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Faculdades da Alma

Ennéades (tr. Bouillet) III. Segundo Platão, as faculdades da alma não são diferentes da alma, visto que a alma é indivisível em si mesma; por outro lado, são congêneres e subsistem juntas em uma só ideia, na medida em que a essência da alma é composta, porquanto a alma possui três vidas que são de essência diferente. Aristóteles, que concebe igualmente a alma como uma essência simples e incorpórea, a qual consuma a forma, não crê que as faculdades estejam na alma como em um composto. — Ao contrário, os sequazes de Zenão e de Chrysippos e todos aqueles que fazem da alma um corpo, considerando as faculdades como as qualidades do sujeito, e a alma como a substância que é o sujeito das qualidades, constituem com estas duas coisas uma natureza que é composta de elementos heterogêneos. Neste sistema, as faculdades pertencem ou à própria alma, ou àquilo que possui a alma, isto é, ao animal considerado com o corpo.

Para os filósofos tais como Pitágoras e Platão, segundo os quais a alma tem uma dupla vida, porque vive em si mesma e no corpo, as faculdades estão presentes à alma de uma outra maneira que ao animal. — Ao contrário, para os filósofos segundo os quais a alma não possui outra vida senão a do composto, porque forma um misto com o corpo, como dizem os Estoicos, ou porque comunica toda a sua vida ao animal, como pretendem os Peripatéticos, as faculdades não têm senão um único modo de presença: estão misturadas ao animal inteiro, ou bem o animal inteiro delas participa.

Como, portanto, as faculdades diferem umas das outras?

Segundo os Estoicos, algumas faculdades diferem pela diversidade dos órgãos nos quais residem: pois há, dizem eles, diversos espíritos estendidos do princípio dirigente para os diversos órgãos, os olhos, os ouvidos, etc.; outras faculdades, que têm por sede o mesmo órgão, diferem por sua qualidade própria: pois, do mesmo modo que uma maçã reúne no mesmo sujeito o sabor e o perfume, do mesmo modo o Princípio dirigente reúne no mesmo sujeito a Representação sensível, o Assentimento, o Apetite, a Razão. — Segundo os Peripatéticos e todos aqueles que não admitem que a alma tenha partes, as faculdades são reportadas ao mesmo tempo a uma essência única e a diferentes espécies conforme a natureza de suas funções.

Segundo Platão, a alma tem três partes porque suas três vidas pertencem a três essências diferentes; por outro lado, possui diversas faculdades, se se considera, não mais as diferenças essenciais de sua vida, mas a diversidade das propriedades que estão reunidas no mesmo princípio. — Em geral, há entre uma parte e uma faculdade esta distinção: que uma parte difere de uma outra parte por sua essência, enquanto uma faculdade pode ter o mesmo sujeito que uma outra faculdade e dela não difere senão por sua função geradora ou produtora.

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