Enéada I, 2, 5 — O estado da alma que se propõe a separar-se do corpo
MacKenna
5. Assim chegamos ao escopo da purificação: a qual compreendida, a natureza da Semelhança se torna clara. A Semelhança a que Princípio? Identidade com que Deus?
A questão é substancialmente esta: até onde a purificação expurga as duas ordens de paixão — raiva, desejo e afins, com tristeza e sua espécia — e em que grau de desengajamento do corpo é possível.
Desengajamento significa simplesmente que a alma retira-se para seu próprio lugar.
Se manterá a si mesma acima de todas as paixões e afecções. Prazeres necessários e toda a atividade dos sentidos empregará somente como remédio e alívio caso seu trabalho seja impedido. A dor ela pode combater, mas, falhando a cura, a suportará dócil e facilmente pela recusa a assenti-la. Toda ação apaixonada verificará: a supressão será completa se assim for possível, mas no pior dos casos a Alma nunca se incendiará mas manterá o involuntário e descontrolado fora de seus domínios e raros e fracos nessa condição. A Alma nada tem a sofrer, embora sem dúvida o involuntário tem algum poder aqui também: o medo deve cessar, exceto até quanto é puramente supervisório. Que desejo possa haver nunca pode ser pelo vil; mesmo o alimento e a bebida necessária a restauração residirá fora da atenção da Alma, e não menos o apetite sexual: ou se tal desejo deve haver, se voltará para as reais necessidades da natureza e estar inteiramente sob controle; ou se qualquer movimento descontrolado tem lugar, ele não alcançará além da imaginação, sendo nada mais que um capricho passageiro.
A Alma ela mesma estará inviolavelmente livre e estará trabalhando para estabelecer a parte irracional da natureza acima de todo ataque, ou se assim não possa ser, então pelo menos preservá-la de violento assalto, de maneira que qualquer ferimento que sofra possa ser leve e ser curado de pronto pela virtude da presença da Alma, assim como um homem vivendo próximo a um Sábio se beneficiará pela vizinhança, seja em se tornando sábio e bom ele mesmo ou, por vergonha, nunca se aventurando qualquer ato o qual a nobre mente desaprovaria.
Não haverá nenhuma batalha na Alma: a mera intervenção da Razão é suficiente: a natureza inferior ficará em tal reverência da Razão que pelo menor movimento que tenha feito ficará triste, e censurará sua própria fraqueza, em não ter se mantido submisso e quieto na presença de seu senhor.
