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Proclus – Metafísica

Chaignet: LIVRO

Proclus sucedeu a Siriano na direção da escola, passando a viver na mesma casa que seus predecessores.

A atividade científica de Proclus foi extraordinária, limitada não apenas ao ensino, e o número de seus escritos é considerável.

Apesar de sua paixão pela filosofia especulativa, Proclus reconhecia os limites da inteligência humana diante das causas últimas.

A filosofia, nascida do espanto, é o conhecimento racional do sistema universal dos seres.

O caminho para possuir a ciência universal começa pelo estudo das coisas sensíveis, elevando-se até as Ideias e, depois, às causas das próprias Ideias.

A verdadeira filosofia é a dialética, que é a lógica interna das próprias coisas, comportando três momentos metodológicos.

As regras que determinam o método de ensino da filosofia, segundo Proclus, incluem tomar como axioma a verdade plena da filosofia de Platão.

A paixão lógica leva Proclus a confundir ou parecer confundir a lógica com a metafísica, sugerindo que as leis do espírito revelam a natureza das coisas.

Proclus estabelece uma relação inversa entre a força, o conteúdo e a qualidade de uma ideia e sua extensão ou quantidade.

A ideia dominante do neoplatonismo, a ideia de processão, complica o sistema, sendo um desenvolvimento que é um enfraquecimento gradual.

B. Do Um e das Henades.

Fiel à tradição neoplatônica, Proclus postula como primeiro e supremo princípio das coisas o Um absoluto, do qual tudo decorre e para o qual tudo se volta.

Mesmo em seu desenvolvimento interno, o Um permanece inconcebível, só podendo ser abordado por negações que, no entanto, não são privativas.

Do Um procedem as hénades, que são unidades divinas e perfeitas, as coisas mais semelhantes a ele e situadas imediatamente abaixo de Deus.

Essa primeira tríade dos inteligíveis, formada pelo limite, o ilimitado e o ser (a mistura), constitui o primeiro grau do desenvolvimento do Um.

Nesse grau, o Um se manifesta como ser em si, mas o desenvolvimento não pode parar, e esse ser em si torna-se espírito (nous).

A segunda tríade inteligível compõe-se do limite, do ilimitado e da vida, sendo a tríade da vida inteligível ou da eternidade.

Para completar o desenvolvimento do Um, ele deve tornar-se o espírito pensante (nous noeros), que conhece e concebe antecipadamente a existência de um mundo fora de si.

Da tríade intelectual, que serve de intermediário, Proclus faz proceder a tríade demiúrgica, na qual os gêneros são concebidos e as espécies e indivíduos são criados.

C. Da Fé.

Proclus afirma que o que une o homem a Deus, fazendo cessar a agitação e o movimento do ato, é a fé nos deuses, que é superior a todo conhecimento.

A fé se une com o amor e a filosofia em uma mesma tríade, sendo estados de alma e de espírito de segunda ordem, dominados por estados superiores.

D. Da Alma.

Para Proclus, a alma é uma hipóstase anterior à razão, havendo nela uma potência de luz iluminante que vem do alto, superior à razão que é a faculdade superior da alma.

A unidade no homem é Deus, sua razão é o que há de mais divino, e sua alma é divina, pois acende a luz característica da atividade no ser vivo.

Há três potências na razão: uma imparticipável (separada de todas as espécies particulares), uma participável (da qual participam as almas) e outra que reside nas almas e constitui sua perfeição.

As ideias, para Proclus, são realidades, forças que produzem por si mesmas, sendo causas separáveis e divinas das coisas.

As ideias existem cada uma em si mesma, mas se misturam e se comunicam a todos os seres sem se misturar com eles, obedecendo à lei da série.

A potência ativa das ideias sobre as coisas se exerce pela participação, que é a ação criadora que elas exercem sobre o sujeito participante.