Princípios Metafísicos
Damascius foi descrito como um espírito muito pesquisador, refinado e sutil, que introduziu muitos problemas filosóficos difíceis, sendo um partidário fanático das teorias místicas de Jamblico.
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Segundo o julgamento de Simplício, ele possuía uma veia de crítica maliciosa e ciumenta, que não poupava nem mesmo aqueles que queria louvar, como Isidoro.
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Ele sacudiu a disciplina da escola e quis permanecer independente, mesmo em relação a Proclo, o que lhe conferiu uma grande abertura de espírito científico e uma vigorosa dialética.
O princípio de todas as coisas, conforme Damascius, é algo que a alma pressente como estando além e acima das próprias coisas que ela pensa.
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Esse além não deve ser chamado de princípio, causa, primeiro ou anterior a tudo, sendo quase indizível, cabendo apenas adorá-lo.
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Afirma-se que ele é absolutamente incognoscível, mas surge a dificuldade de como se pode dizer e escrever isso racionalmente, já que toda a filosofia poderia ser um vão falatório sobre coisas que não se conhecem.
A contradição sobre o incognoscível é abordada: se Deus não tem relação com nada, pode-se dizer que isso é a sua natureza, e estamos em condição de conhecimento em relação a ela.
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Se se sabe que ele é incognoscível, sob esse aspecto ele é cognoscível, pois se conhece que o incognoscível é incognoscível, o que é um conhecimento não dele, mas da própria ignorância.
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Dizer que ele é incognoscível não afirma nada sobre ele, mas apenas constata o estado do espírito a seu respeito, sendo que o objetivo da ciência poderia ser fazer compreender que a essência das coisas é incompreensível.
Além do uno, Damascius postula um princípio superior, o unificado, que contém todos os contrários, embora seja considerado como um.
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Esse unificado não sofre por ser separado do uno, nem dele procede, pois sua natureza consiste em estar unido ao uno, não pertencendo a si mesmo.
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O inteligível não poderia ter uma processão externa, nem mesmo interna, pois o que tem a forma da unidade não pode produzir uma pluralidade a partir de sua própria matéria.
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Não se deve admitir nele uma divisão, mas sim uma espécie de razão, uma espécie de vida e uma espécie de essência, ou seja, uma espécie de processão.
Na teoria da processão, Damascius sustenta que tudo o que procedeu permanece e fica encerrado na natureza e nos limites de suas causas próprias.
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A processão e a permanência estão sempre uma na outra por natureza, havendo algo que permanece em tudo o que passa e algo que passa em tudo o que permanece.
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A alma permanece sempre unida ao inteligível, pelo menos por uma parte de si mesma, desfazendo os laços de sua própria processão pelo momento do retorno ao seu princípio.
A dualidade ou pluralidade é considerada como idêntica no fundo, não se admitindo uma divisão entre participável e imparticipável na ordem dos inteligíveis.
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O que é anterior à divisão em espécies opostas possui reunidas as duas potências contrárias, sendo ao mesmo tempo participável e imparticipável.
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Se o participável procede do imparticipável, este último se torna participável, pois tudo o que procede de outra coisa permanece na natureza e essência daquilo de que procede.
Além dos princípios do uno e da díade, Damascius distingue no inteligível a tríade do pai, da potência e da razão, mas o absoluto uno está fora dessa tríade e mesmo da mônada.
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Os três são verdadeiramente um e o uno é verdadeiramente três, mas sendo homens, só se pode falar desses princípios supra-divinos de maneira humana.
