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I-20
Resumo de Saffrey e Westerink
Capítulo 20. Atributos divinos extraídos da República. 3a.
Simplicidade dos deuses.
Como premissa para a verdade dos deuses, Platão postula sua simplicidade. Essa simplicidade não é a da unidade numérica, nem a da espécie em relação aos indivíduos, nem a da forma natural, nem a da alma, nem a do intelecto, é uma simplicidade absoluta que não impede os deuses de aparecerem sob formas compostas e em movimento (p. 94.10-96.20).
É essa simplicidade absoluta que é o fundamento de toda composição nos seres produzidos pelos deuses (p. 96.21 - 97.5).
Resumo da tradução de Thomas Taylor
- Transição para a verdade (aletheia) que está nos Deuses, concluída por Sócrates: natureza divina isenta de falsidade (apseudes), não causa de engano ou ignorância
- Transcendência da verdade divina sobre outras formas de verdade
- Isenta da verdade que consiste em palavras (en logois)
- Por ser composta, misturada em certo respeito com seu contrário, subsistência consistindo de coisas não verdadeiras
- Partes primeiras não admitem verdade deste tipo (exceto interpretação alternativa do Crátilo)
- Isenta da verdade psíquica (en psychais)
- Seja em opiniões (doxai) ou ciências (epistemai)
- Por ser em certo respeito divisível, não os seres mesmos, mas assimilada e co-harmonizada com seres
- Perfeita em movimento e mutação, falta da verdade sempre firme, estável e de natureza principal
- Isenta da verdade intelectual (en noois)
- Embora subsista segundo essência e seja dita ser os próprios seres através do poder da identidade (tautotes)
- Porém, através da diferença (heterotes), separada da essência deles, preserva hipóstase peculiar não confusa
- Verdade própria dos Deuses como união indivisa e comunhão todo-perfeita
- Através dela, conhecimento inefável dos Deuses supera todo conhecimento
- Formas secundárias de conhecimento participam de perfeição apropriada
- Este conhecimento apenas dos Deuses compreende conectivamente formas secundárias e todos os seres segundo união inefável
- Modo do conhecimento divino: imediato e universal
- Deuses conhecem todas as coisas de uma vez: todos e partes, seres e não-seres, eternos e temporais
- Não como intelecto que pelo universal conhece parte, pelo ser conhece não-ser
- Conhecem tudo imediatamente: comuns e particulares, até o mais absurdo, infinito de contingências, ou matéria mesma
- Inefabilidade do modo do conhecimento e verdade divina
- Incompreensível pelas energias projetivas do intelecto humano; conhecido apenas pelos próprios Deuses
- Posição crítica sobre atribuição de omnisciência ao intelecto
- Admira por platônicos que atribuem ao intelecto conhecimento de todas as coisas (indivíduos, preternaturais, males), estabelecendo paradigmas intelectuais destes
- Maior admiração por quem separa peculiaridade intelectual da união divina
- Intelecto é primeira fabricação e progênie dos Deuses
- Atribuir ao intelecto causas totais e primeiras, e à potência dos Deuses capaz de adornar e gerar todas as coisas
- O Um em toda parte, o todo não em toda parte; matéria e todo ser participam do Um, não todos do intelecto e gêneros intelectuais
- Todas as coisas apenas dos Deuses; verdade real com eles que conhecem todas as coisas unificamente
- Manifestação da verdade divina nos oráculos
- Deuses ensinam similarmente todas as coisas: todos e partes, eternos e gerados no tempo todo
- Isentos de seres eternos e existentes no tempo, contraem em si conhecimento de cada e todas as coisas segundo verdade una unida
- Falsidade eventual em oráculos: não originada dos Deuses, mas de receptores, instrumentos, lugares, tempos
- Contribuintes à participação do conhecimento divino: quando co-adaptados apropriadamente, recebem iluminação pura da verdade; quando separados por inaptidão, obscurecem verdade que procede
- Impossibilidade de falsidade ou engano derivado dos Deuses
- Que falsidade de fornecedores de todas as espécies de conhecimento? Que engano com estabelecedores de toda verdade em si?
- Analogia com extensão do bem: Deuses estendem bem a todas as coisas, mas sempre o disposto e capaz recebe (Fedro)
- Natureza divina sem causa do mal; o que dela parte e gravita para baixo alonga-se por si
- Deuses sempre fornecedores de verdade; naturezas iluminadas por eles que são participantes legítimos
- Olho da alma na multidão não forte o suficiente para olhar à verdade (sábio Eleata)
- Celebração da verdade primordial nos Deuses pelo Hóspede Ateniense
- Verdade líder para os Deuses de todo bem, e de todo bem para os homens
- Analogia: verdade nas almas as conjunta ao intelecto; verdade intelectual conduz ordens intelectuais ao Um
- Verdade dos Deuses une as unidades divinas à fonte de todo bem, com a qual conjuntas são preenchidas de todo poder boniforme
- Função unificadora da hyparxis da verdade
- Em toda parte causa coletiva de multidão em um
- Na República, luz procedente do Bem, que conjunta intelecto com inteligível, denominada verdade por Platão
- Propriedade característica que une e liga naturezas que preenchem e são preenchidas, segundo todas as ordens dos Deuses
- Deve ser arranjada como originando supernalmente e procedendo até as últimas coisas
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