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I, 4 SOBRE A FELICIDADE

Tratado 46

Brisson & Pradeau

BP

  • Na Antiguidade, a felicidade não era considerada um sentimento experimentado, mas um estado em que se encontra: aquele que usufrui de muitos benefícios ao longo de sua existência e escapa às vicissitudes é proclamado feliz sem que o que ele experimenta em si mesmo seja levado em consideração.
    • A felicidade parecia então depender da fortuna, sendo os homens felizes ou infelizes ao sabor de eventos sobre os quais seu poder é muito limitado.
    • Plotino mostra no tratado Sobre a felicidade que a vida feliz é resultado de uma busca na qual a vontade desempenha papel decisivo, e não algo concedido ou recusado segundo as circunstâncias.
    • A resposta que Plotino propõe no tratado 46 já é sugerida no tratado anterior Sobre se a felicidade aumenta com o tempo: “se a felicidade corresponde a uma vida boa, é preciso evidentemente postular que ela corresponde à vida do que é, pois essa vida é a melhor”.
    • O tratado 46 coloca precisamente no centro das considerações sobre a felicidade essa vida do inteligível ou do Intelecto, que para Plotino são um único e mesmo, cabendo-lhe explicar como é possível a um indivíduo ser feliz, isto é, qual deve ser sua relação com a vida de lá.

Igal

BCG57

Este tratado é o primeiro que Plotino escreveu após a partida de Porfírio, motivada pela forte depressão que o havia levado à beira do suicídio (Vida 6, 1-5; 11, 11-15). Esse fato doloroso deve ter levado o filósofo a aprofundar a reflexão sobre a natureza da verdadeira felicidade, à luz da distinção fundamental em sua antropologia entre o eu superior e o eu inferior do homem. A verdadeira felicidade consiste na vida do primeiro, que não precisa ser afetada — nem aumentada nem diminuída — pela do segundo. Do ponto de vista da ordem sistemática, I 4 serve para completar os temas dos dois anteriores (I 2-3), estabelecendo a identidade da vida feliz com a vida de virtude perfeita. A estrutura do texto é muito simples: exame crítico de outras teorias, exposição da própria tese, objeções e respostas. A prosa flui de forma mais suave e cristalina do que o habitual, e o interesse perene do tema, aliado ao brilhantismo da forma, deve ter contribuído para a fama do presente tratado.


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