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III
IAMBLICHUS. The exhortation to philosophy. Thomas M. Johnson. Grand Rapids, Mich: Phanes Pr, 1988.
- Forma exortativa pitagórica baseada no uso de máximas métricas e harmônicas, exemplificada nos Versos de Ouro e outros poemas, que visam conduzir o discípulo à vida divina por meio de disciplina, meditação e amor às coisas belas.
- As máximas exortam a todas as disciplinas e estudos nobres, sem poupar esforços, e a uma aspiração à virtude que transcende a natureza humana e se aproxima da essência divina.
- A sabedoria teórica ou contemplativa (theoria) é incentivada através do conhecimento da ordem dos deuses imortais e dos homens mortais, da lei que rege a separação e união de todas as coisas, e da uniformidade da natureza em todas as espécies.
- Este conhecimento teórico possui um poder admirável de despertar o desejo genuíno pela filosofia contemplativa, pois o conhecimento dos deuses constitui virtude, sabedoria e felicidade perfeita, assimilando-nos a eles, enquanto o conhecimento dos homens fornece virtudes humanas e habilita para a vida prática.
- Ensina-se ainda, de modo mais admirável, a lei pela qual o princípio divino em cada um ascende sem obstáculos ou é impedido pelas correntes corpóreas.
- Exortação fundada no caráter voluntário e deliberado da vida humana, evidenciando que o homem é o próprio autor de seus males e possui o poder inerente de escolher o bem e evitar o mal.
- Pitágoras afirma que escolhemos nosso próprio destino, somos nossa própria sorte e forjamos nossa felicidade, cabendo-nos eleger apenas o que é belo e digno por si mesmo.
- Os bens estão próximos e são connatos à nossa alma, mas os homens, cegos e surdos pelos sentidos, não os percebem, até serem despertados de sua letargia fatal para a vida intelectual, na qual somente o intelecto vê e ouve tudo.
- A libertação dos males, que poucos sabem como efetuar, exorta a uma separação do corpo e a uma vida da alma per se, independente das condições corpóreas, denominada meditação da morte.
- Exortação baseada no desprezo e aversão aos males, que trazem violência, imprudência, leviandade, inconstância e, sobretudo, o indefinido e desordenado, os quais devem ser vigorosamente evitados.
- Revelação da natureza humana dupla: uma forma alienígena e geradora (genesíurga), chamada de “contenda connata” ou “companheira” que lesa secretamente, e outra, nossa natureza essencial e divina.
- Conselho para descartar essa contenda connata e acolher, em seu lugar, a energia intelectual harmônica e uniforme, que traz o bem e o princípio de salvação, assumindo a vida principal e mais perfeita.
- Exortação à perfeição divina e à melhor condição de vida, que nos coloca em comunhão com os deuses, combinando preces e invocações, especialmente a Zeus, com a manifestação clara do daimon alocado a cada um.
- Ninguém pode ascender ao que é essencialmente divino sem utilizar esse gênio (daimon) mediador, por meio do qual o amante dos deuses é genuinamente purificado.
- A ele devemos primeiramente a libertação dos males inerentes à geração e, em segundo lugar, o verdadeiro conhecimento do caráter da vida divina e feliz, pelo qual ascendemos e contemplamos a raça principal e divina dos homens.
- Exortação final a uma mudança nos hábitos da alma e a um retorno à vida per se, pela qual a alma se liberta do corpo e de suas paixões, restaurando-se à ordem divina.
- Reconhecimento da primazia do intelecto (nous) como melhor condutor da alma, preservando a semelhança com os deuses.
- Se abandonarmos o corpo e passarmos à região etérea, trocando a natureza mortal pela vida imortal, seremos restaurados ao circuito divino que nos era próprio antes da descida à forma humana.
- O método dessas exortações conduz, portanto, a todas as espécies de bens e a todas as formas da vida superior.
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