neoplatonismo:proclo:berger-proclo1-13-proclo-e-sua-doutrina:start
Berger – Proclo e sua doutrina
Berger. PROCLUS, EXPOSITION DE SA DOCTRINE.
- Posição de Proclo como herdeiro e sistematizador final da filosofia grega e do platonismo
- Objetivo do autor (J. Simon): expor a doutrina de Proclo, reconstruir o edifício filosófico com os materiais deixados, sem julgamento comparativo ou valorativo absoluto
- Fontes principais: Théologie selon Platon e Éléments de théologie
- Método: reunião, comparação e discussão de passagens diversas
- Preliminares: Existência e Natureza da Ciência Filosófica
- Necessidade de prévia noção confusa do objeto antes de questionar existência e natureza
- Dúvidas contemporâneas sobre possibilidade de ciência filosófica, citando ceticismo inspirado em Sócrates
- Resposta breve de Proclo: se nada podemos saber, não podemos nem negar nem afirmar
- Defesa da dialética platônica contra acusações de mero artefato verbal
- Possibilidade da Alma conhecer os seres
- Citações platônicas que afirmam capacidade da alma de ascender à contemplação dos seres e da ideia do Bem
- Evidência para Proclo da existência da ciência filosófica
- Definição da Ciência Filosófica por Exclusão
- Não é conhecimento do mundo sensível (instável, enganador, fonte de desejos impuros)
- Não é opinião (doxa) ou noções vagas aceitas pela multidão (empirismo ainda ligado à sensação)
- Não é ciências demonstrativas como aritmética e geometria (baseadas em princípios não verificados, obscuros)
- É um modo de conhecimento superior: intuição simples (noesis) que atinge a verdade e as essências sem análise ou síntese
- Objeto da filosofia: o ser (to on) como causa e substância; concepção persistente e uniforme dos universais
- Integração do Raciocínio na Filosofia
- Limite Superior da Filosofia: a Contemplação Entusiástica
- Ensino platônico (de origem teológica) de uma operação da alma mais elevada que o conhecimento intelectual
- Alma silencia interiormente, envolve-se em repouso, torna-se una para contemplar (ou ser) a unidade divina
- Conhecimento inefável, pela virtude da Unidade; entusiasmo (enthousiasmos) superior a toda filosofia
- Acesso a este estado requer prévia condição filosófica
- Posição Intermediária da Filosofia no Perfeccionamento da Alma
- Superior às ciências baseadas em princípios não verificados
- Inferior à luz celeste inefável da união divina
- Região média do desenvolvimento da alma
- Preparação para a Filosofia
- Necessidade de aptidão e preparação; loucura abordá-la sem isso
- Olhos da alma da maioria não suportam contemplação da verdade
- Sinais exteriores de aptidão (prática pitagórica): corpo como imagem da alma
- Qualidades naturais do filósofo (segundo Marinus): facilidade, memória, elevação da alma, graça, amor e discernimento da verdade, justiça, coragem, temperança
- Ruptura com vida exterior, riquezas, honras; amor ao silêncio (símbolo do desprezo pelo material)
- Prática da virtude como condição para falar a língua dos sages
- Papel das Matemáticas na Preparação
- Elevam o espírito, estimulam, atraem para o ser, provocam reminiscência
- Não informam sobre ordem e limites dos seres na Divindade, mas purificam a alma de imagens grosseiras, preparam para comunicação com a inteligência
- Despertar da Alma: o Espanto (to thaumazein)
- Alma purificada sacode torpor, espanta-se; primeiro sinal da vida filosófica
- Superação da dupla ignorância (não saber e crer saber); reconhecimento da ignorância
- Estabelecimento de relações com os universais
- Escolha do Caminho e Crítica da Poesia
- Poesia como primeira candidata a guia: narra história de deuses e heróis sob véu mítico
- Argumentos contra: desfigura deuses com paixões humanas, detalhes da ficção capturam e influenciam ações, interpretação correta além das forças da juventude
- Distinção de três gêneros de poesia correspondentes a três estados da alma:
1. Poesia entusiástica (corresponde à vida divina da alma)
2. Poesia razoável (corresponde à vida filosófica; revela seres, anuncia inteligência, ensina virtude)
3. Poesia de imaginação (canta para vida material; aprovada se dá imagens fiéis, proscrita se apenas busca prazer)
* Conclusão: poesia não absolutamente boa (excluída do protótipo do Estado) nem absolutamente má (algumas formas irrepreensíveis)
* Prática de Proclo: admite musa austéra que inspira virtude; compôs hinos e cantou Orfeu, mas desacredita poetas ao tratar das mais altas verdades
- Condenação da Sofística
- Rejeição energética: sofistas não têm ciência, arranjam palavras sem sentido, incapazes de expor a causa de coisa alguma
- Aquisição do Conhecimento: Mathesis vs. Heuresis
- Duas maneiras de tornar-se sábio: receber ciência pronta de outrem (mathesis) ou descobrir por próprias forças (heuresis)
- Heuresis superior à mathesis; acima dela apenas revelação da verdade pelos deuses
- Heuresis adequada à alma humana como causa verdadeira de suas ações
- Mathesis necessária como preparação, impulso inicial, indicação do caminho e encorajamento
- Importância da amizade (philia) pitagórica: frequência dos sages como poderoso meio educativo
- Elogio da interrogação socrática: força exame de preconceitos, compreensão da necessidade da ciência, início do trabalho pessoal de pesquisa
- Objeto Primeiro de Investigação: a Alma por si mesma
- Estudo da alma por si mesma como melhor preparação para filosofia
- Afastamento do mundo exterior, excitação do amor à verdade
- Ponto de partida real da filosofia; intermediário para conhecimento do divino
- Método científico: constatar operações da alma, determinar potências que possui, contemplar sua essência, remontar à concepção das primeiras causas
- Recapitulação das Fases Preliminares
- Retiro do mundo, triunfo sobre paixões: afastamento de obstáculos
- Estudo das ciências racionais e classificatórias: aquisição de hábitos necessários
- Rejeição da sedução poética e sofística: evitação do erro
- Estudo da alma e suas potências por conselho de Apolo e dos sages
- Ascensão progressiva: operações inferiores da alma (sensação, opinião) até o logos e a noesis (participação na inteligência)
- Preparação final para contemplação misteriosa do Deus supremo
neoplatonismo/proclo/berger-proclo1-13-proclo-e-sua-doutrina/start.txt · Last modified: by mccastro
