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Plotino
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A designação da escola de Alexandria como escola plotiniana é considerada uma exageração, mas Plotino é reconhecido como o verdadeiro fundador do sistema filosófico frequentemente chamado de neoplatônico ou alexandrino.
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M. Jules Simon teria dito que a escola de Alexandria é Plotino, o que constituiria uma exageração na forma da expressão.
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A filosofia neoplatônica não é uma designação mais justificada do que a de alexandrina.
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O sistema foi ensinado não apenas em Alexandria, mas em Roma, na Síria, em Atenas e em todo o mundo greco-romano.
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Os filósofos dessa escola gostavam de se atribuir o título de platônicos, e Plotino reivindicava essa honra.
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O sistema está pelo menos tão profundamente penetrado pelas ideias de Aristóteles quanto pelas de Platão.
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Plotino estabelece a hierarquia de suas hipóstases divinas sobre um princípio aristotélico, segundo o qual toda potência que passa ao ato supõe a existência real e anterior do ato.
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A forma unida à matéria supõe a força informante da alma, a razão em potência na alma supõe uma razão sempre em ato, e a existência em ato da razão pura supõe um ato supremo e último, o Um.
Nada autoriza atribuir a Amônio Saccas, que nada escreveu e cuja doutrina é desconhecida, as ideias diretrizes do sistema, e seus sucessores mais célebres só introduziram modificações pouco consideráveis.-
A doutrina é una e completa nas obras de Plotino, e todos os adeptos da escola o reconhecem como seu mestre comum e chefe universalmente autorizado.
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A escola poderia ser designada pelo nome de seu fundador, como as escolas de Platão e Aristóteles, chamando-se filosofia de Plotino, como já se fazia na antiguidade e como fez Hegel.
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Prevaleceram outros usos, e o autor segue o uso estabelecido.
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O nome de Plotino é evidentemente de origem latina, e ele nasceu no Egito em 205 d.C., sob o reinado de Septímio Severo.
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O Egito, conquistado e anexado ao Império por mais de duzentos anos, tornou-se a residência habitual de numerosos cidadãos romanos.
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Plotino nasceu de uma dessas famílias estabelecidas no país, em data desconhecida.
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Eunape, historiador da seita, designa a cidade de Lyco como o local de seu nascimento, o que o faz ser chamado de Licopolitano por David, o Armênio, Suidas e Eudócia.
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Fabricius concluiu, talvez temerariamente, que essa cidade era a grande Licópolis da Tebaida, e não a pequena Licópolis da Baixo Egito.
Plotino, egípcio pelo local de nascimento e romano pela origem de sua raça, era no fundo um espírito pura e perfeitamente grego.-
Tudo nele, na língua, no estilo, na forma e no fundo das ideias, respira o helenismo.
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As doutrinas estrangeiras a esse espírito lhe são antipáticas.
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Ele organiza em sua escola uma luta constante e vigorosa contra as concepções orientais, cuja influência crescente lhe parecia ameaçadora.
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Escreveu um livro contra os gnósticos, repudiou as doutrinas e práticas da magia, e encarregou dois de seus discípulos, Amélius e Porfírio, de refutar as teorias de Zostrianus e do falso Zoroastro.
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A carta de Porfírio ao sacerdote Anébo é a crítica das orgulhosas pretensões do sacerdócio egípcio a uma sabedoria universal e infalível.
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Plotino louva nos egípcios suas preferências pela escrita hieroglífica, cuja superioridade sobre a escrita alfabética vê no fato de ela colocar, por seu processo simbólico, claro e universal, as próprias coisas e as ideias em sua síntese viva, em vez de expressá-las em fórmulas abstratas, analíticas e discursivas.
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O Egito se honrou de tê-lo dado à luz, e David observa que, se esse país não produz muitos homens, quando se põe a isso, faz grandes coisas.
Nada se sabe sobre sua família, pois ele não queria falar dela e não tolerava que o interrogassem sobre esse assunto.-
Porfírio diz que é porque ele se envergonhava de ter um corpo e, consequentemente, um pai e uma mãe, o que parece uma razão muito refinada e pouco natural.
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Seu silêncio resoluto poderia ser atribuído à sua extrema modéstia, que era tão sincera e verdadeira quanto profunda.
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Seus amigos precisaram usar subterfúgios para obter seu retrato à sua revelia, pois ele respondia às instâncias de Amélius que já era bastante carregar essa imagem, e que a imagem dessa imagem não valia a pena ser olhada e conservada.
Os primeiros anos da vida de Plotino são conhecidos por confidências que ele deixou escapar involuntariamente em conversas familiares, recolhidas por Porfírio.-
Aos 8 anos, foi enviado à escola primária, ao grammatodidaskalos de Licópolis.
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Em data não fixada, reencontra-se em Alexandria, onde, após ter feito todos os estudos que constituíam uma forte educação liberal, dedicou-se à filosofia aos 28 anos e seguiu as lições dos mestres mais renomados.
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Nenhuma das soluções do grande problema do mundo e da vida propostas por eles o satisfez.
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Um amigo o levou à escola de Amônio Saccas, e após ouvir a lição do mestre, Plotino disse que era aquele que procurava e que ali estava seu homem.
Desde os Ptolomeus, criou-se em Alexandria um centro de atividade intelectual de extraordinária potência, onde se buscava reanimar a chama do gênio grego em todos os ramos do saber humano.-
Nas escolas do Museu e das duas bibliotecas do Bruchium e do Serapeu, ensinavam-se gramática, arqueologia, história e crítica literárias, retórica e, sobretudo, as ciências exatas e a matemática.
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A filosofia não parece ter tido grande lugar nesse ensino superior oficial, figurando apenas pela crítica filológica dos textos dos antigos filósofos, especialmente Platão e Aristóteles, e pela interpretação e comentário desenvolvido de suas respectivas doutrinas.
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Poucos entre os sábios do Museu se dedicam à filosofia especulativa, e é fora dos estabelecimentos do Estado que se encontram em Alexandria, no tempo da dominação romana, representantes das grandes escolas gregas: estoica, epicurista, platônica e peripatética.
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Pela sua situação geográfica e importância política e comercial, Alexandria tornou-se o ponto de encontro do mundo do Ocidente e do mundo do Oriente.
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Todas as línguas, crenças, práticas religiosas, ideias científicas e filosóficas se tocam, se chocam e se influenciam.
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O helenismo, envolvido por esses elementos estranhos, deixa-se penetrar e, se não em seu espírito científico, pelo menos em sua forma religiosa, acaba por se deixar vencer.
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Judeu, cristão, persa, hindu, egípcio, romano e grego vivem ali em comum e, por ação recíproca e invisível, comunicam-se as tendências e crenças de seu espírito.
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Panteno funda ali a Escola Catequética em 179, e Clemente e Orígenes esboçam um sistema que busca conciliar a filosofia grega e os dogmas da Igreja cristã.
Nessa mêlée agitada e confusa, Plotino buscou por muito tempo seu caminho, hesitando entre as diversas doutrinas que disputavam os espíritos e que ele conhecia todas.-
Seus escritos provam que ele era profundamente versado na história da filosofia grega antiga e contemporânea e em todos os ramos das ciências humanas, e que não permaneceu estranho às doutrinas religiosas do Oriente.
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Embora não se surpreenda nele nenhum elemento do espírito judaico ou cristão, é certo que ele conheceu o cristianismo, pelo menos sob a forma alterada que lhe dera o gnosticismo.
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Foi Amônio quem exerceu sobre seu espírito o mais poderoso ascendente, tão poderoso que, durante dez anos, Plotino fez questão de só ensinar as doutrinas que ouvira professar por seu mestre.
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Amônio Saccas nasceu em Alexandria, de pais cristãos, mas, quando em posse de sua plena razão e tendo recebido os ensinamentos da filosofia, ele retornou imediatamente aos sentimentos e crenças de sua pátria e de seus ancestrais.
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O nome de Amônio não se encontra em nenhum escrito de Plotino, nem é mencionado por Proclo, Jâmblico ou nos comentários do tratado de Aristóteles sobre a Alma.
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De portador de sacos (Saccas) tornado filósofo e professor de filosofia, ele adquiriu rapidamente uma reputação extraordinária, justificada pelo número e valor dos homens que soube atrair a seus cursos e ideias.
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A epíteto Theodidaktos (ensinado por Deus) que lhe dão os escritores posteriores parece a Kirchner a prova de que foi ele quem estabeleceu os primeiros princípios do neoplatonismo e devolveu à filosofia sua vida ativa e sua força de produção original.
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Essa epíteto pode simplesmente significar que Amônio era um filósofo autodidata, que nada devia senão a si mesmo.
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Longino, seu aluno, menos entusiasta, coloca-o na mesma linha que Orígenes e reconhece a esses dois filósofos uma inteligência muito superior à de seus contemporâneos.
Na escola de Amônio, que Plotino frequentou assiduamente durante dez anos, ele teve como condiscípulos Herennius, Olympius de Alexandria, Theodosius, Antoninus, Longino e os dois Orígenes (o pai da Igreja e o filósofo neoplatônico).-
Amônio não deixou nenhuma obra escrita, e não se encontra um resumo de suas doutrinas, exceto em um fragmento do livro VII de Hierocles sobre a Providência, conservado por Fócio, e em uma passagem bastante extensa do tratado de Nemésio sobre a Natureza do Homem.
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Amônio teria purificado as doutrinas dos antigos, dissipado as quimeras dos mestres de todas as escolas, demonstrado o acordo íntimo e a harmonia real entre as teorias de Platão e as de Aristóteles, e transmitido a filosofia assim pacificada a seus discípulos Plotino, Orígenes e seus sucessores.
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Quanto aos corpos, por não terem nada de persistente e serem sujeitos a toda sorte de mudanças internas e externas, à dissolução de seus elementos e à perda de suas partes, seria necessário, para explicar sua constituição, essência e duração relativa, postular um princípio tendo a força de ligá-los e contê-los na unidade, princípio chamado alma, que não pode ser material, pois seria exposto às mesmas causas de destruição que os outros corpos, e, sendo incorpóreo, é por isso mesmo imortal.
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O incorpóreo tem uma natureza tal que pode se unir às coisas suscetíveis de recebê-lo tão intimamente quanto se unem as coisas que em sua união se alteram e se destroem mutuamente, e no entanto ele permanece inteiramente o que era, como fazem as coisas que são apenas justapostas.
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A alma, unindo-se ao corpo, não muda de natureza e não forma com ele uma mistura, e, apesar de estarem unidos, o ser animado todo é um todo simpático a si mesmo e, consequentemente, verdadeiramente uno.
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A alma tem o poder de se separar do corpo, como provam os fenômenos fisiológicos do sono, dos sonhos e a potência que ela possui de se recolher em si mesma para melhor se aplicar à contemplação dos inteligíveis puros.
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A alma modifica aquilo a que se une sem ser ela mesma modificada, e guarda nessa união sua essência pura e sua unidade perfeita.
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Assim como o sol torna todo o ar luminoso sem mudar em nada sua essência, misturando-se sem se misturar, a alma se une ao corpo enquanto dele permanece separada.
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O sol, sendo um corpo e por conseguinte contido em um lugar, não está em toda parte onde está sua luz, enquanto a alma, sendo incorpórea e não sofrendo circunscrição local, não há parte do corpo iluminado por ela onde ela não esteja presente toda inteira.
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Não é propriamente a alma que está no corpo, é antes o corpo que está na alma.
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A alma está no corpo, se se quiser, mas não como em um lugar ou como em um vaso; ela está no sentido de que experimenta uma inclinação, uma disposição que a leva para ele.
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O laço da alma com o corpo é como o laço do amante com aquela que ele ama, como o laço de Deus conosco, que não está em nós senão por sua assistência e ação.
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É errado dizer que a alma está no corpo; é uma maneira de falar toda figurada; seria preciso dizer: a alma age no corpo.
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O inteligível não tem outro lugar senão ele mesmo; quando a alma pensa, ela está em si mesma; quando contempla o inteligível, ela está na razão.
Tudo o que se sabe da filosofia de Amônio se reduz a quatro pontos: um princípio de purificação das opiniões dos antigos filósofos, sobre cuja aplicação não se tem nenhuma informação; um princípio de interpretação que reduz todos os sistemas antigos à doutrina de Platão e Aristóteles, considerados perfeitamente de acordo; um argumento nada original sobre a imortalidade da alma; e uma concepção da natureza do inteligível que explica como a alma pode formar um com o corpo sem que sua essência própria seja alterada.-
A teoria sobre a natureza do inteligível e a hipótese da identidade essencial das doutrinas fundamentais de Aristóteles e Platão não eram coisas novas no tempo de Amônio.
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No julgamento de escritores posteriores em quase 300 anos que atribuem ao mestre todas as doutrinas do discípulo, há uma ilusão bastante semelhante à que faz de Sócrates o autor da maioria das teorias contidas nos Diálogos de Platão.
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Não há razão realmente forte para afirmar com Kirchner que Amônio criou uma segunda vez a arte da dialética, despertou o espírito filosófico que adormecia na erudição filosófica e na história, e que esse despertar explica e justifica a epíteto de Theodidaktos.
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Amônio não devia ser um homem comum, e a melhor prova que se pode fornecer é que Plotino, quando começou a abrir uma escola pessoal, permaneceu, durante dez anos de ensino, fiel ao espírito que havia inspirado seu mestre.
Aos 39 anos, Plotino deixou Alexandria para se engajar no exército de Gordiano, que em 242 declarou guerra a Sapor, rei dos persas, atraído pela fama da ciência desconhecida dos magos e brâmanes.-
O imperador tendo sido morto na Mesopotâmia, no início da campanha, talvez assassinado por Filipe, o Árabe, seu sucessor, o filósofo aventureiro e curioso teve muita dificuldade, na derrota do exército, em reganhar Antioquia, de onde, em 244, se dirigiu a Roma.
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Não é necessário crer que Amônio estava morto no momento da expedição à Pérsia; é antes natural pensar que ele ainda vivia e professava, e Plotino poderia ter o desejo de ir substituí-lo.
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Na hipótese contrária, compreende-se que esse fiel e respeitoso discípulo não quisesse retornar a Alexandria e estabelecer, como fez Aristóteles, cadeira contra cadeira.
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A Escola de Atenas, estabelecimento oficial onde o número de professores era limitado, não tinha lugar para ele, pois Orígenes já dela fazia parte.
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Restava-lhe, entre os grandes centros do movimento intelectual, Roma, origem de sua família muito provavelmente, se quisesse desempenhar na filosofia o papel a que seu gênio o chamava.
Chegando a Roma, Plotino abriu uma escola, a princípio restrita a um pequeno número de aderentes, mas o círculo logo se ampliou e o sucesso foi considerável.-
Viram-se acorrer para ouvi-lo personagens das mais altas classes da sociedade romana e estrangeiros dos países mais diversos.
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Por sua atitude reservada e prudente, ele soube adquirir o favor e a estima do imperador Galieno e de Salonina, sua mulher, e obter deles a concessão de um vasto território na Campânia, onde queria reconstruir, sob o nome de Platonópolis, uma cidade arruinada.
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Hegel estima que os conselheiros políticos do imperador, ao lhe fazerem retirar sua promessa, prestaram um serviço sinalizado a Plotino, que não teve assim a dor de ver sua quimera filosófica e sua utopia social às voltas com as duras crueldades da experiência e da realidade.
Entre os numerosos discípulos de Plotino, Amélius da Etrúria, cujo verdadeiro nome era Gentilianus, é um dos primeiros.-
Amélius seguiu em Atenas as lições do estoico Lisímaco, que provavelmente havia saído da escola de Numênio, e veio em 246 a Roma, onde se ligou imediatamente a Plotino, a quem só deixou em 269 para se dirigir a Apameia na Síria.
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Ele reuniu todas as obras de Numênio, copiou-as de sua própria mão e até as aprendeu de cor.
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Na escola de Lisímaco, Amélius havia adotado os princípios filosóficos de Numênio, que não foram sem influência sobre o espírito de Plotino.
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Por instigação de Plotino, escreveu uma obra de polêmica contra Zostrianus, que pertencia à seita cristã dos gnósticos.
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Avisado por Tryphon, filósofo estoico e platônico, de que na Escola de Atenas se dizia que Plotino apenas se apropriara das teorias de Numênio, Amélius escreveu uma carta a Longino para vingar a reputação de seu mestre e expor as diferenças entre os dois filósofos.
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Ele foi o primeiro editor das obras escritas de Plotino.
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Amélius redigiu notas tiradas das lições orais de Plotino e começou a escrever uma longa série de comentários, que não compreendiam menos de cem livros, que deu a Hostilianus Hésychius de Apameia, seu filho adotivo.
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Seu estilo tinha uma cor e movimento oratórios absolutamente contrários à maneira natural e negligenciada de Plotino e à forma severa da exposição filosófica.
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Plotino o encarregou de convencer Porfírio de que os inteligíveis (as Ideias) não subsistem fora da razão, e Amélius escreveu um livro sobre essa matéria, ao qual Porfírio respondeu, sendo refutado por Amélius com tanta clareza e vigor que seu adversário foi levado a compreender e aceitar o sentimento de Plotino.
Porfírio é o discípulo mais íntimo de Plotino depois de Amélius, mas é um espírito de outra ordem e bem superior.-
Porfírio nasceu em 223 em Bataneia da Palestina e se autodenomina tiriano, seja porque Bataneia era uma colônia tiriana, seja porque Tiro era sua residência habitual.
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Aos 30 anos, veio a Roma, acompanhado de Antônio de Rodes, e ligou-se a Plotino, que tinha então 59 anos e passava todos os verões no campo por razões de saúde.
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Sua educação filosófica estava completa: ouvira na juventude Orígenes (provavelmente o neoplatônico) em Tiro, e em Atenas, Longino, de quem adotou algumas opiniões filosóficas, mas a quem deveu sobretudo seu senso literário e seu talento de escritor.
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Foi um dos membros mais laboriosos dessa escola, e seus numerosos escritos, que não compreendem menos de 84 livros, estendem-se sobre todo o círculo do conhecimento humano: gramática, retórica, poesia, música, matemática, lógica.
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Começa a série dos comentadores que interpretam e desenvolvem as doutrinas de Platão e Aristóteles à luz da filosofia de Plotino.
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Escreveu uma refutação de uma lição sobre o Banquete feita pelo retor Diophanes diante de seu mestre, um livro contra os gnósticos, onde demonstrava o caráter apócrifo da obra apocalíptica atribuída a Zoroastro, um exame crítico das interpretações propostas por Euboulos da Escola de Atenas sobre várias teorias de Platão, e um resumo do sistema de Plotino intitulado Aphormai pros ta noeta (Elevações aos inteligíveis).
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Ele partiu para a Sicília, de onde continuou por correspondência um comércio íntimo com Plotino, mas de onde não pôde voltar a tempo de assistir à sua morte.
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Após uma viagem a Cartago, onde se casou com Marcela, a viúva de um de seus amigos, retornou a Roma e ali morreu em idade muito avançada, por volta do ano 301.
Eustochius, de Alexandria, adonado ao estudo da medicina, conheceu Plotino apenas no fim de sua vida, deu-lhe cuidados dedicados até sua morte e, sozinho entre todos os discípulos, assistiu-o em seus últimos momentos.Zoticus, crítico e poeta, pôs em verso a fábula da Atlântida de Platão e deu uma edição corrigida das obras de Antímaco, o poeta de Colofão.-
O caráter estudado e sabido desses poemas parece fazer do autor um precursor da poesia alexandrina.
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Zoticus morreu cego antes do mestre.
Zéthus, da Arábia, era um médico, amigo muito íntimo de Plotino, que se esforçou em vão para desviá-lo da carreira política que ele havia abraçado e que amava apaixonadamente.-
Foi na casa de campo desse amigo, situada a seis milhas de Minturnas, que Plotino foi terminar seus dias.
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Zéthus havia se casado com a filha de Theodosius, condiscípulo de Plotino na escola de Amônio.
Serapião, de Alexandria, primeiro professor de eloquência, entregou-se, sob a influência de Plotino, ao estudo da filosofia sem poder se curar do amor pela riqueza e do vício da usura.Contavam-se também membros do Senado, como Marcellus Orontius, Sabinillus e, sobretudo, Rogatianus, que, convertido pela eloquência de Plotino, renunciou a todas as suas funções e dignidades, abandonou seus bens, alforriou seus escravos e passou a levar a vida ascética da virtude mais austera.Nesse grupo de admiradores entusiastas e dedicados, viam-se mulheres atraídas pela nobreza da doutrina, o talento do mestre e pela espécie de veneração que seu caráter e sua pessoa inspiravam a todos.-
Entre uma delas, Gémina, e Plotino, estabeleceram-se laços de uma amizade tão íntima e profunda que ele foi viver em sua casa.
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Nada permite a suspeita de que essas relações não tenham sido perfeitamente puras, e a alta virtude de Plotino bastaria para afastá-la.
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Gémina tinha uma filha quando deu hospitalidade ao filósofo, já talvez atingido por longas e cruéis enfermidades.
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Nos escritos de Plotino, há pensamentos de uma tão rara e tão requintada delicadeza, acentos tão ternos e de uma graça tão penetrante e comovida, que há poucas chances de se enganar supondo que ele sentiu a influência secreta, talvez escondida a si mesmo, mas poderosa, da amizade pura, porém apaixonada de uma mulher.
Nessa escola assim composta, Plotino soube criar uma atividade científica intensa e organizar, por assim dizer, uma oficina de trabalho filosófico regular e fecundo.-
As obras dos mais gloriosos mestres, e particularmente de Platão, são diariamente lidas, comentadas, explicadas, criticadas.
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Mantém-se, por um comércio incessante de cartas, ao corrente de toda a literatura contemporânea e de todo o movimento intelectual que toma, nessa época, uma importância política, social e religiosa considerável.
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Troca-se com a Escola de Atenas e as Escolas do Oriente uma correspondência científica que às vezes assume um tom polêmico.
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Escreve-se, sob a direção e por instigação do chefe, uma série de memórias contra a astrologia, a magia, o gnosticismo, o próprio cristianismo, que se esforça nesse momento por revestir um caráter especulativo e uma forma filosófica.
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É a luta que começa entre o espírito grego, que se crê o único representante da civilização, da ciência e da vida superior, contra o espírito do Oriente, onde ele só quer ver um inimigo que ameaça orgulhosamente o helenismo e com ele a humanidade de um retorno ofensivo e já perigoso da barbárie.
Embora a vida de Plotino em Roma tenha sido quase inteiramente consagrada ao estudo, ao ensino, à meditação interior e à composição de suas obras, por um traço de costumes que revela o espírito grego, ele não ultrapassa, nessa tendência, uma certa medida.-
O fato de se engajar numa expedição militar que tinha seus perigos, para ver com seus olhos esse mundo desconhecido do Oriente e pesquisar o que havia de real em sua ciência tão gabada, mostra que a paixão científica e o ardor da contemplação psicológica não excluíam nele as necessidades da atividade prática e sabiam se associar a elas para se servir delas.
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Ele vivia com seus discípulos como em família e com a maioria deles mantinha o comércio mais afetuoso.
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Sem ter pessoalmente grande gosto pelas artes e pela música, ele as cultivava como as outras ciências e as estimava bastante para lhes fazer, em seu sistema, um grande lugar, e proclamar, na vida humana, seu direito e sua dignidade.
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Não afeta de permanecer estranho aos negócios e ao conhecimento do direito usual; tem o espírito prático, o senso da realidade positiva.
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Vários pais e mães de família lhe confiam, ao morrer, a educação de seus filhos menores, a gestão de seus bens, a defesa de seus interesses, e ele se desincumbe por devoção com um cuidado vigilante dessa dupla missão.
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Para evitar as longas e as despesas das decisões judiciárias, as partes tomam frequentemente o filósofo por árbitro de seus diferendos, o que supõe que se tinha uma fé absoluta em sua alta imparcialidade e que ele tinha um conhecimento bastante extenso e bastante seguro da lei.
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Apesar das dificuldades dessas arbitragens, ele soube guardar em todas as circunstâncias uma tão perfeita medida que, durante vinte e seis anos passados em Roma, não se desentendeu com ninguém.
Quando Plotino abriu sua escola, o objeto e a matéria de seu ensino era a filosofia, mas os relatos de Porfírio são extraordinários e mesmo contraditórios a respeito de qual filosofia.-
Plotino, diz-se, permaneceu fiel à sua promessa e, embora já tivesse reunido um certo número de auditores, havia guardado o segredo.
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Porfírio diz que, durante os dez anos que se passam desde 244, Plotino nada escreveu, nada publicou de pessoal, e tomou exclusivamente para programa de seu ensino as lições de seu mestre, guardando, na interpretação dos antigos filósofos como em seus estudos próprios, o espírito de Amônio (ton Ammoniou pheron noun).
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Não se sabe como ele pôde guardar secreta a doutrina de Amônio expondo-a a seus auditores e não expondo senão ela.
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Plotino, após dez anos de um ensino exclusivamente oral, que só tinha lugar durante o inverno, pois passava o verão no campo, liberado de sua promessa pelas publicações de Herennius e Orígenes, substituiu a essas lições, reprodução mais ou menos completa das de Amônio, um ensino pessoal, uma doutrina original, uma concepção filosófica própria e independente.
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Porfírio expressa essa mudança dizendo que seu mestre começou pela primeira vez a escrever, e ele tinha então 50 anos.
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Quando seu gênio acabou por tomar consciência de si mesmo, Plotino sentiu a necessidade de dar à sua concepção geral das coisas, escrevendo-a, contornos e um desenho firmes, uma fórmula precisa e determinada.
A mudança de método era tanto mais necessária para Plotino quanto ele havia deixado introduzir em seu ensino hábitos, em certos aspectos, inconvenientes.-
Ele autorizava e provocava os auditores a interrompê-lo para lhe fazer perguntas, as primeiras que viessem, que ele tratava imediatamente, após alguns instantes de meditação interior e silenciosa.
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Essa liberdade não podia deixar de trazer talvez um pouco de barulho e tumulto, mas certamente acarretava desordem e confusão na exposição das ideias, cujo encadeamento era assim frequentemente rompido por digressões que, entregues ao capricho e à fantasia dos assistentes, deveriam ser frequentemente ociosas e vazias.
As diversas partes dessa obra escrita, que, segundo toda aparência, chegou até nós integralmente, se reportam a épocas distintas da vida de Plotino.-
Em 254, aos 50 anos, começou a escrever, tomando por assuntos as primeiras questões filosóficas que vinham.
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Dessa data até o ano 263, quando Porfírio vem se ligar a ele, compôs 21 livros que, nesse momento, só eram conhecidos de um pequeno número de pessoas, pois a publicação era laboriosa e ingrata.
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Poucos copistas estavam em estado de ler o manuscrito e de reproduzi-lo com inteligência; a cópia do autor era de uma escrita quase ilegível, com incorreções gramaticais numerosas e chocantes.
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Os tratados isolados não tinham título; cada um os designava como queria, mas a maioria havia recebido designações bastante conformes aos assuntos para serem geralmente aceitas, e Porfírio as conservou em grande parte, fazendo conhecer a data de sua composição.
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Porfírio chama as obras desse período de composições da primeira juventude (kata ten proten helikian) e nota a marca de um espírito superficial, de uma inteligência que ainda não atingiu seu desenvolvimento completo.
Durante os seis anos seguintes, que formam o segundo período (263 a 268), o filósofo compôs 24 outros livros em que Porfírio reconhece a maturidade do gênio e do talento e que declara perfeitos.-
Esses 24 livros são numerados de 22 a 45 por Porfírio.
Um terceiro período, que se estende de 269 a 270, compreende 9 tratados, dos quais os 4 últimos, escritos pouco tempo antes da morte de Plotino, foram endereçados por ele a Porfírio, então na Sicília.-
Esses 9 tratados são numerados de 46 a 54 por Porfírio.
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Porfírio julgou encontrar nos escritos dessa última época traços do enfraquecimento causado pela doença e pela velhice, o que o autor da Histoire de la Psychologie des Grecs suspeita ser apenas a consequência a priori da ordem cronológica.
Porfírio recebeu de Plotino a incumbência de rever e editar suas obras, das quais Amélius já possuía uma cópia autêntica, e circulavam outras, como a de Eustochius.-
Seguindo o exemplo e o método de Andrônico de Rodes, que, ao editar Aristóteles e Teofrasto, havia reunido em um mesmo grupo os livros que tratavam de questões tendo entre si um laço essencial, Porfírio repartiu os 54 tratados de Plotino em três grupos formando 6 séries, que chama de Enéadas, porque cada Enéada compreende 9 livros dispostos na ordem crescente de sua importância doutrinal ou das dificuldades que apresentam à inteligência.
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Porfírio acrescentou a vários livros comentários e esclarecimentos (hypomnemata), e para todos escreveu sumários (kephalaia) e argumentos (epicheiremata), seguindo a ordem cronológica da publicação, com exceção do livro do Belo.
Pode-se dar conta por si mesmo das qualidades e dos defeitos da língua e do estilo de Plotino, pois, por uma exceção feliz e rara, ele é, com Platão e Aristóteles, o único filósofo grego de quem se conservou a obra inteira.-
Como tinha a vista fraca e poupava seus olhos doentes, não só negligenciada sua escrita, mas nunca se relia e se corrigia.
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Exclusivamente preocupado com o fundo das coisas, após ter, numa meditação silenciosa, concebido e formado seu pensamento, punha-se imediatamente a escrever, sem parar, sem interromper-se, e como se transcrevesse o texto de um livro alheio.
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O barulho das visitas que recebia, das conversas que se travavam perto dele e das quais participava, não o distraía de seu trabalho e não rompia o curso de seus pensamentos.
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Por esse processo de composição, por assim dizer improvisada, sobre matérias que não comportam a improvisação, encontram-se tantas negligências de língua, incorreções gramaticais e faltas de estilo.
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As fórmulas interrogativas se acumulam sem que se possa sempre distinguir as que exprimem realmente uma dúvida das que só têm da interrogação a aparência e a forma.
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As anacolutes e as elipses abundam; as regras da sintaxe são tratadas com uma negligência desdenhosa ou uma indiferença soberana.
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A frase, na maioria das vezes, é imperfeitamente organizada, e a concisão extrema a torna obscura e enigmática.
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Ele se preocupa ainda menos com o ritmo do que com a ortografia e a construção regular; a economia e a estrutura de sua frase não têm nem flexibilidade, nem redondeza, nem harmonia.
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É um escritor penoso de ler e difícil de compreender, e no entanto é um grande escritor; ele tem as altas e supremas qualidades do estilo: o natural, o movimento, a cor, a força, a vida.
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Sua língua concisa é rica de pensamentos, abundante, cerrada, verdadeiramente filosófica.
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Por instâncias e talvez pelos conselhos de Porfírio, sensível ao charme da arte de escrever mesmo na exposição filosófica, Plotino decidiu-se tardiamente a pôr mais rigor lógico na sucessão de suas ideias, a ligar, numa forma melhor encadeada, os membros de sua frase, a organizá-la, a imprimir-lhe a amplitude justa e a construção necessária.
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Seu estilo abunda em antíteses vivas e fortes, em imagens ricas e ousadas, em metáforas de um colorido soberbo, de uma franca originalidade, às vezes de uma graça ravissante e de uma terna e profunda poesia.
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A força e a elevação dos pensamentos, a sinceridade e a pureza do alto sentimento moral que os anima, o acento místico, religioso, sublime ou melancólico, imprimem a seus escritos ora um calor doce, comunicativo, simpático, ora uma força de arrastamento patético, ímpatos ditirâmbicos que, iluminando a imaginação, abalam o coração e arrebatam a alma.
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É preciso, apesar de seus defeitos, com Longino, o grande crítico, contá-lo ao número dos mais ilustres escritores da Grécia.
O talento e a arte do professor de Plotino parecem ter sido ainda maiores do que o mérito do escritor, a julgar pela influência extraordinária que exerceu sobre todos os que o ouviam.-
Platão tem razão ao dizer que a ação de um mestre está ligada a uma harmonia íntima de seu pensamento e de seus discursos com seu caráter e sua vida: Quando ouço falar da ciência e da virtude, por um homem verdadeiramente homem e que vale o que valem seus discursos, experimento não sei que charme todo-poderoso, que vem de que aquele que fala e o que ele diz se acordam com uma tão perfeita harmonia. Eis o verdadeiro músico, o verdadeiro artista que soube pôr num tão harmonioso acordo não sua lira, mas sua vida inteira, suas ações e suas palavras.
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Plotino, que em mais de um ponto parece ter-se proposto Sócrates por modelo, realizou como ele essa nobre harmonia entre a vida e os ensinamentos, que dá ao mestre uma tão poderosa e durável autoridade sobre os espíritos e sobre as almas.
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A austeridade de seus costumes, que eram os de um asceta, nada tinha de bizarro e de feroz; apesar de seu gosto pela meditação e contemplação interiores, ele não leva a vida de um solitário que se fecha ao mundo.
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É um grego, que ama as relações sociais, as conversas familiares, que conhece e prova as doçuras da amizade.
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Ele tem uma teoria magnífica da arte e do belo, de que compreende a grandeza e o charme, e celebra com o entusiasmo de um poeta inspirado as maravilhosas belezas da natureza e as incomparáveis esplendores da terra e dos céus.
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Sua virtude tem graça, algo de místico e terno que atrai e retém a seus cursos as mulheres e mesmo as jovens, tranquilizadas por seu sentimento delicado e esquisito do pudor.
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Um propósito indecente, a expressão de um pensamento imoral o faz corar e sofrer.
Plotino não era apenas virtuoso; ele era bom, e a verdadeira bondade é amor.-
Sua bondade era afetuosa, amável, impregnada de não sei que graça que irradiava sobre seu rosto e que Porfírio compara à doçura do mel.
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Esses relatos afáveis, abertos, não eram reservados ao pequeno círculo fechado dos discípulos preferidos, mas se estendiam a todos os que mantinham relações com ele.
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A amizade de Sócrates, condição de sua influência sobre as almas, tem um caráter mais exclusivo e mais estreito; a bondade de Plotino irradia mais longe e mais alto.
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Em sua escola, todo mundo entra gratuitamente e livremente; ele põe em prática as hábitos e os processos didáticos do fundador da filosofia psicológica.
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Sua método é menos a lição dogmática, como a inaugurou Aristóteles, do que o diálogo real, vivo, a lição composta de questões, interrogações, respostas.
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Como Sócrates, Plotino não só permite a seus auditores interrogá-lo, mas os encoraja e nunca se recusa a responder-lhes; ele procura despertar sua curiosidade filosófica, mesmo que às vezes fosse indiscreta, persuadido de que essas investigações em comum (koine zetein), essa participação de todos na busca da verdade, é o melhor, talvez o único meio de inspirar às almas um verdadeiro, um sincero amor da ciência como da virtude.
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Um tal Thaumasius, vindo ao curso de Plotino para ouvir tratar a questão das categorias, pretendeu exigir que o professor fizesse sua lição de uma forma contínua, sobre um texto escrito, e quis impedir Porfírio de interrompê-lo com perguntas; Plotino recusou-se terminantemente a mudar seus hábitos didáticos e observou a seu auditor pouco complacente que, se não se conseguisse primeiro resolver as dificuldades e objeções colocadas por Porfírio, seria incapaz de desenvolver em sua integralidade a demonstração necessária.
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Tudo o que puderam obter dele as instâncias de seus discípulos foi que ele escrevesse suas lições (eis biblia prattein).
Apesar de certa timidez que o fazia corar facilmente e trazia à sua testa um suor ligeiro, Plotino parece ter tido os dons da grande eloquência filosófica.-
Ele era belo, de uma beleza cheia de sedução e graça; até o momento em que a doença a tirou, ele tinha a voz clara, sonora, harmoniosa, o timbre penetrante, o acento comunicativo e profundo.
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Embora o tom geral de suas lições fosse o de uma conversa familiar, natural e simples, evitando o pedantismo escolástico das demonstrações em forma à maneira dos geômetras e desprezando a fraseologia teatral e os períodos ambiciosos e ampulados dos retores e sofistas, sua arte de dizer era perfeita, tanto quanto seu pensamento era poderoso.
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Sua palavra comovida e nobre espalhava sobre seu rosto uma espécie de luz, e sua beleza natural se aumentava ainda mais.
O modo de ensino praticado mais habitualmente por Plotino e que a escolástica grega generalizará é o da leitura explicada e comentada dos grandes filósofos do passado, o coro dos Bem-aventurados da antiguidade (hoi archaioi kai makarioi philosophoi).-
Platão é o autor que ele cita a todo instante, pela palavra phesi (ele diz), sem crer necessário acrescentar seu nome, pois se propõe a reproduzir fielmente a pura e verdadeira doutrina.
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Aristóteles, cuja metafísica passou para a sua, nela tomando um caráter mais profundo e mais idealista, e os estoicos, de quem se apropria de tantos princípios e fórmulas, contribuíram para fornecer os materiais de seu sistema.
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Apesar dessa preferência marcada pelos antigos (com exceção de Epicuro), ele não negligencia nem despreza os filósofos modernos, a qualquer escola que pertençam.
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Ele lê ou faz ler a seus discípulos os escritos dos peripatéticos Aspásio, Alexandre, Adrasto, dos platônicos Severo, Crônio, Gajus, Ático, Numênio, e de muitos outros filósofos que lhe caíam à mão.
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Quando lia ele mesmo, penetrava-se, em alguns instantes de reflexão silenciosa, do sentido da passagem e fazia compreender brevemente o pensamento verdadeiro; depois cessava sua lição, que devia ser curta quando não era seguida de perguntas.
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Nessa imensidade de leituras de autores tão diversos, de opiniões tão opostas, apesar de uma erudição que era, segundo Porfírio, tão forte quanto extensa, mesmo nas ciências matemáticas e físicas, Plotino, mesmo em sua admiração entusiasta por Platão, guarda a independência de seu espírito, a liberdade de seu pensamento, a originalidade de sua concepção filosófica própria.
A potência de concentração interior e de meditação intelectual de Plotino era de uma rara intensidade, e nada a podia distrair.-
Dentro do círculo de seus amigos que conversavam perto dele, ele era ao mesmo tempo todo para eles e todo consigo mesmo.
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Seu sono curto e leve, por causa de uma sobriedade extrema, suspendia apenas a tensão constante desse espírito essencialmente contemplativo, desse pensador, o mais profundo e o mais original da escola neoplatônica, segundo o julgamento de Proclo.
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Frequentemente ele não dormia, e durante essas longas insônias, sua alma, que ele havia guardado sempre pura, voava para o princípio divino, pedia e adorava.
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Ele sempre fez esforço para se elevar acima das ondas tempestuosas dessa vida cruel, que se nutre de carne e sangue.
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É por isso que esse homem divino, cujo pensamento se portava constantemente para o Deus Primeiro, para o Invisível Além, pelo método traçado por Platão no Banquete, mereceu o privilégio de ver manifestar-se e revelar-se a ele várias vezes esse Deus, que não tem forma sensível nem forma inteligível, porque está colocado acima da inteligência, do inteligível e acima mesmo do ser.
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Plotino tocava então, e isso, segundo seu próprio testemunho, só lhe aconteceu quatro vezes durante os seis anos que Porfírio passou perto dele, o objetivo, o fim da verdadeira vida humana, que é de se aproximar o mais perto possível de Deus, de unir-se a ele, não apenas em potência, mas em ato, e num ato inefável.
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Como ele era homem, podia se enganar; mas quando seu pensamento se extraviava, os Deuses o reconduziam no caminho da verdade, iluminando seu espírito com os raios de uma luz deslumbrante.
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É assim que, por uma visão interna como por seus olhos corporais, ele viu magnificências que se ocultam habitualmente mesmo aos filósofos.
A obra de Plotino estava, pode-se dizer, acabada, quando a doença o forçou a renunciar à atividade laboriosa e às fadigas do professorado.-
Sua saúde, de que ele não queria se ocupar, sempre fora delicada.
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Sujeito a uma afecção crônica do estômago, para a qual lhe ordenavam fricções diárias, que ele negligenciou frequentemente, foi atingido também de uma doença da garganta, uma angina cuja gravidade não se percebeu no início.
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O mal tornou-se agudo; sua voz harmoniosa e poderosa ficou rouca; sua vista se perturbou; feridas vieram-lhe aos pés e pernas.
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Seus amigos cessaram de frequentá-lo, não por indiferença ou repugnância, mas porque a conversa, à qual ele queria ainda participar, fatigava seu espírito e sua voz tornada afônica.
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Em 269, decidiu-se a deixar Roma e retirou-se para uma casa de prazer na Campânia, posta à sua disposição por Castricius.
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Em sua solidão voluntária, Plotino não teve outra sociedade senão a de seu médico, Eustochius, que permaneceu junto dele até sua morte, ocorrida em 270, o segundo ano do reinado de Cláudio II.
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Mandado às pressas, Eustochius só teve tempo de correr para receber o último suspiro de seu mestre e suas últimas palavras: Eu te esperava, disse o moribundo, antes de ir reunir o que há de divino em mim ao Deus do Universo.
Num tempo em que o maravilhoso assombrava todas as imaginações e perturbava os mais firmes espíritos, a lenda se apoderou rapidamente dessa figura.-
Atribuiu-se a Plotino um poder miraculoso e dons superiores à humanidade, pelos quais ele retornava contra seus autores os malefícios mágicos operados contra ele.
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Um sacerdote egípcio, talvez Anebo, quis evocar no templo de Ísis em Roma o demônio de Plotino, e qual não foi sua surpresa e terror quando, em lugar de um demônio, viu aparecer um Deus, que não ousou mais nem olhar nem interrogar.
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É por essa assistência sobrenatural que o próprio Porfírio explica o dom que tinha seu mestre de ver até o fundo dos corações dos homens, de ler seus pensamentos mais secretos, de conhecer seus projetos, sentimentos, sofrimentos físicos e morais.
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No momento em que vai render a alma, uma serpente — a serpente é o símbolo do gênio — que estava há muito tempo sob sua cama, desaparece, para não mais se mostrar, num buraco da muralha.
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Com Plotino, é bem o gênio da Grécia, o gênio da civilização, o gênio da própria filosofia e da ciência antiga que desaparece e se esvanece.
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A influência que ele exerceu não perece com ele; pode-se dizer que dura ainda.
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O pensamento mestre e diretor de seu sistema basta para prolongar a vida da filosofia até o momento em que um ato da tirania imperial vem fechar todas as escolas.
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A dogmática cristã se inspira visivelmente dele.
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Os doutores místicos da escolástica relevam dele; Fénelon, o próprio Bossuet, Leibniz, Schelling, Hegel assimilam-se e apropriam-se de suas ideias, e pode-se repetir a palavra de Eunape: O fogo aceso sobre seus altares não perdeu mesmo hoje nem sua luz nem seu calor (Plotinou themoi themoi nun).
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