Amélio Gentiliano
Filósofo platônico (cerca de 216/226-290/300 dC) do círculo romano de Plotino, possivelmente professor de Jâmblico. Compôs obras sobre Numênio e Plotino, assim como comentários sobre os diálogos de Platão. (Schäfer)
Plotino foi acompanhado por Amélio, que havia estudado com Numênio em Apameia (é possível que Plotino tenha visitado Apameia durante sua viagem ao Oriente). Amélio permaneceu com ele até a morte de Plotino, quando então retornou a Apameia para se tornar o mestre de Jâmblico. (PREUS, Anthony. Historical dictionary of ancient Greek philosophy. Second Edition ed. Lanham: Rowman & Littlefield, 2015.)
AMÉLIO (século III d.C.). Neoplatônico, discípulo de Numênio de Apameia e de Plotino. Atuou como secretário de Plotino, tomando extensas notas de seus ensinamentos. Escreveu diversas obras próprias, que não sobreviveram, exceto por referências em autores posteriores. Após a morte de Plotino, retornou a Apameia, na Síria.
Plotino, o filósofo de nossa época, parecia envergonhar-se de estar no corpo. Em consequência desse estado de espírito, ele nunca suportava falar sobre sua raça, seus pais ou seu país natal. E opunha-se tão veementemente a posar para um pintor ou escultor que disse a Amelius, que o instava a permitir que fosse feito um retrato seu: “Ora, não basta ter de carregar a imagem em que a natureza nos envolveu, sem que você me peça para concordar em deixar para trás uma imagem mais duradoura da imagem, como se fosse algo que realmente valesse a pena ser visto? ” Diante de sua negação e recusa em posar por esse motivo, Amelius, que tinha um amigo, Carterius, o melhor pintor da época, trouxe-o para participar das reuniões da escola — elas eram abertas a qualquer pessoa que desejasse comparecer — e o habituou, por meio de um estudo progressivo, a extrair imagens mentais cada vez mais marcantes do que via. Então Carterius desenhou uma representação da impressão que permaneceu em sua memória. Amelius o ajudou a aperfeiçoar seu esboço para que ficasse mais parecido, e assim o talento de Carterius nos proporcionou um excelente retrato de Plotino sem que ele soubesse. (Porfírio, Vida de Plotino)
Sobre Amelius Gentilianus, da Etrúria, cf. Vida de Plotino, caps. 3, 7, 10, 17 (sua epístola dedicatória a Porfírio), 18 e 20. Ele era, como deixa claro Porfírio, o membro mais proeminente da escola, na qual parece ter atuado como principal assistente de Plotino (cf. especialmente o cap. 18). Ele era extremamente piedoso (cap. 10) e um escritor prolífico e de grande volume. Nada sobreviveu dos cem volumes de anotações que ele fez nas reuniões da escola.
As divergências de Amélio em relação a Plotino são mínimas e se reduzem a pontos de pouca consequência, sem as quais qualquer personalidade intelectual desapareceria.
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Amélio generalizou a aplicação do princípio da participação, concluindo que todo inteligível participa do inteligível que lhe é imediatamente superior na série lógica, confundindo participação com processão.
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Neste ponto, Amélio seguia a opinião de Numênio, seu primeiro mestre, cujo ascendente ele havia longamente submetido.
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Proclo atribuiu a Amélio e Numênio a conclusão de que há participação (metexis) nos inteligíveis.
Amélio suprimiu o germe de individualidade na existência anterior à terrena, considerando a alma universal como una em número e absolutamente indivisível.
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Amélio fundamentava-se na opinião de que a alma não é, no fundo, outra coisa senão seus atos, que poderiam diversificar-se sem atingir a unidade da substância.
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A conclusão lógica dessa tese era que a matéria é o verdadeiro princípio de individuação ou que a individualidade é apenas o resultado das diversas relações da alma universal.
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A opinião de Amélio assemelha-se à noção moderna de que a alma não é uma substância, mas o sistema das manifestações psíquicas e mentais.
Amélio e Porfírio compreenderam que Plotino havia ensinado que o princípio que engendrou o mundo é a razão, sendo esta o demiurgo, uma questão não das mais claras.
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Amélio expôs a doutrina do demiurgo por meio de três razões (logoi) ou três demiurgos: o ser, o inteligível e a razão, que são apenas as relações do ser pensante, do pensamento e do objeto pensado.
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O grupo dessas três razões forma uma série graduada descendente, onde a distância entre elas mede seu grau de inferioridade ou imperfeição, sendo todas, porém, inteligíveis.
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A primeira razão cria apenas pela vontade (boulesei monon), a segunda apenas pela ordem (epitaxei monon), e a terceira pela operação ativa (metacheirisei poion).
Amélio admitia ideias exemplares não apenas dos gêneros, espécies e indivíduos, mas de todas as coisas, mesmo as caracterizadas pela feiura física e moral.
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Com isso, Amélio colocava na essência divina os princípios racionais do mal, para grande espanto de Filopono.
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Essas opiniões de Amélio apoiavam-se na doutrina de Plotino, seja mal-entendida, seja levada a uma extremidade que a torna falsa.
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Onde Amélio mais se afasta do sistema e do espírito do mestre é em sua teoria mística dos números, um souvenir infeliz de sua formação com o neopitagórico Numênio.
Segundo Amélio, a alma encerra todos os números que regem a produção e as formas das coisas deste mundo: 1, 2, 3, 4, 8, 9, 27.
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A unidade abraça o gênero dos deuses; a díade e a tríade, o gênero dos demônios.
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O número 4 e o número 9 presidem a toda a vida humana (o 9 à vida superior, o 4 à vida inferior).
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Os números 8 (2^3) e 27 (3^3) governam a criação dos animais (o 8, par, os animais selvagens; o 27, ímpar, os animais domésticos).
