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Platonismo e Aristotelismo em Nicolau de Cusa

Genèses de la Modernité, Maurice de Gandillac

  • Contexto das Fontes e Conhecimento do Grego
    • No mundo latino medieval, o conhecimento do grego era raro e o acesso aos diálogos de Platão limitava-se, em grande parte, ao Timeu na versão de Calcídio.
    • Nicolau de Cusa conhecia mal os diálogos originais, citando-os raramente e de forma aproximada, como ocorre com o Mênon no De venatione sapientiae.
    • Ele dependia fortemente de versões latinas, como as de Moerbecke para as obras de Proclo e as de Traversari para o Pseudo-Dionísio.
    • Proclo e o Pseudo-Dionísio foram suas fontes essenciais para o conjunto de doutrinas que ele atribuía aos platonici.
    • O conhecimento de Aristóteles tornou-se mais direto após 1450, ao utilizar a versão de Bessarion, embora suas citações permanecessem imprecisas ou conciliadoras.
  • Cosmologia, Física e Rompimento com a Escolástica
    • Nicolau rompeu com princípios da física aristotélica, como a divisão radical entre a mecânica celeste e a sublunar e a imobilidade da Terra.
    • Propôs uma visão da machina mundi onde o centro está em toda parte e a circunferência em lugar nenhum.
    • Em sua cosmologia, utilizou a figura P (figura paradigmatica) para representar a influência cruzada da luz (Unidade/Deus) e da sombra (Alteridade/Nada) sobre as criaturas.
    • Recorreu ao atomismo de Epicuro para criticar a ideia de que os astros teriam uma função reitora absoluta sobre o mundo terrestre.
    • Suas análises geométricas ajudaram a sugerir a “coincidência dos opostos”, identificando a identidade entre o máximo e o mínimo no infinito.
  • A Conciliação entre as Escolas e o Espírito Universal
    • Nicolau buscou conciliar as oposições entre Platão e Aristóteles, vendo em cada filosofia uma aproximação positiva da verdade única.
    • No diálogo De mente, sugeriu que a “alma do mundo” de Platão e a “natureza” de Aristóteles referem-se ao mesmo spiritus universorum divino.
    • Criticou ambas as escolas por ignorarem que, na onipotência divina, o querer coincide com a execução, sem necessidade de intermediários.
    • Embora elogiasse Aristóteles como agudo, acusou a “seita aristotélica” de se prender excessivamente ao princípio da não-contradição, dificultando o acesso à teologia mística.
  • Ontologia e os Limites do Conhecimento
    • Nicolau utilizou a teoria dos signos para mostrar que o infinito escapa a qualquer captura por conceitos sensíveis.
    • Viu em Aristóteles o mérito de descrever a quiddidade (essência) das coisas como algo “sempre buscado, nunca encontrado”.
    • No De non aliud, reinterpretou o Primeiro Motor de Aristóteles como possuindo uma virtus infinita participada por todo o universo.
    • Para Nicolau, a sabedoria é a pastagem do intelecto, e os signos humanos permanecem inerentemente conjecturais e inaptos para dizer o indizível.
  • Atividade Política e o Conceito de Concordância
    • No De concordantia catholica, Nicolau apresentou uma visão federativa do Império e da Igreja, sem privilégios absolutos para Roma.
    • Sua teoria do pacto social e do consenso aproximava-o da ideia de que a autoridade deve ser exercida segundo o acordo dos fiéis.
    • Enfatizou a harmonia entre as partes e o todo através da imanência global do “espírito” no corpo social.
    • Atuou como mediador e legado pontifício, buscando a união entre as igrejas do Ocidente e do Oriente.
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