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Estevão de Alexandria

Ele é aluno, como acabamos de dizer, de Filopono, e atualmente reconhecido como autor do comentário do terceiro livro da obra De anima, de Aristóteles, que antes era atribuído a Filopão. São numerosos os seus outros escritos, entre os quais um tratado astronômico e comentários a vários escritos de Aristóteles — preferencialmente aos escritos lógicos —, de Hipócrates e de Galeno.

Estevão foi chamado pelo imperador Heráclio a Constantinopla e nomeado mestre ecumênico no Pandidactorion (Universidade), onde ensinou — menos de um século após o fechamento das escolas de Atenas — Platão, Aristóteles, geometria, aritmética, música e astronomia. A escola filosófica de Alexandria deixou-se penetrar pelo espírito cristão; deixou de lado as ontologias de Jâmblico e limitou muito o papel do êxtase, colocando em primeiro plano o interesse pelas ciências, especialmente a matemática. O importante é que essa escola, ao abandonar a ontologia de Jâmblico, rompeu o vínculo exclusivo entre a metafísica e o paganismo e tornou possível a ligação entre o neoplatonismo e o cristianismo.

Se assim for, o apelo de Estevão a Constantinopla e seu ensino no Pandidactorion são de considerável interesse. Por Estevão, assim como por Filopono, o platonismo de Alexandria, compreendendo alguns dos elementos mais nobres da cultura helênica, funde-se com a tradição intelectual de Bizâncio. Durante esse mesmo período, o neoplatonismo abre outro caminho para se infiltrar no cristianismo. Máximo, o Confessor, contemporâneo de Estevão, comenta os escritos do pseudo-Dionísio e se apresenta como seu admirador fervoroso e discípulo.

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