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Mitos e Alma

Chaignet

O mito é uma ficção que representa a verdade sob uma imagem, e a filosofia não o desdenha por ter um rapport íntimo com a natureza das coisas e com a nossa alma.

  • O mito se rapporta à natureza, onde as coisas visíveis nos fazem concluir coisas invisíveis, e as coisas corpóreas, coisas incorpóreas.
  • As coisas visíveis e corpóreas da natureza nos inspiram e despertam em nós o pensamento das coisas incorpóreas e invisíveis.
  • Os mitos nasceram para que pudéssemos nos elevar dos fenômenos às realidades ultrassensíveis.
  • Na infância, vivemos segundo a imaginação, e a imaginação se apega às formas, e o emprego dos mitos satisfaz essa necessidade de nosso espírito.
  • A alma é uma imagem do que está acima dela na ordem dos seres, e é natural que a alma ame os mitos: é uma imagem que se compraz numa imagem.
  • “Quereis vos conduzir segundo a razão? tendes a via da demonstração; segundo a opinião? tendes a da prova provável; pela imaginação, tendes os mitos.”

A alma, em seu estado completo, possui três partes integrantes: a faculdade de se portar para as coisas inferiores a si mesma, a faculdade de se recolher sobre si mesma, e a faculdade de tender e remontar para as causas supremas.

  • A alma é imortal, pois tem a faculdade de se purificar, o que faz parte de sua essência.
  • Purificar-se é separar-se do corpo, e se ela deseja se separar, ela aspira a uma existência separada.
  • Se o desejo da alma fosse sem objeto e sem causa, o bem não poderia ser, pois a vida separada do corpo é um bem que a alma deseja.
  • A alma se aperfeiçoa por seu ato e se confirma ainda mais em sua essência, tornando-se senhora de seu próprio ser.
  • Nenhuma forma pode, naturalmente, destruir-se a si mesma, mas apenas se assimilar a coisas inferiores e, por aí, se corromper.

A alma é diferente do corpo, pois conhece, enquanto o corpo está mergulhado por sua essência na ignorância, e a razão é conhecimento em si mesma, indivisível por essência.

  • Entre o corpo e a razão, há faculdades intermediárias: a sensação, a mais obscura de nossos conhecimentos, pois não pode se exercer sem o corpo.
  • Depois vem a imaginação, que representa as formas e é suscetível de verdade e de erro.
  • Depois a opinião, que está entre a ciência e a ignorância, e que é um conhecimento que toma emprestado seu objeto da imaginação.
  • Enfim, a reminiscência, pela qual a alma põe a descoberto os princípios.
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