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Desprezo pelo corpo

LIFE OF PLOTINOS, Porphyry (translation Guthrie)

I. PLOTINO, COMO PORFÍRIO, DESPREZAVA SUA NATUREZA FÍSICA, MAS UMA IMAGEM DELE FOI PRESERVADA.

O filósofo Plotino, que viveu recentemente, parecia envergonhado de ter um corpo. Consequentemente, ele nunca falava sobre sua família ou sua casa (Lycopolis, agora Syput, na Tebaida, no Egito). Ele nunca permitiu que ninguém o imortalizasse em um retrato ou estátua. Um dia, quando Amelius lhe pediu para permitir que fosse feita uma pintura dele, ele disse: “Não é suficiente para mim ter que carregar essa imagem, na qual a natureza nos encerrou? Devo, além disso, transmitir à posteridade a imagem dessa imagem como digna de atenção?” Como Amélio nunca conseguiu fazer com que Plotino reconsiderasse sua recusa e consentisse em posar, ele pediu a seu amigo Carterius, o pintor mais famoso da época, que assistisse às palestras de Plotino, que eram gratuitas para todos. Ao contemplar Plotinos, Carterius encheu sua imaginação com as feições de Plotinos, a ponto de conseguir pintá-las de memória. Seguindo seu conselho, Amelius orientou Carterius nesse trabalho, de modo que o retrato ficou muito parecido. Tudo isso ocorreu sem o conhecimento de Plotino.

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