helenismo:medio-platonismo:medio-platonistas-brehier

Médio-platonistas (BRÉHIER)

GAIUS, ALBINUS E APULEIO. NUMENIUS

Vários manuscritos nos conservaram, sob o nome de Alcinoo, uma Introdução aos dogmas de Platão; como Freudenthal demonstrou, a obra é, na verdade, de Albino, o platônico que foi professor de Galeno em Esmirna em 152, depois de ter sido aluno de Gaio em Atenas. Por outro lado, M. Sinko mostrou que Apuleio, que residiu em Atenas por volta de 140, redigiu seu tratado Sobre o dogma de Platão com base no mesmo curso de Albinus, ou seja, no de Gaius. Vê-se, nessas duas obras, como Gaius se viu obrigado a inserir os temas do ensino platônico no quadro que se tornou tradicional, lógico, físico e ético; encontramos um mundo eterno, um deus transcendente cuja natureza é determinada por duplas negações (nem mau, nem bom; nem qualificado, nem sem qualidade) à maneira do Um de Parmênides de Platão, e que é conhecido seja pelo método da abstração, seja pelo método da analogia.

A partir dos fragmentos que restam da obra dos platônicos do final do século II, Sévère, Atticus, Harpocration, Cronius e, sobretudo, Numénius, pode-se concluir que, em suas grandes linhas, a representação neoplatônica do mundo está totalmente definida. Numério, na época dos Antoninos, escreveu um livro para refutar a opinião de Antíoco, que assimilava Platão aos estoicos, e para reivindicar a autonomia do platonismo que, como Filo, ele aproximava de Moisés. Conhece-se sua teoria dos três deuses: no topo, a inteligência primeira (ou Bem em si), criadora dos inteligíveis; abaixo, o demiurgo, criador do mundo sensível; e, finalmente, o mundo, o terceiro deus; não há nada aí além de uma interpretação do Timeu. Também se conhece, por Proclo, sua crença em um Hades celestial, no meio do qual ele descreve a ida e vinda das almas.

helenismo/medio-platonismo/medio-platonistas-brehier.txt · Last modified: by 127.0.0.1