu

- Conhecendo o Um no Vedānta

  1. Diferenças entre a posição do Brahma Sūtra (bhedābheda) e o Advaita de Śaṅkara (não-dualismo estrito)
  2. Para Plotino, o ponto varia conforme o nível metafísico
  3. Revolução upaniṣádica nos métodos espirituais: conhecimento especial (jñāna) substitui ou subordina sacrifício, estudo e ascetismo
  4. Conhecimento ganho por introspeção e meditação direta, não por meios tradicionais
  5. Dissolução do karma passado e fim do renascimento upon conhecimento de Brahman
  6. Para Śaṅkara, a alma individual desaparece no Um; para o Brahma Sūtra, mantém uma individualidade eterna semelhante à de um deus
  7. Natureza não cognitiva e não dual deste conhecimento (parā vidyā), que anula todo conhecimento ordinário (aparā vidyā)
  8. Paradoxo do conhecimento: Brahman é o conhecedor em todos os atos de conhecer, tornando circular a ideia de conhecê-Lo
  9. Doutrina tripartida característica do pensamento da Idade do Ferro: identidade do eu com o ultimate, esquecimento dessa natureza, e reconhecimento que aniquila o conhecimento ordinário

- Conhecendo o Um para Plotino

  1. Ato de conhecimento como autoconhecimento primal, onde sujeito e objeto são um
  2. Oposição ao conhecimento ordinário (consciência de um outro)
  3. O conhecimento não dual já está presente; é uma questão de remover a noção falsa (como em Śaṅkara)
  4. Dificuldade devido à ontologia de três níveis de Plotino: a realização plena pode significar identidade com a Mente Universal ou com o Um ultimate
  5. O Um como Eu Supremo (autos), caracterizado pela simplicidade e autoidentidade
  6. Requer a cessação do raciocínio e do intelecto
  7. Não pode ser conquistado pela vontade; deve-se esperar tranquilamente pela sua aparição
  8. Terminologia órfica: “despertar para si mesmo”

- O Indivíduo e o Todo em Plotino

  1. Alma como continuum dinâmico capaz de se adaptar aos diferentes modos de ser (Alma, Mente, Um)
  2. Natureza anfíbia do ser humano: imanente e transcendente
  3. Alma composta por uma parte mutável (encarnada) e uma parte imutável (eterna)
  4. Queda na matéria e encarnação em corpos sucessivos, sujeita ao karma e ao renascimento, até à libertação
  5. Cinco camadas de consciência/corporiedade em Plotino e na Taittirīya Upaniṣad
  6. Realização da identidade com a Alma Superior e transcendência da mudança e do karma
  7. Passo adicional para a identidade com a Mente Universal, o abode natural da alma onde existe em unidade e diferença
  8. Eco do modelo órfico da Queda e Salvação: a alma tem uma afinidade com a Mente, sua casa original, e deve recordar a sua verdadeira natureza
  9. O eu, quando identificado com o princípio superior, é todo o universo e o seu criador ou essência interior
  10. Passagem que exemplifica a interpenetração dos estilos de pensamento grego e indiano: tornar-se o Todo ao afastar o não-Ser (o elemento alienígena da matéria), realizando o que sempre se foi
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