neoplatonismo:proclo:daemon
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| + | ===== Dæmon ===== | ||
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| + | * Divisão metodológica do discurso | ||
| + | * Primeiro: sobre daemones em geral | ||
| + | * Segundo: sobre os daemones alocados aos humanos em comum | ||
| + | * Terceiro: sobre o daemon de Sócrates | ||
| + | * Princípio: começar do universal, proceder ao individual (modo natural, adaptado à ciência) | ||
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| + | * Origem e natureza geral dos daemones | ||
| + | * Subsistência primeira derivada da deusa vivífica (Rhea/ | ||
| + | * Essência caracterizada pela alma (empsychos ousia) | ||
| + | * Hierarquia interna: | ||
| + | * Ordem superior: mais intelectual, | ||
| + | * Ordem média: mais racional | ||
| + | * Terceiro grau (extremo da ordem daemônica): | ||
| + | * Distribuição conjunta com os deuses: potência ministrante à divindade | ||
| + | * Subserviência dupla: | ||
| + | * Aos deuses libertados (apolytoi theoi): líderes dos todos anteriores ao mundo | ||
| + | * Aos deuses mundanos (kosmikoi theoi): presidem proximamente sobre partes do universo | ||
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| + | * Divisão e função dos daemones em relação aos deuses | ||
| + | * Uma divisão segundo os doze deuses supercelestes | ||
| + | * Outra segundo todos os idiomas (idiotetos) dos deuses mundanos | ||
| + | * Cada deus mundano é líder de uma ordem daemônica, impartindo sua potência próxima (demiúrgica, | ||
| + | * Multidão inumerável de daemones ao redor de cada divindade, dignificados com os mesmos nomes que seus deuses líderes (Júpiter, Apolo, Hermes, etc.) | ||
| + | * Regozijam-se ao ser chamados por esses nomes, expressando idioma de suas divindades próprias | ||
| + | * Através deles, naturezas mortais participam de influxos divinos; animais e plantas fabricados, carregando imagens de diferentes deuses | ||
| + | * Daemones impartem proximamente as representações de seus líderes; deuses presidem supernalmente de modo isento | ||
| + | * Simpatia universal: representações dos primeiros vistas nos últimos, causas dos últimos compreendidas nos seres primários | ||
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| + | * Função mediadora dos daemones | ||
| + | * Geração média de daemones dá complemento aos todos, liga e conecta sua comunhão | ||
| + | * Participam dos deuses, são participados por naturezas mortais | ||
| + | * Timeu estabelece centros da ordem do universo em daemones; Diotima atribui-lhes ordem de ligar naturezas divinas e mortais | ||
| + | * Atividades: deduzir sonhos supernais, elevar naturezas secundárias aos deuses, completar todos através da conexão de um meio | ||
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| + | * Refutação de concepções errôneas sobre daemones | ||
| + | * Não são almas de homens que mudaram a vida presente (natureza daemônica por hábito vs. essencial) | ||
| + | * Guarda daemônica subsiste sempre a mesma, conecta os todos mundanos; alma não mantém sempre sua ordem (escolhe vidas diferentes) | ||
| + | * Não fazer certos deuses (deuses errantes) serem daemones (como Amélio); seguir Platão: deuses como governantes, | ||
| + | * Preservar doutrina de Diotima: ordem média entre todas as naturezas divinas e mortais atribuída a uma essência daemônica | ||
| + | |||
| + | * Hierarquia dos daemones alocados à humanidade (seis ordens) | ||
| + | * Primeira (mais alta): daemones divinos, frequentemente aparecem como deuses por similitude transcendente; | ||
| + | * Segunda: participam de um idioma intelectual, | ||
| + | * Terceira: distribuem produções de almas divinas a naturezas secundárias, | ||
| + | * Quarta: transmitem potências eficazes de naturezas totais a coisas geradas e corruptíveis, | ||
| + | * Quinta: corpóreos, ligam extremos em corpos; domínio sobre bens corpóreos, provisão para prerrogativas naturais | ||
| + | * Sexta: revolvem-se em torno da matéria, conectam potências que descem da matéria celestial à sublunar, guardam perpetuamente essa matéria, defendem representação sombria das formas que contém | ||
| + | |||
| + | * Daemones e almas humanas | ||
| + | * Daemones divinos (os mais altos) conjunam almas procedentes de seu pai a seus deuses líderes; toda alma requer um daemon deste tipo | ||
| + | * Daemones de segunda classe presidem ascensos e descensos das almas; daí almas da multidão derivam suas eleições (escolhas de vida) | ||
| + | * Almas perfeitas (vida conforme deus presidencial) vivem segundo um daemon divino que as conjuntou à sua divindade no alto (ex.: sacerdote egípcio admira Plotino) | ||
| + | * Almas imperfeitas: | ||
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| + | * Distinção entre daemon e alma racional humana | ||
| + | * Daemon diferente do homem (Diotima coloca daemones entre deuses e homens; Sócrates opõe natureza daemônica à humana) | ||
| + | * Homem é alma usando o corpo como instrumento; | ||
| + | * Referência ao Timeu: intelecto tem em nós relação de daemon (apenas por analogia) | ||
| + | * Diferença entre daemon segundo essência e daemon segundo analogia ou hábito (kata schesin) | ||
| + | * Daemon essencial definido por cume ou flor da essência (hyparxis), potências apropriadas, | ||
| + | * Alma racional chamada daemon do animal no Timeu; investiga-se o daemon do homem, que governa a alma racional, conduz à julgamento após morte | ||
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| + | * Refutação de identificações incorretas do daemon | ||
| + | * Não é parte da alma (razão, irascível, desejativo) – opõe divisão de Sócrates na República (deuses, daemones, heróis, homens) | ||
| + | * Não é intelecto parcial ou no extremo da ordem intelectual (confunde idioma intelectual com essência daemônica; daemones subsistem na extensão das almas, próximos a almas divinas) | ||
| + | * Alma goza intelecto apenas quando se converte a ele; experiência cuidado presidencial daemônico por toda vida, em tudo que procede do destino e da providência | ||
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| + | * Função providencial do daemon alocado | ||
| + | * Governa toda vida, cumpre eleições prévias à geração, dons do destino e deuses presidindo o destino | ||
| + | * Fornece e mede iluminações da providência | ||
| + | * Como almas, suspensos do intelecto; como almas usando corpo, requerem auxílio de daemon | ||
| + | * Intelecto é governador da alma (Fedro); daemon é inspetor e guardião da humanidade | ||
| + | * Única e próxima providência de tudo pertinente a nós: move, governa, dispõe ordenadamente todos nossos assuntos | ||
| + | * Perfecciona razão, mede paixões, inspira natureza, conecta corpo, fornece coisas fortuitas, cumpre decretos do destino, imparte dons da providência | ||
| + | * Rei de tudo em e ao nosso redor, piloto de toda nossa vida | ||
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| + | * Três considerações sobre o daemon de Sócrates | ||
| + | * Primeira: não apenas classifica como daemon, mas também como deus (referência ao diálogo: "o deus ainda não me dirigiu" | ||
| + | * Daemones de almas divinas que escolhem vida intelectual e anagógica são divinos, transcendem todo gênero daemônico, primeiros participantes dos deuses | ||
| + | * Por sua transcendência sobre outros daemones, frequentemente aparecem como deuses | ||
| + | * Segunda: Sócrates percebeu uma voz (phone) procedente de seu daemon (Teeteto, Fedro, Theages) | ||
| + | * Sinal (semeion) do daemon | ||
| + | * Explicação: | ||
| + | * Voz reconhecida mais por consciência (synaisthesis) que pelo sentido | ||
| + | * Terceira: peculiaridade do daemon de Sócrates – nunca exortava, apenas recordava (apotreptikos, | ||
| + | * Referência à vida socrática: disposição benéfica e filantrópica, | ||
| + | * Inaptidão de ouvintes, oculta à sagacidade humana, requer discriminação daemônica; conhecimento de oportunidades favoráveis | ||
| + | * Sócrates impelido naturalmente ao bem, necessitava ser recordado em impulsos inoportunos | ||
| + | * Daemon de Sócrates de poder catártico e fonte de vida indefectível, | ||
| + | * Separava Sócrates de comércio excessivo com o vulgo, conduzia às profundezas de sua alma, energia indefectível por naturezas subordinadas | ||
| + | * Recordar = retirar da multidão para energia interior; peculiaridade da purificação | ||
| + | * Analogia órfica: monada apolínica sobre o rei Baco, recordando-o de progressão em multidão titânica; daemon análogo a Apolo, intelecto de Sócrates à progênie do poder de Baco | ||
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