Preconcepção (prolepsis)
RSPC
Simplicius (De Anima 126,1-16)
Pois a percepção abrange indivisivelmente o começo, o meio e o fim do objeto sensível, e é uma atividade, sendo um juízo perfeito (krisis) e permanecendo pronta como um todo no instante à forma (eidos) do objeto sensível. Esta forma não se impõe como um selo sobre a cera (o que não é próprio da vida), nem se aprofunda (e muito menos se coloca com uma atividade cognitiva), mas é projetada (proballomenon) de dentro pelo conceito de objetos sensíveis que é preconcebido (proeilemmenos logos) na alma. (Não é a alma que dá vida ao órgão como órgão, mas a que o utiliza quando já está vivo, para que, transcendendo o corpo, possa agir indivisivelmente e ter conhecimento dos objetos sensíveis.) O conceito é um, mas não segundo a unidade contraída nas coisas individuais, mas como se adequando a cada uma delas de modo apropriado segundo a unidade formal que abrange causalmente todos os indivíduos. Pois a alma percebe (aisthanesthai) todas as coisas brancas particulares de acordo com aquele conceito; pois o que julga (krinein) é a alma pelo contato apropriado daquilo que é conhecido, e é apropriado porque a alma tem em sua substância um preconceito (prolepsis) da mesma propriedade . Portanto, a alma torna-se como seus objetos sensíveis não por receber algo deles, mas por ser ativa de acordo com o conceito que lhes é apropriado. Agora que isso foi determinado em geral de toda percepção sensorial, devemos prosseguir para o que se segue.
