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Plutarco
Plutarco, filho de Netório, como primeiro mestre de Proclo em Atenas
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Combinava-se, em Atenas, o ensino das doutrinas de Aristóteles com as de Platão, devido a uma longa tradição ininterrupta, enquanto em Alexandria e na Síria o platonismo tinha importância quase exclusiva.
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Os estudos literários, centrados na retórica, equilibravam felizmente o espírito de especulação excessiva e restabeleciam um equilíbrio intelectual nos espíritos dedicados à alta cultura.
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O ensino de Plutarco era reconhecido como ponderado e relativamente moderado, imprimindo essa característica na escola de Atenas.
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O princípio metodológico que dominava o seu ensino era o de que o estudo das obras de Aristóteles, especialmente as de lógica, era a preparação necessária para o estudo e a compreensão das doutrinas de Platão.
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“Antes de chegar à mistagogia de Platão, era necessário ser iniciado nos pequenos mistérios.”
O convívio assíduo com o espírito de Aristóteles gerava o senso de rigor, a retidão no raciocínio, a aversão ao sofisma, o gosto pela ordem lógica e a inclinação à forma dedutiva e silogística da demonstração.As cinco hipóstases ou princípios fundamentais na doutrina de Plutarco
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Plutarco não se afastou dos princípios da escola neoplatônica, estabelecendo uma hierarquia de cinco princípios ou hipóstases primeiras e originárias dos seres.
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“As hipóstases primeiras e originárias dos seres compreendem as hipóstases divinas e separadas e aquelas que aparecem nas próprias coisas.”
O primeiro princípio era Deus, o Uno.O segundo princípio era a razão (o nous).O terceiro princípio era a alma.O quarto princípio eram as formas imanentes nas coisas materiais, ou seja, a natureza.O quinto princípio era a matéria considerada separada da forma.-
“A quarta hipótese concerne à forma na matéria; a quinta, à matéria, na qual se fundamentam as outras coisas a partir do uno.”
As faculdades da alma humana e suas relações segundo Plutarco
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A alma humana possuía várias faculdades ligadas entre si, sendo a percepção sensível ligada à razão, embora distinta, porque a consciência que acompanha necessariamente a sensação era um ato da razão.
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A consciência era produto da opinião (doxa), que era o grau inferior da razão e formava o elo intermediário entre a sensação e a razão pura.
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A imaginação era distinta tanto da razão quanto da percepção sensível.
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“As espécies animais inferiores são desprovidas de imaginação, enquanto os corpos celestes possuem a sensação.”
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“A imaginação é distinta da razão.”
A imaginação nascia do movimento causado pela sensação, que retinha a forma do objeto sensível; a imaginação era a aplicação ou atenção da alma a essa forma sensível remanescente na sensação.-
“A imaginação é definida como o movimento da alma despertada sem descontinuidade pela sensação em ato.”
A imaginação possuía duas formas: um limite inferior que tocava a razão discursiva e um limite superior que tocava as sensações, sendo a parte superior da sensação.-
“Plutarco considera a imaginação dupla: por uma extremidade, ela termina na faculdade superior, ou seja, começa onde termina a razão discursiva; pela outra extremidade, termina nos sentidos, dos quais forma o cume.”
A imaginação era comparada a um ponto de encontro entre duas linhas, podendo ser considerada simultaneamente una e dupla.-
“Do mesmo modo, a imaginação pode ser considerada como una e como dupla, porque, de um lado, ela reúne na unidade o objeto sensível que é dividido e, de outro lado, representa e exprime, por imagens e formas diversas, as coisas divinas que são simples e indivisíveis.”
A natureza e os modos da razão (nous) na psicologia de Plutarco
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A razão era distinta e separada da imaginação e da sensação, mas todo saber tinha nela seu fundamento e princípio.
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A razão possuía uma essência separável, incorpórea e indivisível, sendo essa a única hipótese verdadeira, inclusive para a razão no homem.
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“Plutarco não admite as definições de Alexandre e estima que há várias e diferentes maneiras de conceber a razão.”
A razão humana era una e possuía em si todas as formas e toda a ciência das coisas.O termo razão (nous) era suscetível de vários sentidos.-
O primeiro sentido era o da razão possuída (kath'hexin), como nas crianças, que possuíam os logos das coisas, e a alma que possuía essa razão sabia tudo.
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“As crianças ignoram as coisas porque para conhecê-las é preciso um estudo, mas esse estudo é apenas uma reminiscência.”
O segundo sentido era o da razão simultaneamente em posse e em ato (kath'hexin hama kai energeian), como no homem feito.O terceiro sentido era o da razão puramente em ato (kat'energeian monon nous), sendo a razão que vem de fora, a razão perfeita, a razão divina.Plutarco não acreditava numa dualidade da razão em nós, considerando-a una e simples, pensando ora sim, ora não, sendo essa a razão humana no sentido aristotélico.-
“Plutarco, cuja opinião compartilhamos, não crê que haja em nós uma razão dupla, mas uma simples; e esta simples, ele não diz que pensa sempre, mas que pensa às vezes.”
A razão, para se colocar em ato, precisava da imaginação; destruída a imaginação, a razão não pensava mais, pois não podia pensar por si mesma.-
“A causa disso é que ela (a razão) opera com a imaginação; e, uma vez destruída aquela, ela já não opera por causa daquela e não por si mesma.”
Por uma parte de si mesma ligada à imaginação e ao corpo, a alma conhecia as coisas unidas à matéria; pela parte livre, conhecia as coisas imateriais.-
“Pelo imaterial, as coisas imateriais são conhecidas; pelo material, as coisas materiais.”
Sob seus dois modos de atividade, a alma, pensante e não pensante, escapava da morte e era imortal.-
“Alguns, como Xenócrates e Espeusipo entre os antigos, e Jâmblico e Plutarco entre os modernos, imortalizam até a parte irracional.”
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