Espelho interior
Parece que haverá percepção interior, que essa percepção se realizará, se o ato de pensar for refratado, se a atividade do Espírito for, de certa forma, devolvida em sentido inverso, refletindo-se no centro da alma, como uma imagem se reflete em um espelho, quando sua superfície polida e brilhante está imóvel. Neste último caso, se o espelho estiver lá, a imagem se produz; mas se não houver espelho, ou se ele não estiver em boas condições, o que poderia se refletir nele não deixa de existir realmente. O mesmo se aplica à alma: se esse espelho interior, onde aparecem os reflexos da nossa razão e do Espírito, não estiver agitado, esses reflexos são então visíveis; conhecemo-los conscientemente, ao mesmo tempo que já sabemos que se trata de atos da razão e do Espírito. Mas se esse espelho interior estiver quebrado porque a harmonia do corpo está perturbada, a razão e o Espírito continuam sua ação sem se refletir nele. (I 4, 10, 6)
