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I-24

Resumo de Saffrey e Westerink

Capítulo 24. Atributos divinos extraídos do Fedro. 3.

Beleza dos deuses.

A beleza divina, superior a qualquer outra beleza, tem a característica de tornar tudo o que é divino infinitamente amável. Por meio dela, os deuses se alegram com suas complementaridades mútuas (p. 106.5-107.2).

Ela também é reconhecida por três sinais: o gracioso (mencionado no Banquete), o luminoso (mencionado no Fedro), o que inspira o amor (também no Fedro) (p. 107.3-108.6).

Porque a beleza põe tudo em movimento, ela é o que inspira o amor; porque ela encanta o mundo, ela é graciosa; porque ela mostra externamente a natureza divina, ela é luminosa: é ela que se vê primeiro (p. 108.7-109.2).


Resumo da tradução de Thomas Taylor

  • Transição para a consideração do belo (to kalon): o que é e como subsiste primariamente nos Deuses
  • Transcendência da beleza divina
    • Denominada beleza boniforme e inteligível, mais antiga que beleza intelectual, beleza mesma e causa da beleza para todos os seres
    • Separada não apenas da beleza aparente em massas corpóreas, simetria nestas, elegância psíquica, esplendor intelectual
    • Separada também das progressões segundas e terceiras nos Deuses
    • Subsiste no lugar inteligível de observação, procede daí a todos os gêneros dos Deuses, ilumina suas unidades superessenciais e todas as essências suspensas destas unidades até os veículos aparentes dos Deuses
  • Função da beleza divina como princípio unificador e vivificador
    • Através do primeiro Bem (agathon), todos os Deuses são boniformes
    • Através da sabedoria inteligível (sophia), têm conhecimento inefável estabelecido acima do intelecto
    • Através do cume da beleza (akron tou kalou), tudo divino é amável (erasmion)
    • Daí todos os Deuses derivam beleza, preenchem-se dela, preenchem naturezas posteriores, excitam todas as coisas, agitam-nas com fúria báquica (bakcheia) sobre o amor de si mesmos, derramam supernalmente efluxão divina de beleza
  • Caracterização sumária da beleza divina
    • Fornecedora de hilaridade, familiaridade e amizade (philia) divinas
    • Através dela, Deuses unem-se e alegram-se mutuamente, admiram-se, deleitam-se em comunicação mútua e reabastecimentos recíprocos, não desertam ordem sempre alocada nas distribuições de si mesmos
  • Três indicações (endeixeis) da beleza divina segundo Platão
    • Primeira indicação (do Banquete): o delicado (to charies)
      • Belo verdadeiro é “delicado, perfeito e mais bendito” (charies, teleion, makariotaton)
      • O perfeito e mais bendito acede ao belo através da participação da bondade
    • Segunda indicação (do Fedro): o esplêndido (to lampron)
      • Atribuída ao belo: “esplêndida beleza brilhando sobre nós”, “beleza sozinha tem esta alocação de ser mais esplêndida e mais amável”
    • Terceira indicação (do Fedro e outros): o objeto de amor (to erasmon)
      • Belo como mais amável (erasmiotaton)
      • Fúria amorosa (eros mania) conversante com o belo; amor definido e suspenso da mônade da beleza
  • Funções triplas da beleza conforme suas indicações
    • Porque converte e move todas as coisas a si, causa energia entusiástica, recorda-as através do amor: é objeto de amor (to erasmon), líder de toda série amorosa, caminha nas extremidades dos pés, excita todas as coisas a si através desejo e admiração (ekplexis)
    • Porque estende a naturezas secundárias plenitudes de si, com hilaridade e facilidade divina, seduzindo, inflamando, elevando todas as coisas, derramando iluminações do alto: é delicada (to charies), dita assim por Platão
    • Porque limita esta tríade e cobre como com véu a união inefável dos Deuses, nada como que na luz das formas, faz luz inteligível brilhar, anuncia natureza oculta da bondade: denominada esplêndida, lúcida e manifesta
  • Posição da beleza na tríade das perfeições divinas
    • Bondade dos Deuses: suprema e mais unida
    • Sabedoria: em certo respeito parturiente com luz inteligível e primeiras formas
    • Beleza: estabelecida nas formas mais altas, precursora luminosa da luz divina, primeira coisa aparente a almas ascendentes, mais esplêndida e amável à visão e ao abraço que toda essência lucífera, recebida com admiração quando aparece
  • Meios de conversão das naturezas preenchidas à tríade divina
    • Tríade preenchendo todas as coisas e procedendo por todas as coisas
    • Naturezas preenchidas convertidas e conjuntas a cada um dos três através de meios aparentados (syngenes), não pelos mesmos meios
    • De diferentes coisas preenchidas por esta tríade há meio diferente; diferentes potências convertidas a perfeição diferente dos Deuses
  • Agentes de congregação a cada aspecto da tríade divina
    • Causa que congrega naturezas secundárias à beleza divina, familiariza-as a ela, fonte de seu preenchimento e derivação: nada mais que amor (eros)
      • Amor sempre conjunta segundo o belo: secundários aos primeiros Deuses, gêneros mais excelentes, melhores almas
    • Verdade (aletheia) como líder que estabelece seres na sabedoria divina
      • Intelecto preenchido com ela possui conhecimento dos seres; almas participando energizam intelectualmente
      • Participação plena da verdadeira sabedoria efetuada através da verdade; ilumina naturezas intelectivas, conjunta-as com objetos de intelecção; congrega intelecto e inteligível
    • Para os que se apressam a conjuntar-se ao bem (agathon): conhecimento e cooperação não mais necessários, mas colocação (synthoke), estabelecimento firme e quietude (hesychia)

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