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Berger – Proclo e sua doutrina

Berger. PROCLUS, EXPOSITION DE SA DOCTRINE.

  • Posição de Proclo como herdeiro e sistematizador final da filosofia grega e do platonismo
  • Objetivo do autor (J. Simon): expor a doutrina de Proclo, reconstruir o edifício filosófico com os materiais deixados, sem julgamento comparativo ou valorativo absoluto
  • Fontes principais: Théologie selon Platon e Éléments de théologie
  • Método: reunião, comparação e discussão de passagens diversas
  • Preliminares: Existência e Natureza da Ciência Filosófica
    • Necessidade de prévia noção confusa do objeto antes de questionar existência e natureza
    • Dúvidas contemporâneas sobre possibilidade de ciência filosófica, citando ceticismo inspirado em Sócrates
    • Resposta breve de Proclo: se nada podemos saber, não podemos nem negar nem afirmar
    • Defesa da dialética platônica contra acusações de mero artefato verbal
  • Possibilidade da Alma conhecer os seres
    • Citações platônicas que afirmam capacidade da alma de ascender à contemplação dos seres e da ideia do Bem
    • Evidência para Proclo da existência da ciência filosófica
  • Definição da Ciência Filosófica por Exclusão
    • Não é conhecimento do mundo sensível (instável, enganador, fonte de desejos impuros)
    • Não é opinião (doxa) ou noções vagas aceitas pela multidão (empirismo ainda ligado à sensação)
    • Não é ciências demonstrativas como aritmética e geometria (baseadas em princípios não verificados, obscuros)
    • É um modo de conhecimento superior: intuição simples (noesis) que atinge a verdade e as essências sem análise ou síntese
    • Objeto da filosofia: o ser (to on) como causa e substância; concepção persistente e uniforme dos universais
  • Integração do Raciocínio na Filosofia
    • Filosofia como noesis meta logou (concepção com razão), após Platão
    • Necessidade do raciocínio (logos) para contemplar ordem do mundo e causa invisível
    • Aprovação da dialética inferior (de Zenão, argumentativa) e superior (de Parmênides, contemplativa)
  • Limite Superior da Filosofia: a Contemplação Entusiástica
    • Ensino platônico (de origem teológica) de uma operação da alma mais elevada que o conhecimento intelectual
    • Alma silencia interiormente, envolve-se em repouso, torna-se una para contemplar (ou ser) a unidade divina
    • Conhecimento inefável, pela virtude da Unidade; entusiasmo (enthousiasmos) superior a toda filosofia
    • Acesso a este estado requer prévia condição filosófica
  • Posição Intermediária da Filosofia no Perfeccionamento da Alma
    • Superior às ciências baseadas em princípios não verificados
    • Inferior à luz celeste inefável da união divina
    • Região média do desenvolvimento da alma
  • Preparação para a Filosofia
    • Necessidade de aptidão e preparação; loucura abordá-la sem isso
    • Olhos da alma da maioria não suportam contemplação da verdade
    • Sinais exteriores de aptidão (prática pitagórica): corpo como imagem da alma
    • Qualidades naturais do filósofo (segundo Marinus): facilidade, memória, elevação da alma, graça, amor e discernimento da verdade, justiça, coragem, temperança
    • Ruptura com vida exterior, riquezas, honras; amor ao silêncio (símbolo do desprezo pelo material)
    • Prática da virtude como condição para falar a língua dos sages
  • Papel das Matemáticas na Preparação
    • Elevam o espírito, estimulam, atraem para o ser, provocam reminiscência
    • Não informam sobre ordem e limites dos seres na Divindade, mas purificam a alma de imagens grosseiras, preparam para comunicação com a inteligência
  • Despertar da Alma: o Espanto (to thaumazein)
    • Alma purificada sacode torpor, espanta-se; primeiro sinal da vida filosófica
    • Superação da dupla ignorância (não saber e crer saber); reconhecimento da ignorância
    • Estabelecimento de relações com os universais
  • Escolha do Caminho e Crítica da Poesia
    • Poesia como primeira candidata a guia: narra história de deuses e heróis sob véu mítico
    • Argumentos contra: desfigura deuses com paixões humanas, detalhes da ficção capturam e influenciam ações, interpretação correta além das forças da juventude
    • Distinção de três gêneros de poesia correspondentes a três estados da alma:

1. Poesia entusiástica (corresponde à vida divina da alma)

    2. Poesia razoável (corresponde à vida filosófica; revela seres, anuncia inteligência, ensina virtude)
    3. Poesia de imaginação (canta para vida material; aprovada se dá imagens fiéis, proscrita se apenas busca prazer)
  * Conclusão: poesia não absolutamente boa (excluída do protótipo do Estado) nem absolutamente má (algumas formas irrepreensíveis)
  * Prática de Proclo: admite musa austéra que inspira virtude; compôs hinos e cantou Orfeu, mas desacredita poetas ao tratar das mais altas verdades
  • Condenação da Sofística
    • Rejeição energética: sofistas não têm ciência, arranjam palavras sem sentido, incapazes de expor a causa de coisa alguma
  • Aquisição do Conhecimento: Mathesis vs. Heuresis
    • Duas maneiras de tornar-se sábio: receber ciência pronta de outrem (mathesis) ou descobrir por próprias forças (heuresis)
    • Heuresis superior à mathesis; acima dela apenas revelação da verdade pelos deuses
    • Heuresis adequada à alma humana como causa verdadeira de suas ações
    • Mathesis necessária como preparação, impulso inicial, indicação do caminho e encorajamento
    • Importância da amizade (philia) pitagórica: frequência dos sages como poderoso meio educativo
    • Elogio da interrogação socrática: força exame de preconceitos, compreensão da necessidade da ciência, início do trabalho pessoal de pesquisa
  • Objeto Primeiro de Investigação: a Alma por si mesma
    • Estudo da alma por si mesma como melhor preparação para filosofia
    • Afastamento do mundo exterior, excitação do amor à verdade
    • Ponto de partida real da filosofia; intermediário para conhecimento do divino
    • Método científico: constatar operações da alma, determinar potências que possui, contemplar sua essência, remontar à concepção das primeiras causas
  • Recapitulação das Fases Preliminares
    • Retiro do mundo, triunfo sobre paixões: afastamento de obstáculos
    • Estudo das ciências racionais e classificatórias: aquisição de hábitos necessários
    • Rejeição da sedução poética e sofística: evitação do erro
    • Estudo da alma e suas potências por conselho de Apolo e dos sages
    • Ascensão progressiva: operações inferiores da alma (sensação, opinião) até o logos e a noesis (participação na inteligência)
    • Preparação final para contemplação misteriosa do Deus supremo

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