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I-27

Resumo de Saffrey e Westerink

Capítulo 27. Atributos divinos extraídos do Fedão. 2.

Unário, indissolúvel, semelhante a si mesmo.

Deus é unitário, pois é o ápice da classe das henades e o Um por excelência; é indissolúvel, pois pela força da unidade impede que todo o resto se dissolva; é semelhante a si mesmo, pois é eterno (p. 118.11-119.7).

Existe uma correspondência entre os atributos dessas duas tríades: ao divino, porque Deus é Um, corresponde o unitário; ao imortal, porque Deus é a causa do vínculo da vida, o indissolúvel; ao inteligível, porque Deus é a causa da permanência, o semelhante a si mesmo (p. 119.8 - 29).


Resumo da tradução de Thomas Taylor

  • Continuidade da análise da tríade do Fédon após divino, imortal e inteligível
  • Objeto: o uniforme (monoeides), o indissolúvel (adialyton) e o que tem identidade invariável de subsistência (tauton ae kata tauta echon)
  • Caracterização: precursores e permeadores de todas as ordens divinas
  • Hierarquia e função de cada um
    • Uniforme: subsistência mais alta, presente com a mônada divina, especialmente adaptado ao que é primariamente ser (proton on), onde todo gênero participável de unidades termina; Um anterior a estes
    • Indissolúvel: segundo; compreende e liga extremos segundo união divina; dissolúvel é tal por falta de conexão e potência que coleta multidão em um
    • Identidade invariável de subsistência: eterno (aionios), cheio da perpetuidade dos Deuses; daí deriva participação de imortalidade e identidade eterna a outras coisas
  • Correspondência com a tríade anterior
    • Uniforme pertence ao mesmo que divino (theion)
    • Indissolúvel ao mesmo que imortal (athanaton)
    • Identidade invariável referível ao inteligível (noeton)
  • Co-adaptação e fundamentação causal
    • Primeiro (uniforme) através da primeira unidade participada pelo ser: como convém, uniforme; se Deus subsiste segundo o Um, divino será uniforme
    • Segundo (indissolúvel) através de uma causa de vida: imortal também similarmente indissolúvel; vida é vínculo de naturezas dissolúveis (Timeu opõe dissolúvel a imortal: “não sois imortais, mas nunca sereis dissolvidos”)
    • Mortal é dissolúvel; imortal indissolúvel; imortalidade renovada no meio, nem indissolúvel, nem mortal
    • Terceiro (identidade invariável) estabelecido segundo plenitude de todos inteligíveis subsiste de uma vez e invariavelmente idêntico; inteligível causa da identidade e permanência eterna; intelecto por isso inteiramente eterno
  • Origem destas tríades
    • Procedem das primeiras e mais principais causas, como demonstrado com as tríades mencionadas antes
    • Consideração posterior destas coisas
  • Questão: o inengendrado aplicado a natureza divina, segundo que razão?
  • Definição: divindade isenta de toda geração
    • Não apenas geração que subsiste em partes do tempo (geração de naturezas materiais)
    • Não apenas geração estendida no tempo todo (geração de corpos celestes, Timeu)
    • Mas também da geração psíquica (Timeu denomina inengendrada no tempo, mas melhor das naturezas geradas)
  • Em suma: natureza divina isenta de toda divisão e separação essencial
  • Progressão dos Deuses sempre segundo união de naturezas secundárias uniformemente estabelecidas nas anteriores; produtoras contendo em si as produzidas
  • Indivisível, não separado e unido são na realidade inengendrados
  • Interpretação das gerações divinas em figmentos fabulosos
    • Exemplo: fábula de Diotima, geração de Vênus e Amor
    • Necessidade de não ignorar modo como tais coisas são asseridas: compostas por causa de indicação simbólica
    • Fábulas por causa de ocultação chamam desdobramento inefável através de causas de “geração”
    • Escritos órficos denominam primeira causa Tempo (Chronos) por esta razão: subsistência segundo causa mesma que segundo tempo
    • Progressão dos Deuses da melhor das causas propriamente denominada geração segundo tempo
  • Adaptação metodológica de Platão
    • Ao mitologizar: adaptado inventar coisas conforme teólogos
    • Ao discorrer dialeticamente, investigando e desdobrando naturezas divinas intelectualmente (não misticamente): adaptado celebrar essência inengendrada dos Deuses
  • Hierarquia do inengendrado
    • Deuses estabelecem primariamente em si paradigma da não-geração
    • Natureza intelectual inengendrada secundariamente
    • Essência psíquica após esta
    • Em corpos: última semelhança de potência inengendrada; alguns posteriores a Platão mostraram indefinidamente céu inteiro inengendrado
  • Caracterização final dos Deuses como inengendrados
    • Ordem neles de progressões primeiras, médias e últimas; transcendência e sujeição de potências
    • Compreensões uniformes de causas; progênies multiformes de coisas causadas
    • Todas as coisas consubsistentes umas nas outras, mas modo de subsistência variado
    • Algumas como reabastecedoras subsistem antes de naturezas secundárias
    • Outras como preenchidas aspiram a naturezas mais perfeitas, participando de potência tornam-se gerativas de coisas posteriores a si, perfeccionadoras de sua hyparxis

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