Pia Philosophia

Retrato convencional do Quattrocento como período gracioso e nostálgico é reducionista e excessivamente influenciado por doçuras de artistas como Baldovinetti e Gozzoli. Florença de 1486, data do Commento, é cidade de correntes profundas e contradições, marcada por legado de santos como Antonino e Bernardino e pela presença iminente de Savonarola. Culto dantesco na Academia de Careggi e persistência de Alighieri em tratados de Ficino e Landino indicam que neoplatonismo conciliava em suas aspirações teologia e mística medievais. Atenção excessiva de historiadores da arte à mitologia pagã levou ao desconhecimento do papel fundamental dos religiosos neste século.

Cenáculo humanista reconstrói-se em torno de figuras monásticas.

Influência espiritual profunda na Florença de Cosme, o Antigo.

Caráter “terrível” do Quattrocento e unidade da fervor humanista.

Busca da unidade do divino e conciliação das religiões.

Papel central dos conventos como espaços de encontro intelectual.

Reavaliação da tese burckhardtiana do “enfraquecimento geral da fé”.

Gênese do sentido de diálogo a partir do Concílio de Florença (1439).

Transformação da filosofia e sua relação com a teologia.

Culto da interioridade e renovação da linguagem espiritual.